Capitalismo Consciente

Líderes conscientes e o ‘burnout ético’

Saiba como a liderança consciente contribui para a evolução da gestão de riscos e para o amadurecimento corporativo
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A relação da liderança empresarial com os riscos demanda uma evolução constante. A estruturação de uma proficiente Gestão de Riscos Corporativos (GRCorp) passa pela identificação, mensuração, classificação e, se possível e ou pertinente, pela mitigação dos riscos. Preocupávamos, historicamente, mais com os riscos financeiros, comerciais e operacionais, sob o prisma interno ou externo, levando-se em conta o apetite a risco dos acionistas/sócios. Mais do que isso, no entanto, o conselho de administração deve contribuir para um amadurecimento da empresa, trazendo para o debate situações contemporâneas relativas ao tema risco, que podem não ter sido identificadas pelos proprietários.

Nessa linha, os temas diversidade e bem-estar chegaram à mesa dos conselhos, não sendo compreendidos, por eles, da mesma forma, diante das muitas variáveis que afetam o julgamento acerca da sua importância.

Em pesquisa feita pela Deloitte, em 2025 – Tendências Globais de Capital Humano (Global Human Capital Trends), com mais de 10 mil empresas (foco no RH), 93 países, incluindo o Brasil, apenas 6% dos entrevistados disseram que estão fazendo grandes progressos no desenvolvimento da sustentabilidade humana, sob o prisma da empregabilidade, do bem-estar, do propósito. A pesquisa revelou, também, que 41% do tempo de trabalho é gasto com tarefas que não geram valor real e que, portanto, não são essenciais, como, por exemplo, reuniões em excesso, processos desatualizados e, muitas vezes, ineficientes.

De um lado, pode-se entender que a relação existente entre a estratégia humanizada e os resultados financeiros não precisa ser proporcional, posto haver uma estratégia de médio e/ou longo prazos. Ocorre que, por outro lado, é muito comum privilegiar a estratégia de curto prazo e, para estes, a referida estratégia somente fará sentido se ela proporcionar melhores resultados financeiros, que justifiquem as medidas humanizadas.

Sob o ângulo da diversidade, ela se estabelece pela percepção, pela capacidade e pela competência. É interessante que empresas que querem se comunicar e negociar com uma sociedade diversa, opte por um conselho uniforme, normalmente, homens, brancos, cis, mais 50, originários de uma classe, no mínimo, média-alta. Por mais que características individuais tragam experiências e falas próprias, o quanto poderiam eles divergir entre si, acerca de temas que não lhe são afeitos? O embate advindo de um apanágio, pelas diferentes visões, histórias, qualidades próprias de cada membro, é sempre mais enriquecedor do que a imposição dos “iguais”.

Em pesquisa feita pela Harvard Business Review, há uma indicação de que gestores enfrentam uma erosão de autonomia e exaustão moral ao tentarem manter seus princípios em ambientes corporativos desfavoráveis. A pesquisa revela que, entre 1500 executivos pesquisados, 67% encontravam-se num quadro de “burnout ético”, com dificuldade em manter a integridade em ambientes que a desestimulam.

A melhoria contínua será o escopo da alta gestão, que travará uma batalha virtuosa contra um cansaço moral que atinge os líderes conscientes.

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Tiago Fantini Magalhães
Sobre o autor

Tiago Fantini Magalhães

Professor universitário, doutor em Direito Privado pela PUC Minas, mestre em Direito Empresarial pela UFMG, A.Gente do Capitalismo Consciente, consultor, mediador e conselheiro independente de empresas, certificado pelo IBGC e pela FDC.

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