Minas Gerais se destaca no Prêmio Mulheres do Agro com três produtoras entre as melhores do Brasil

Representantes de Patos de Minas, São Tomé das Letras e Três Pontas conquistaram pódios nas categorias de pequenas e grandes propriedades do prêmio que há nove edições reconhece lideranças no setor
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Minas Gerais se destaca no Prêmio Mulheres do Agro com três produtoras entre as melhores do Brasil
Da esquerda para a direita: Elisabete Kim, Karina Seibt e Rosiana Almeida, as premiadas de Minas Gerais na 9ª edição do Mulheres do Agro | Foto: Diário do Comércio/Daniel de Andrade

As produtoras rurais mineiras Karina Seibt, de Patos de Minas, no Alto Paranaíba; Elisabete Kim, de São Tomé das Letras, no Sul de Minas; e Rosiana Almeida, de Três Pontas, também no Sul do Estado, integram o seleto time das dez profissionais do agronegócio brasileiro reconhecidas na 9ª edição do Prêmio Mulheres do Agro, que aconteceu nesta quarta-feira (26), em São Paulo.

Karina e Elisabete ocuparam o segundo e o terceiro lugares, respectivamente, na categoria que reconhece as produtoras de grandes propriedades. Já Rosiana ficou no terceiro lugar como produtora rural de pequena propriedade (lista das vencedoras abaixo). Ela administra, há quatro anos, uma fazenda centenária de 60 hectares, dedicada ao cultivo do café.

“Esse prêmio simboliza toda uma trajetória de trabalho, de fé e de muita dedicação e, principalmente de amor ao café”, conta Rosiana.

Karina, por sua vez, afirma que o prêmio é fruto de um trabalho coletivo. “Ser lembrada pelo Prêmio Mulheres do Agro é a certeza de que estamos deixando um legado de sustentabilidade. Para eu estar nesse lugar tem muita gente trabalhando por trás”, conta a produtora que está à frente da produção cafeeira da Fazenda Sementes Gaúcha há cinco anos. A propriedade é reconhecida por produzir um café 100% sustentável, com certificações internacionais.

Prêmio amplia espaço para a liderança feminina

Iniciativa que nasceu da parceria entre a multinacional alemã Bayer – atuante nas áreas de saúde, agricultura e materiais de alta tecnologia – e a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), o Prêmio Mulheres do Agro dá visibilidade para as histórias das mulheres que estão transformando o agronegócio brasileiro por meio da inovação, da sustentabilidade e da ciência, além de enaltecer cases com boas práticas socioambientais.

O reconhecimento é atribuído às mulheres representantes do segmento em duas categorias: produtoras rurais de pequena, média e grande propriedade e ciência/pesquisa. Segundo a diretora de comunicação da divisão agrícola da Bayer, Daniela Barros, neste ano foram registradas 394 inscrições. O número representa um avanço de 10% em comparação às inscrições da edição de 2025.

Imagem mostra um auditório repleto de mulheres
Cerca de 300 pessoas acompanharam o prêmio em São Paulo | Foto: Diário do Comércio/Daniel de Andrade

“Com isso a gente só reforça a importância estratégica que a mulher do agro tem para o negócio e para o desenvolvimento do País”, destaca a executiva.

Ainda segundo Daniela, ao longo de nove edições – a primeira ocorreu em 2018 – o Prêmio Mulheres do Agro já recebeu mais de 1.800 inscrições e premiou 85 profissionais (81 produtoras rurais e quatro pesquisadoras). “A gente já teve aquicultoras premiadas, produção de palmito, soja, café, ervas, ou seja, uma diversidade muito interessante. O nosso objetivo é a pauta de equidade de gênero, de liderança feminina”, reforça.

Avanço feminino no agro é mudança estrutural

Para a diretora de Assuntos Agrícolas e Sustentabilidade da Bayer e vice-presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Francila Calica, o prêmio para as mulheres da agricultura é necessário, sobretudo, para reafirmar a presença feminina em um setor do qual elas já fazem parte há anos, mas nem sempre devidamente reconhecidas.

“Nós temos visto, ao longo das décadas, que esse movimento de termos mais lideranças femininas nas propriedades rurais não é passageiro, nem uma tendência temporária. É uma mudança estrutural que está acontecendo na agricultura e que veio para ficar porque é consistente e necessária”, diz.

A dirigente também destaca que a presença feminina no agro tem corroborado para impactos positivos em gestão, pautas de sustentabilidade e agricultura. “O prêmio nasce justamente para isso: incentivar que mais mulheres tomem posições de liderança dentro da agricultura, se encorajem para contar suas histórias de inovação e inspirem as futuras gerações para trilharem o caminho por uma agricultura cada vez mais sustentável e inovadora”.

Imagem mostra executiva posando para uma foto
Francila Calica, diretora de Assuntos Agrícolas e Sustentabilidade da Bayer e vice-presidente da Abav | Foto: Divulgação/Bayer

Práticas ambientais são critérios para definir finalistas

A especialista em comunicação da Bayer, Isabela Fagundes, afirma que a inscrição no Prêmio Mulheres do Agro ocorre por meio do preenchimento de um formulário no qual, além dos documentos pessoais e informações sobre a empresa, as candidatas contam brevemente suas histórias de superação e liderança no setor.

Os dados são analisados por especialistas e um júri técnico especializado. Posteriormente, elas são submetidas a uma avaliação socioambiental da Serasa, que investiga se a empresa cumpre legislações ambientais, não desenvolve trabalho análogo à escravidão, e desenvolve práticas como gestão inovadora, sustentabilidade, uso racional de recursos e impacto social no campo.

