Primeira planta de etanol de milho de MG recebe licença e pode processar 1,2 mil toneladas por dia
Minas Gerais teve a primeira planta de etanol de milho aprovada pela Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam). A entidade deferiu, nessa quinta-feira (24), a licença ambiental definitiva, com validade de oito anos, para a Alvorada Bioenergia, em Guaranésia, no Sul do Estado. A usina, que originalmente processava cana-de-açúcar, operava por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) desde o ano passado e, agora, obteve a chamada Licença Ambiental de Operação Corretiva (LOC).
Conforme o documento da Feam, a Alvorada Bioenergia, que está em processo de recuperação judicial, produzia açúcar e álcool a partir da cana-de-açúcar, mas passou por adequações para operar exclusivamente com milho. A unidade tem capacidade para processar 1,2 mil toneladas do grão por dia para a fabricação de etanol e prevê operação contínua, com cerca de 120 trabalhadores.
Para o presidente da Associação da Indústria da Bioenergia e do Açúcar em Minas Gerais (Siamig Bioenergia), Mário Campos, a aprovação representa um avanço para o setor no Estado. “A Alvorada Bioenergia é a primeira planta de etanol de milho de Minas Gerais, etanol de grãos. É uma unidade que fica em Guaranésia e que processava cana-de-açúcar. A unidade aprovada foi remodelada da cana, que estava muito tempo parada, para etanol de milho”, disse.
Ainda segundo Campos, a expectativa é que outras usinas mineiras também passem a produzir etanol de grãos, especialmente de milho. “A gente vê com muito bons olhos, é mais uma empresa produtora de etanol aqui em Minas Gerais. Esperamos que nos próximos anos, com tudo que a gente tem falado sobre etanol, a gente possa ter outras plantas de etanol de grãos, principalmente, consorciadas com cana-de-açúcar”, afirmou.
Conforme o documento, a unidade ocupa uma área útil de 22,68 hectares e está localizada na zona rural de Guaranésia, às margens da BR-491, no km 64,5. Além da fabricação de etanol, a estrutura industrial contempla a produção de coprodutos resultantes do processamento do milho, a geração de energia elétrica e o armazenamento e a distribuição de combustíveis.
A capacidade de processamento chega a 1,2 mil toneladas de milho por dia. A unidade conta com dois moinhos de martelos, com capacidade de moagem de 50 toneladas por hora. Segundo as informações apresentadas no processo de licenciamento, a matéria-prima será adquirida de terceiros, a granel, preferencialmente na própria região.
O modelo adotado pela Alvorada é classificado no parecer como Full, ou dedicado, por utilizar exclusivamente milho como matéria-prima para a fabricação de etanol. De acordo com o documento, trata-se da primeira unidade de Minas Gerais nesse modelo. A retomada das atividades ocorreu em 2025, amparada por Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), enquanto tramitava o processo de licenciamento ambiental corretivo.
Além do etanol, a operação gera uma série de coprodutos. Entre eles estão o Dried Distillers Grains with Solubles (DDGS), o Wet Distillers Grains with Solubles (WDGS), ou Grãos Úmidos de Destilaria com Solúveis, e o óleo de milho. O DDGS é produzido a partir dos resíduos sólidos do processo, tem concentração de proteínas e será destinado à alimentação animal.
A unidade conta com um sistema de cogeração de energia elétrica com capacidade instalada de 2,6 MW. A planta também dispõe de uma caldeira com capacidade nominal de 90 mil quilos de vapor por hora, que utiliza bagaço de cana adquirido de terceiros como combustível. Para o controle das emissões atmosféricas, o equipamento conta com lavador de gases.
A reportagem procurou a Alvorada Bioenergia para comentar o assunto e aguarda retorno.
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