Editorial

Candidatos na vitrine

Entrevista com o ex-prefeito de Belo Horizonte e pré-candidato ao governo de Minas, Alexandre Kalil (PDT), expõe a gravidade da situação fiscal do Estado
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Candidatos na vitrine
Foto: Diário do Comércio / Nathália Gonçalves

A entrevista que o Diário do Comércio realizou com o pré-candidato ao governo de Minas Gerais Alexandre Kalil (PDT) ilumina, com clareza pouco habitual no discurso eleitoral, a dimensão do problema fiscal que o próximo governador terá de enfrentar. Mais do que um diagnóstico, o que emerge da conversa é um retrato de Estado em colapso funcional, cujos sinais estão há muito visíveis, mas raramente são nomeados com esta brutalidade.

Kalil é direto: Minas virou um Estado de recursos humanos. Paga folha. Só. Não investe em estradas, não moderniza escolas, não recompõe as polícias. A Polícia Civil opera com 50% do efetivo necessário. A PM passou 2025 sem treinamento. Uma delegacia em Ribeirão das Neves está sendo despejada por inadimplência do governo estadual. O Departamento de Estradas de Rodagem está sucateado. O Rodoanel continua no papel. O PIB de Minas recuou 0,5% no primeiro trimestre de 2026.

Esses não são dados de campanha. São fatos. E é exatamente por isso que a série Diário do Comércio Eleições Minas 2026 existe: para colocar os pré-candidatos diante das questões concretas que o Estado enfrenta, com perguntas elaboradas pela ótica da economia e do ambiente de negócios, e exigir respostas que vão além do slogan.

O pedetista não poupa o atual governo. Afirma que a gestão Zema não deixou nenhuma marca em oito anos, a não ser a corrupção e a propaganda. Critica o uso do avião oficial para fazer campanha enquanto o Estado sangra. E vai além: diz que tudo que foi construído no período foi erguido com o dinheiro das indenizações de Brumadinho, o que ele chama de “dinheiro dos mortos”, e que esse recurso está se esgotando. Na sua avaliação, Minas não pode continuar sendo governada à sombra de uma tragédia.

O pré-candidato propõe um gabinete de gestão de crise como primeira medida de governo. Defende renegociar a dívida com a União em moldes parecidos com o Refis federal, desonerando o caixa estadual para voltar a investir. Posiciona-se contra a privatização da Cemig, cujos dividendos representam R$ 4 bilhões anuais para o Estado, e critica a venda da Copasa como solução para uma crise que, na sua avaliação, é de gestão, não de modelo. Em mineração, denuncia o esvaziamento das agências reguladoras. No agronegócio, defende menos intervenção estatal e mais infraestrutura de escoamento.

O jornalismo econômico existe para qualificar esse debate, confrontar promessas com números e testar projetos contra a realidade fiscal do Estado. Minas não pode se dar ao luxo de mais retórica. O futuro do Estado se decide nas urnas, mas começa na qualidade das perguntas feitas antes delas.

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