Trump flexibilizará cotas de importação de carne moída por 90 dias

Em uma postagem na rede social, Trump disse ter 'um compromisso' de que a carne será vendida a preços 25% inferiores aos atuais
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Trump flexibilizará cotas de importação de carne moída por 90 dias
Foto: Reuters/Kylie Cooper

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira (21) que permitirá a importação de até 300 mil toneladas de carne moída sem afetar as cotas tarifárias, como parte de um acordo de 90 dias para reduzir os preços em um momento em que consumidores norte-americanos enfrentam dificuldades com o custo das compras de supermercado.

Em uma postagem em rede social, Trump disse ter “um compromisso” de que a carne será vendida a preços 25% inferiores aos praticados atualmente no mercado. Ele não informou de quais países virá a carne nem quem assumiu o compromisso de oferecer os preços mais baixos.

“Este acordo reduzirá os preços para os americanos, ao mesmo tempo em que dará espaço para que nosso Grande Rebanho Bovino Americano volte a crescer”, disse Trump.

Representantes da Casa Branca não responderam imediatamente a um pedido de comentário por mais detalhes sobre o acordo.

Os Estados Unidos são o segundo maior importador de carne bovina do Brasil, depois da China. A medida poderia beneficiar exportadores locais, mas não havia imediatamente clareza se o anúncio de Trump os favoreceria.

De janeiro a julho, as exportações brasileiras de carne bovina in natura e industrializada para os EUA somaram 209,6 mil toneladas, alta de 23,9% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do governo.

Mas a associação de produtores e exportadores Abiec adotou cautela, aguardando mais informações se o Brasil poderia ser contemplado com a medida dos EUA.

“O que sabemos até agora é apenas o que vem sendo divulgado pela imprensa, sem detalhes sobre volumes, critérios ou países que poderão ser contemplados. Uma eventual ampliação da cota tarifária pode beneficiar o Brasil”, afirmou a Abiec.

A associação ponderou que atualmente o Brasil participa de uma cota compartilhada com outros fornecedores, que costuma ser preenchida logo nas primeiras semanas do ano.

“Após o esgotamento desse volume, as exportações brasileiras seguem normalmente, mas passam a pagar a tarifa extra-cota de 26,4%. Por isso, qualquer ampliação que contemple o Brasil pode representar uma melhora nas condições de acesso da carne bovina brasileira ao mercado norte-americano”, afirmou.

Em relatório, o UBS BB afirmou que a medida seria negativa para frigoríficos com operações nos EUA, como MBRF e JBS, assim como potencialmente negativa para a indústria de aves.

“Ainda não está claro se as exportações brasileiras conseguirão se beneficiar da situação. O volume de 300 mil toneladas equivale a cerca de 2% da demanda anual de carne bovina dos EUA e a aproximadamente 11% das importações do país”, disse o UBS BB.

As ações da Minerva, maior exportadora de carne bovina da América do Sul, saltaram mais de 5% no início dos negócios. As da MBRF operavam com alta de 1% por volta das 10h30.

Conteúdo distribuído por Reuters

Susan Heavey, Roberto Samora e Paula Arend Laier
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Susan Heavey, Roberto Samora e Paula Arend Laier

Agência Reuters

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