Diversidade em Foco

Cabelos grisalhos, representatividade, e o poder das mulheres 50+

A cor do cabelo como posicionamento político, o controle social do corpo feminino e o impacto no mercado para as mais velhas
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Na última semana, as redes sociais esquentaram com o vídeo de uma influenciadora, que se apresenta como psiquiatra, e alertou para o risco relativo à saúde mental de mulheres grisalhas, pois isso “quer dizer falta de autocuidado” — palavras dela — e o sinal de que essa mulher pode estar sofrendo de depressão e de uma doença chamada anedonia. Eu, como grisalha realizada que sou, me senti instada a falar sobre isso na coluna desta quinzena.

Vivemos em uma sociedade patriarcal, o que significa que a regra social é a do pai, a do patriarca. Não por acaso, homens ficam elegantes e sedutores quando ganham os primeiros fios brancos. Em contrapartida, mulheres são desleixadas ou estão sofrendo de depressão. Na nossa sociedade há um controle social sobre o corpo da mulher que não pode escolher ser e envelhecer do jeito que ela quiser.

Quando comecei a estudar sobre a condição social da mulher, entendi que assumir o meu cabelo grisalho era mais que uma questão estética, era um posicionamento político. Sim, porque política se faz diariamente, nas pequenas escolhas, no modo como escolhemos viver e nos posicionar.

Mas, mesmo assim, essa não foi uma decisão fácil, havia o peso social, o medo da crítica, o risco de assumir perder a aparência estética aceitável. Foi somente quando descobri, nas redes sociais, um perfil intitulado “Clube das Grisalhas” que decidi fazer a transição capilar, pois ali vi mulheres lindas, com seus cabelos grisalhos, e me senti representada. E aqui temos um contrassenso da vida contemporânea: a mesma rede que permite que qualquer um tenha opinião sobre qualquer coisa, permite que grupos de representatividade se reconheçam.

E qual o motivo de eu trazer esse assunto, a princípio de ordem pessoal, para a coluna? O Brasil é um país que está envelhecendo. Até 2025, seremos o sexto país mais velho do mundo. E quando interseccionarmos gênero a essa discussão, o cenário é mais desafiador. Recente pesquisa da Infojobs “Panorama da Mulher no Trabalho 2026” aponta que o desemprego assola 54% das mulheres brasileiras e na faixa acima dos 45 anos esse percentual cresce para 60%. Vivemos em uma sociedade patriarcal, lembra?

E, do mesmo jeito que essa influenciadora, que se diz médica, julga as mulheres por sua aparência, o mercado também o faz. Ou seja, os discursos que perpetuamos na cultura têm desdobramentos práticos em todas as searas da vida. E é na e pela cultura que precisamos iniciar a transformação. É preciso ressignificar a forma como lemos as mulheres mais velhas socialmente. Temos o direito de escolher como queremos envelhecer e não sermos aposentadas e nem taxadas de deprimidas por isso. A senioridade é uma habilidade a nosso favor e as empresas que aprenderem a entender isso sairão na frente em termos de inovação e de inclusão. E sua empresa vai aposentar ou aproveitar o que uma grisalha

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