Jovem mineiro de 21 anos é campeão brasileiro de torra de café e vai representar o Brasil em competição internacional
Aos 21 anos, o mineiro Fábio Milan Pereira conquistou o título de campeão brasileiro de torra de café e se tornou o mais jovem vencedor da história da competição. Natural de Machado, no Sul de Minas, ele representará o Brasil no World Coffee Roasting Championship 2026, em junho, em Bruxelas, na Bélgica. A trajetória do torrefador, no entanto, começou longe da ideia de competir profissionalmente no setor cafeeiro.
Neto de produtores rurais, Fábio cresceu cercado pelo café, mas não tinha planos de construir carreira na atividade. A aproximação com o setor ocorreu a partir de 2020, quando ingressou no curso técnico em agropecuária integrado ao ensino médio no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas Gerais (IFSULDEMINAS).
“Meu avô, meus tios sempre produziram café, mas eu nunca quis trabalhar com café, não tinha essa paixão”, relata. Segundo ele, a mudança ocorreu após o ingresso no grupo de estudos Nequali, voltado para pós-colheita, qualidade e indústria do café. “A partir disso comecei a participar do grupo, me envolver em projetos e participar de grandes eventos”, afirma.
Após concluir o curso técnico em 2022, o jovem começou a atuar na torrefação da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), em Machado. Desde então, passou a aprofundar estudos sobre tecnologia, qualidade e desenvolvimento de perfis sensoriais dos cafés.
Em 2025, retornou aos estudos para cursar agronomia e intensificou os treinamentos voltados para competições. No início deste ano, ficou em segundo lugar no Andrade’s Coffee Festival e, agora, na semana passada, conquistou o Campeonato Brasileiro de Torra 2026, realizado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), em Varginha, no Sul de Minas.
Destaque entre torrefadores mais experientes
A competição avalia a capacidade técnica do profissional em desenvolver o melhor perfil sensorial do café e manter fidelidade ao plano de torra apresentado previamente aos jurados. Segundo Fábio Pereira, o processo exige domínio técnico e interpretação precisa das características do grão.
“No caso do campeonato, vi que era um café com uma acidez cítrica marcante, doce, com nota de chocolate, cacau e leve mel”, explica. “Na torra ocorrem reações químicas. Então, se alteradas algumas fases, o resultado pode tanto melhorar quanto piorar”, observa.
O competidor afirma que a preparação envolve diferentes etapas, como adaptação ao torrador oficial da prova, degustação técnica do café e elaboração detalhada do plano de torra, incluindo temperaturas, rendimento e metas sensoriais. “A torra do café nunca vai ser uma receita de bolo. Cada café vai ter alguma diferença”, resume.
A conquista ganhou dimensão ainda maior pela idade do campeão que competiu pela primeira vez neste ano. “Eu sempre tive um planejamento, um sonho de competir, mas nunca imaginei que conseguiria cumprir isso tão cedo”, diz.
World Coffee Roasting Championship 2026
Para ele, representar o Brasil em uma competição internacional também carrega peso simbólico pela importância histórica do café para o País. “O café faz parte da identidade do nosso País. Poder levar um pouco dessa origem dos nossos produtores e da nossa cultura cafeeira para o mundo me emociona bastante”, afirma.
A vitória também teve significado pessoal para a família. Fábio conta que aprendeu a observar os processos do café com o avô, que já morreu. “Meu pai e minha mãe falaram que meu avô estaria muito orgulhoso. Ele ficaria muito feliz de ver isso”, relata.
Mesmo com o título nacional, o torrefador afirma que os planos futuros continuam ligados ao desenvolvimento técnico e à produção cafeeira. O objetivo, segundo ele, é ter uma produção própria voltada para qualidade e pós-colheita.
Apoio do Instituto Federal
Como seguir no ramo do café estava longe dos planos iniciais de Fábio, ele destaca a importância do grupo de estudos Nequali. O projeto formado por alunos do IFSULDEMINAS foi um divisor de águas na vida do jovem. Segundo ele, foi dentro da instituição que surgiram as primeiras oportunidades de aprendizado e desenvolvimento técnico no café.
“O Nequali mostra que os alunos têm capacidade, mesmo sendo jovens e ainda estudando, de chegar nesses campeonatos com grandes chances de vencer”, afirma. O grupo é coordenado pelo professor Leandro Paiva e atua em pesquisas e projetos relacionados à pós-colheita, qualidade e indústria cafeeira.
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