Bloqueio do orçamento federal pode afetar empregos e operação da IDV em Sete Lagoas
A IDV, ex-Iveco Defense Vehicles, está acompanhando com “preocupação e estranheza” o bloqueio orçamentário anunciado pelo governo federal de mais de R$ 4,3 bilhões do orçamento do Ministério da Defesa. O corte poderá afetar diretamente os projetos de veículos blindados produzidos na unidade da empresa em Sete Lagoas, na região Central de Minas Gerais, e ameaça a operação da fábrica no segundo semestre.
De acordo com informações da empresa, um trabalho está sendo feito junto às Forças Armadas para verificar uma possível revisão nesta redução de verba, já que do contrário, a empresa irá avaliar o funcionamento da fábrica a partir de agosto.
Conforme nota enviada ao Diário do Comércio, a companhia considera a atitude contrária à tendência mundial. “O bloqueio vai contra a tendência global de incremento nos investimentos em defesa do País. Tal ação acarreta impactos socioeconômicos relevantes não só na empresa como nos fornecedores e em toda base industrial de defesa do Brasil”.
A nota diz ainda que a previsibilidade orçamentária é fundamental para a sustentabilidade do setor. “Esperamos que esta situação se normalize no curto prazo, evitando assim que a empresa e os fornecedores sejam obrigados a realizar ajustes nos contratos de trabalho”, finaliza a nota.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Sete Lagoas, Ernane Dias, conta que reuniões já foram feitas com a empresa e que há intenção da IDV em usar alternativas variadas antes de atingir os empregados. “Há muitas possibilidades como o layoff de até cinco meses, as férias coletivas. São mão de obra qualificadas e a IDV não tem intenção de perdê-las”, afirma.
O representante dos trabalhadores disse ainda que, apesar das boas intenções, há a preocupação por parte do sindicato porque são mais de 200 postos de trabalho e trabalhadores em jogo, que poderão ser prejudicados. “Temos uma preocupação sim, mas estamos fazendo de tudo junto à empresa, para reverter o quadro junto ao governo federal e preservar os empregos dentro da máxima legalidade”, afirmou.
O corte, que soma mais de R$ 23,6 bilhões, foi detalhado pelo governo no final do mês passado, e trouxe o Ministério da Defesa como o maior prejudicado. Ao todo, para a pasta, foram mais de R$ 4,3 bilhões bloqueados. Na prática, isso significa menos espaço orçamentário para a execução de projetos, contratos e investimentos até nova reavaliação das contas públicas.
Do montante bloqueado, R$ 18,7 bilhões atingiram despesas do Poder Executivo, dos quais R$ 9,9 bilhões seriam de gastos discricionários e R$ 8,7 bilhões do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). Outros R$ 4,97 bilhões recaíram sobre emendas parlamentares.
Entre os ministérios, os maiores cortes ficaram concentrados nas pastas:
• Ministério da Defesa: R$ 4,3 bilhões;
• Ministério das Cidades: R$ 3,3 bilhões;
• Ministério da Educação: R$ 1,6 bilhão;
• Ministério dos Transportes: R$ 1,5 bilhão;
• Ministério da Fazenda: R$ 1,3 bilhão;
• Ministério da Saúde: R$ 1 bilhão.
A alegação do governo federal para o bloqueio foi que a medida seria um compromisso com o cumprimento das metas estabelecidas e com o atendimento às normas de responsabilidade fiscal.
Procurado, o Ministério da Defesa disse ser responsabilidade das Forças Armadas, que também foi demandada pela reportagem, mas não houve retorno.
Ouça a rádio de Minas
