Mercado de piscinas cresce em Minas e enfrenta escassez de mão de obra qualificada
O Brasil é o segundo maior mercado de piscinas do mundo, com mais de 3,7 milhões de unidades instaladas em residências, atrás apenas dos Estados Unidos. O setor movimenta R$ 18,7 bilhões por ano, sendo R$ 9,8 bilhões em construções, R$ 4,8 bilhões em tratamentos e R$ 4,1 bilhões em mão de obra. O segmento também reúne mais de 125 mil profissionais, dos quais 45 mil atuam na manutenção de piscinas. Os dados são da Associação Nacional das Empresas e Profissionais de Piscinas (Anapp) e refletem um mercado que continua aquecido também em Minas Gerais, impulsionado pela demanda residencial e pelo fortalecimento de fabricantes instalados no Estado.
Segundo o gerente administrativo da ANAPP, João Marques Jr., embora a associação não tenha um levantamento específico por unidade da federação, Minas Gerais está entre os principais mercados do País. “A concentração de piscinas está na região Sudeste, em primeiro lugar, e na região Sul, em segundo. Então, obviamente, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais concentram uma parcela importante desse mercado”, afirma.
Um dos principais exemplos desse movimento é a fábrica do grupo iGUi em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), que responde por cerca de 65% do mercado mineiro de piscinas pré-fabricadas no Estado. Atendendo praticamente todo o território mineiro, com exceção do Triângulo Mineiro, a operação registrou crescimento de 4% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período de 2025.

Segundo o diretor comercial da fábrica da RMBH, Wesley de Freitas, a unidade responde pela produção das piscinas das marcas iGUi e Splash by iGUi, fabricando cerca de 500 piscinas por mês, o equivalente a aproximadamente 5 mil unidades por ano. O faturamento médio da operação gira em torno de R$ 3,5 milhões mensais.
“O crescimento não começou agora. Ele veio em 2020, durante a pandemia, quando as pessoas passaram a investir mais em áreas de lazer dentro de casa. Antes fabricávamos cerca de 60 piscinas por mês. Naquele período chegamos a produzir 600 unidades mensais”, afirma.

Embora o boom inicial tenha ocorrido durante a pandemia, o diretor destaca que a demanda permaneceu elevada mesmo após a retomada da rotina. “Nós imaginávamos que o mercado poderia desacelerar, mas ele continuou crescendo, para nossa surpresa”, diz.
A avaliação coincide com a do gerente da ANAPP. Para Marques Jr., a pandemia foi um divisor de águas para o setor, já que muitas famílias direcionaram recursos que seriam gastos em viagens para melhorias nas próprias residências. Além disso, ele destaca a expansão dos chamados condomínios resort, com ampla estrutura de lazer, e o aumento da concorrência entre fabricantes, que ajudou a tornar os produtos mais acessíveis. “Com mais fabricantes e mais players no setor, os preços tendem a ficar mais favoráveis, estimulando ainda mais o mercado”, afirma.
A especialista em recursos humanos da Meet Recrutamento e Seleção, Isabela Fantin, afirma que o crescimento da demanda por serviços de manutenção de piscinas esbarra na dificuldade de encontrar profissionais qualificados. Segundo ela, vagas para piscineiros costumam levar mais tempo para serem preenchidas porque praticamente não existem candidatos com experiência na função.

