A cultura do diálogo
É esperado que, em período eleitoral, as paixões se exacerbem e os ânimos se exaltem. Afinal, a política sempre se situou, majoritariamente, no campo dos afetos (dos gostos e das preferências, das idiossincrasias). Mais do que no campo da razão. É fundamental, no entanto, não perder de vista que as disputas devem dar-se no território das ideias e das propostas. Não é preciso brigar com seus amigos nem romper relacionamentos. Se as partes são civilizadas e inteligentes, saberão conversar com elegância e bom senso (sem insultos e sem ofensas). Nem é preciso chegar a consenso ou a concordâncias. Se os pontos de vista não são coincidentes, não há qualquer problema. A vida se enriquece a partir das diferenças de pensamento. A inteligência humana se beneficia bastante do contraponto. O importante, mesmo, é preservar a cultura do diálogo, da palavra generosa e gentil. Nossa espécie se distingue dos outros animais justamente por haver criado a linguagem. E saber usá-la com habilidade e medida faz muito bem.
Quando o adversário vira inimigo pessoal, todos perdem. A qualidade do debate público cai muito, as emoções, descontroladas, assumem o primeiro plano e, na maioria dos casos, são capazes de nublar o entendimento das pessoas sobre a realidade. Um exemplo disso é o espaço que as chamadas ‘fake news’ têm ganhado ultimamente. Sem nenhuma base em fatos, elas encontram receptividade ampla, principalmente entre os que preferem torcer cegamente por um ou por outro candidato ao invés de estudar e analisar com rigor temas de grande importância para a vida coletiva – o que certamente ajudaria a derrubar a mentirada que se conta nesses momentos.
Uma ferramenta muito útil para navegar pelos mares da política é a desconfiança. A outra é a atitude de permanente curiosidade. Se há alguém tentando convencê-lo de algo, pesquise, apure, avalie rigorosamente os argumentos apresentados. Investigue as fontes que embasam tais pensamentos. São realmente técnicas? São confiáveis? Em tempos de internet e de redes sociais, nada melhor que tais perguntas. O caos informacional em que atualmente vivemos é perigoso, já que oferta muitas informações e, infelizmente, pouco conhecimento qualificado.
Que saibamos aproveitar bem – com serenidade, maturidade e em paz – as oportunidades de participação cidadã na vida comunitária que o período eleitoral oferece. Passamos muito tempo privados de tais direitos e isso foi muito ruim para o país, deixando marcas terríveis na história brasileira. Não merecemos regredir.
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