Prévia da inflação recua 0,55% na Grande BH com queda da conta de luz

Energia elétrica, transportes e alimentos puxaram o índice para baixo, mas tendência de deflação deve perder força
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Prévia da inflação recua 0,55% na Grande BH com queda da conta de luz
Crédito: Divulgação/Brasil 61

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) apresentou queda de 0,55% em agosto na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), conforme divulgado nesta quarta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A queda da energia elétrica foi apontada como o principal fator de impacto. A prévia da inflação na RMBH acompanhou o movimento do País, que registrou deflação de 0,40%, a maior em quatro anos.

Dos nove grupos pesquisados pelo IBGE, cinco apresentaram recuo e quatro registraram alta. O economista Guilherme Almeida detalha que pesaram no índice do mês as quedas nos preços dos grupos Habitação, Transportes e Alimentação e bebidas. Os outros dois grupos que registraram redução, Vestuário (-0,72%) e Comunicação (-0,06%), tiveram impacto menor no resultado.

Ele explica que a queda do grupo Habitação (-2,13%) foi influenciada principalmente pelo recuo de 7,68% da energia elétrica residencial, que representou o principal impacto negativo sobre o índice.

Segundo o economista, a incorporação do bônus de Itaipu, creditado nas faturas emitidas em agosto, compensou o impacto da bandeira tarifária amarela em vigor. A cobrança adicional é de R$ 1,885 na conta de luz a cada 100 kWh consumidos.

O grupo Transportes, também com peso relevante no índice, recuou 0,96%, influenciado pelas quedas do transporte público (-3,69%) e dos combustíveis (-1,35%). Nesse caso, Almeida explica que a deflação acompanhou o movimento nacional. “Queda em passagens aéreas e combustíveis veiculares contribuíram para a redução”, afirma.

Já o grupo Alimentação e bebidas recuou 0,91% em agosto, com forte influência do item “Tubérculos, raízes e legumes”, que registrou queda de 20,87% no mês. Almeida explica que houve uma descompressão dos preços dos produtos in natura, principalmente das hortaliças, favorecidas por melhores condições de safra. “Temos a batata inglesa, tomate, cenoura todos em queda”, afirma.

No sentido oposto, quatro grupos registraram alta: Saúde e cuidados pessoais (0,56%), Despesas pessoais (0,51%), Educação (0,51%) e Artigos de residência (0,05%).

Deflação tende a perder força nos próximos meses

Para os próximos meses, Almeida avalia que a deflação registrada na RMBH tende a perder força. Segundo ele, o resultado recente, influenciado pela queda da energia elétrica, pode ser revertido caso as condições hídricas levem à manutenção ou à elevação das bandeiras tarifárias.

O economista também aponta fatores sazonais que podem pressionar os preços dos alimentos. Com o avanço do período seco no Sudeste, a oferta de legumes, folhosas e leite pode diminuir, moderando ou até interrompendo o ciclo de queda observado no grupo Alimentação e bebidas.

Outro vetor de pressão deve vir dos serviços. Para Almeida, o mercado de trabalho aquecido, com desemprego em níveis baixos, favorece reajustes salariais e contratuais e eleva os custos de mão de obra.

Além disso, historicamente, o segundo semestre apresenta inflação mais elevada do que o primeiro, em parte pela maior demanda impulsionada pelo 13º salário e por datas como Dia das Crianças, Black Friday e Natal. “Não acho que essa deflação observada no mês terá continuidade nos meses subsequentes”, afirma Almeida.

Para ele, embora novos resultados negativos sejam possíveis, a tendência de deflação não deve persistir, já que o principal fator responsável pelo resultado de agosto teve caráter pontual.

Sobre o autor

Juliana Sodré

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG.

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