“Esse tipo de vaga é uma vaga que nós nem tentamos encontrar alguém com experiência, porque não existe a pessoa ali com experiência”, explica. Por isso, as empresas passaram a buscar trabalhadores com perfil para serviços manuais, vindos de áreas como construção civil, carga e descarga ou outras atividades operacionais, para treiná-los na limpeza e manutenção de piscinas.
A percepção é compartilhada pela ANAPP. Segundo Marques Jr., ainda existe um déficit de profissionais qualificados para acompanhar o crescimento do setor. Ele explica que, em muitos casos, o tratamento de piscinas ainda é encarado como uma atividade complementar. “Muitas vezes é o caseiro de duas ou três chácaras que também faz a manutenção da piscina. Ainda existe essa visão de que é um subemprego ou uma atividade adicional”, afirma. “Existe, sim, uma demanda reprimida por mão de obra qualificada”, avalia.
De acordo com Isabela Fantin, além da disposição para o trabalho manual, as empresas valorizam responsabilidade e compromisso, já que o profissional atende clientes de forma recorrente. “Hoje, uma pessoa que tem responsabilidade, compromisso e seriedade não é muito fácil de encontrar”, afirma.
Ela relata que a escassez de mão de obra faz com que candidatos sejam rapidamente absorvidos pelo mercado. Enquanto a média das vagas conduzidas pela empresa é preenchida em cerca de 10 dias, uma vaga de piscineiro levou aproximadamente 30 dias. “A gente conseguia candidato, só que a pessoa, quando agendava a entrevista, no outro dia já tinha arrumado outro emprego”, diz.
Mercado mais seletivo favorece empresas estruturadas
O crescimento das vendas de piscinas está concentrado no segmento residencial. Segundo Freitas, aproximadamente 99% das piscinas comercializadas pela fábrica destinam-se a casas, enquanto empreendimentos verticais representam uma parcela pequena das vendas.
A maior demanda é pelas piscinas da marca Splash by iGUi, voltadas ao público de maior volume de vendas, com tíquete médio entre R$ 15 mil e R$ 20 mil. Já as piscinas premium da marca iGUi, revestidas em acrílico e voltadas aos públicos A e B, têm valores entre R$ 60 mil e R$ 80 mil e vêm conquistando espaço principalmente em edifícios e coberturas, pela facilidade de instalação e menor peso.
“É um produto que compete diretamente com a piscina de alvenaria, mas enquanto a de alvenaria demora cerca de quatro meses, a gente entrega e instala em cerca de três dias, com menos obra e garantia de que é um produto que não tem vazamentos”, explicou.
Na avaliação do executivo, a continuidade do crescimento ocorre em um ambiente diferente daquele observado durante a pandemia. Se antes praticamente qualquer fabricante conseguia vender, hoje os consumidores estão mais criteriosos, favorecendo empresas consolidadas.
“Na pandemia qualquer fabricante vendia porque o cliente queria receber rápido. Depois disso, o consumidor voltou às lojas, passou a comparar produtos e fazer orçamentos”, afirmou.
Além disso, a logística é apontada como um diferencial competitivo em Minas Gerais. Segundo Freitas, o tamanho do Estado torna o transporte um fator decisivo para fabricantes de outras regiões. “Minas é um mercado muito promissor, mas quem não produz aqui tem dificuldade para competir por causa do custo do frete. Pela produção ser aqui, nós conseguimos oferecer um preço mais competitivo”, afirmou.
Fábrica vai ampliar rede em Minas Gerais
A expectativa da empresa é ampliar sua presença no Estado ainda este ano. Enquanto a fábrica de Esmeraldas possui capacidade para absorver o aumento da produção, o foco dos investimentos será a expansão da rede comercial.
Segundo o diretor, a previsão é dobrar o número de lojas da marca iGUi em Minas Gerais até o fim de 2026, acompanhando o aumento da procura pelo segmento premium.
“Percebemos que esse consumidor está crescendo em Minas Gerais. Em outros estados esse movimento já aconteceu antes, mas o público mineiro costuma ser mais cauteloso na adoção de novos produtos. Agora, esse mercado está amadurecendo e acreditamos que haverá uma expansão significativa da nossa rede”, comentou.
Atualmente, a empresa mantém lojas da iGUi em Belo Horizonte, Betim, Juiz de Fora, Conselheiro Lafaiete e Ipatinga, além de uma rede com cerca de 40 unidades Splash distribuídas pelo Estado.





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