NeoCharge aposta em modelo gratuito para levar eletropostos a comércios de Minas
Após implantar seu primeiro eletroposto em Minas Gerais, a NeoCharge trabalha para ampliar sua presença no Estado e bater a meta de um megawatt (MW) de operação instalada no Brasil até outubro deste ano. Para tanto, aposta na expansão do programa NeoCharge Partners, em que a empresa planeja, instala e opera estações compartilhadas de recarga em estabelecimentos comerciais.
Criada em 2016 como um braço da NeoSolar, fundada seis anos antes e líder de mercado em energia solar fotovoltaica, a NeoCharge começou vendendo carregadores para empresários que queriam montar eletropostos. O negócio, porém, evoluiu e, desde o ano passado, a empresa também trabalha com o formato de parceria com lojistas.
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Operação compartilhada é gratuita para o parceiro
Enquanto a aquisição de um carregador médio, com capacidade de 30 quilowatts (kW), custa cerca de R$ 70 mil para o comerciante na NeoCharge, sendo R$ 35 mil para a construção da infraestrutura e o restante para a compra do próprio carregador, a operação de um eletroposto em formato de parceria é gratuita, como explica o gerente de expansão da empresa, Guilherme Brambilla.
“É gratuito porque eu sou o dono do carregador, do software do carregador, que o cliente baixa para cadastrar seu cartão ou fazer seu Pix e pagar pelo sistema de carregamento. Desse valor que recebo, tudo vem pra mim, que emito a nota fiscal para o cliente, tiro um custo operacional e sobra um lucro. Desse lucro, até 20% retorna para o parceiro, para o dono da padaria, para o dono do posto parceiro, que também é reembolsado pelo valor da energia elétrica utilizada”, detalha Brambilla.

De acordo com ele, o sistema de parceria é vantajoso porque permite que o parceiro “cuide daquilo que ele é bom”, ou seja, na venda de seus produtos já consolidados. O eletroposto parceiro entra como um plus do comércio: aquele serviço além, que é utilizado pelo cliente para carregar seu veículo elétrico enquanto ele faz compras no supermercado, por exemplo.
Brambilla pontua, porém, que se o objetivo do parceiro é empreender com eletroposto, ou seja, obter sua principal renda com o serviço de eletroposto, o mais vantajoso é, sim, a compra do carregador.
Eletroposto aumenta vendas, diz Brambilla
Para reforçar a importância crescente da presença de eletropostos e sua influência sobre comércios, o gerente de expansão da NeoCharge lembra que a BCT Power, considerada a principal fabricante de sistemas de carregamento de veículos elétricos da América do Norte, tem apresentado um estudo que mostra que 80% dos donos de EVgo (carros elétricos com carregamento rápido) fazem compras nos estabelecimentos.
“Então, a gente tem alguns dados sobre aumento de tempo do cliente na loja e aumento de tíquete médio enquanto carrega, como também esse que mostra que 80% dos clientes que param para carregar consomem algo no raio de até 100 metros do eletroposto. Esse é um ponto que faz muito sentido para o comerciante”, diz.
Como é o sistema de parceria da NeoCharge?
Pelo programa NeoCharge Partners, a empresa realiza uma análise de viabilidade técnica sem custos para o empreendimento, fornece os equipamentos, executa a instalação da infraestrutura necessária e disponibiliza a operação da estação de recarga, com 100% de reembolso da energia.
Em relação à viabilidade, Brambilla aponta que é avaliado o ponto do parceiro interessado, a penetração de veículos elétricos naquela cidade, a segurança do ponto e o tempo de funcionamento do negócio. “Se um estabelecimento funciona 24 horas, é um parceiro que me chama muita atenção, por exemplo, até porque será um lugar com algum nível de segurança, já que o roubo de cabos de carregadores é um ponto de impacto atualmente”, diz.
Questionado sobre o retorno do investimento feito ao comerciante parceiro, Brambilla lembra que, como o parceiro não investe efetivamente, essa previsão torna-se complexa. Em contrapartida pela parceria, o negócio passa a receber uma participação sobre cada recarga realizada.
Minas tem grande potencial para eletropostos
Para Brambilla, Minas tem dois grandes pontos que chamam a atenção para o mercado de eletropostos, sejam eles operados exclusivamente pelo parceiro ou em modo de parceria. O primeiro deles é a quantidade de cidades e de rodovias. “Em Pouso Alegre, por exemplo, nós temos um sistema misto: o posto de gasolina montou um eletroposto com carregadores potentes, pois é um local de passagem, em que as pessoas param com o intuito específico de carregar. É um mercado muito rico”, diz.
O segundo ponto é o foco na Capital. “Em BH, faz ainda mais sentido esse modelo de investimento parceiro. A gente vê BH com um crescimento muito legal, com um espaço de crescimento muito grande de veículos elétricos e que existe uma demanda reprimida por carregadores. Há, inclusive, muitos clientes querendo colocar eletropostos em condomínios residenciais”, completa Brambilla.
Eletroposto em Pouso Alegre
Em Pouso Alegre, no Sul de Minas, o Posto Servsul, localizado às margens da rodovia Fernão Dias e em operação há mais de 30 anos, tornou-se o primeiro parceiro da NeoCharge. Por lá, o modelo é misto: parte dos carregadores é usada em parceria com o programa NeoCharge Partners, e outra parte foi adquirida pelo dono do posto com a NeoCharge.
“Começamos a investir em energia fotovoltaica em 2019 e, através da indicação do meu engenheiro, conheci o programa NeoCharge Partners. Resolvi fazer um teste e ver se teria rendimento”, lembra o sócio-proprietário do posto, Luiz Claudio dos Santos.
Segundo o empresário, a parceria começou no ano passado com a instalação de carregadores com diferentes níveis de potência. Apesar disso, ele notou que, para o seu posto, a característica importante era que os motoristas em viagem pudessem ter acesso a carregamentos de alta potência (120 kW), capazes de reduzir o tempo de parada e manter o deslocamento eficiente.
Hoje, segundo a NeoCharge, o eletroposto Servsul é considerado o maior hub de recarga da rodovia Fernão Dias.
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