A partir desta avaliação, as nove produtoras rurais finalistas, três para cada tipo de propriedade (pequena, média e grande) seguem para a final. A classificação de cada uma é revelada durante a cerimônia de premiação.

“É uma análise muito minuciosa, a gente leva isso muito a sério. Qualquer propriedade, que foge da legislação, dos padrões, a produtora é desclassificada na hora. Não adianta ter uma história legal de superação se a propriedade não está nos padrões”, pontua.

As pesquisadoras, por sua vez, são indicadas pelo público geral e, em seguida, passam pelo crivo de uma banca técnica que leva em consideração critérios como projetos de pesquisa que promovem e/ou permeiam práticas de redução ou mitigação de impactos ao meio ambiente, além do uso de tecnologias e inovações. As três finalistas vão para votação popular no site oficial do evento. A vencedora também é revelada na cerimônia em São Paulo.

O primeiro lugar na categoria, neste ano, ficou com a bióloga pernambucana, Érika Valente de Medeiros. Doutora em Agronomia e professora titular da Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (Ufape), Érika lidera pesquisas essenciais em microbiologia e bioquímica do solo, focadas em desertificação, bioeconomia e agricultura sustentável no semiárido brasileiro. Só neste ano o site oficial da premiação registrou 40 mil votos para a categoria ciência e pesquisa.

Reconhecimento do próprio potencial ainda é desafio para produtoras

Isabela Fagundes acredita que um dos maiores desafios observados nas candidatas ao prêmio é reconhecer o próprio potencial enquanto produtoras e líderes em um setor cujas estatísticas recentes mais oficiais sobre o tema, em Minas Gerais, são de quase dez anos.

Segundo a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa-MG), os dados do Censo Agropecuário mostram que entre 2006 e 2017, o número de estabelecimentos agropecuários conduzidos por mulheres passou de 59,3 mil para 86,7 mil, crescimento de 46%.

“Muitas produtoras afirmam não ter uma trajetória expressiva, mas quando a organização do prêmio passa a investigar o cenário de cada uma, encontra cases de sustentabilidade, técnicas de manejo e produtividade avançadas, além de uma preocupação com meio ambiente”, revela.

Isabela aponta ainda que desde a primeira edição do prêmio, a preocupação com a sustentabilidade e a inovação já era perceptível entre as produtoras rurais. O cenário, segundo ela, felizmente não mudou, mas foi impulsionado pelo uso de soluções de melhoria e otimização dos processos no campo. “Hoje a gente fala de uma forma muito mais clara de agricultura regenerativa, por exemplo, que há nove anos”, diz.

Daniela Barros complementa Isabela Fagundes afirmando que, diante de uma pequena comparação com os homens do setor, a mulher é mais preocupada com o cuidado. “Não só com o solo, com a propriedade, mas com as pessoas, com a comunidade, com a gestão. Então, isso acaba trazendo a nuance da liderança feminina”, conclui.

Tecnologia e clima pautam encontro

Além da cerimônia de premiação, a 9ª edição do Prêmio Mulheres do Agro foi marcada por uma programação dedicada a fomentar o debate e a troca de conhecimento sobre o futuro do setor. A agenda teve como objetivo ampliar o espaço para discussões estratégicas, conectando as trajetórias das produtoras e pesquisadoras a temas urgentes e oportunidades que moldarão o agronegócio nos próximos anos.

O encontro contou com o painel “Transição Energética e Clima: desafios e oportunidades”, moderado pela gerente executiva de assuntos públicos da Bayer, Catarina Corrêa, com a participação da produtora rural e empresária Dulce Ciocchetta, da gerente de sustentabilidade, Claudia Shirozaki, e da especialista em energia e biocombustíveis, Heloisa Borges.

Painel durante o Prêmio Mulheres do Agro
Programação contou com painéis sobre assuntos contemporâneos do agronegócio brasileiro. | Foto: Diário do Comércio/ Daniel de Andrade

Na sequência, o painel “Tecnologia e Inovação: Preparando o Agro para os Próximos Anos”, foi conduzido pela vice-presidente de P&D e melhoramento genético da divisão agrícola da Bayer na América Latina, Léa Mayor. Ela debateu as oportunidades da ciência e da adoção tecnológica no campo ao lado da pesquisadora da Embrapa Solos, Ana Paula Dias Turetta, da produtora rural Celi Webber e da sócia e líder da indústria de Agronegócio na PwC Brasil, Mayra Theis.

Veja a lista completa das premiadas em 2026:

  • Categoria – Pequena Propriedade:

1º lugar – Ana Karina Klinke – São Paulo
2º lugar – Roseilda Lima Duarte – São Paulo
3º lugar – Rosiana de Oliveira Pederiva Reis Almeida, de Três Pontas, em Minas Gerais

  • Categoria – Média Propriedade:

1º lugar – Kátia Helena Fenner Rodrigues – Santa Catarina
2º lugar – Suzana Muterle Viccini – Bahia
3º lugar – Sheilane Maria Rodrigues Magalhães – Ceará

  • Categoria – Grande Propriedade:

1º lugar – Aline Baldim Vick – São Paulo
2º lugar – Karina Santos Gontijo Seibt, de Patos de Minas, em Minas Gerais
3º lugar – Elisabete Kim Shih, de São Tomé das Letras, em Minas Gerais

  • Categoria – Ciência e Pesquisa:

Érika Valente de Medeiros – Pernambuco

* O repórter viajou para São Paulo a convite da Bayer.

Sobre o autor

Daniel de Andrade

Repórter do Diário do Comércio. Graduado em Jornalismo pela PUC Minas, com experiência em comunicação corporativa. 2º lugar no prêmio Adep-MG de jornalismo 2026

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