Preço do leite acumula quarta alta em Minas, mas tendência é de recuo em junho
O preço do leite em maio, referente à produção entregue em abril, seguiu em recuperação e apresentou a quarta alta consecutiva em Minas Gerais. A retomada dos valores é considerada importante para a manutenção da atividade, que em 2025 enfrentou uma desvalorização expressiva. Conforme o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), em maio, o litro foi negociado, em média, a R$ 2,75, variação positiva de 12,02%. Apesar da alta, para o próximo pagamento, a estimativa do Conseleite Minas aponta para um recuo de 2,8%, mostrando uma oferta mais equilibrada em relação à demanda.
Assim como em Minas Gerais, na média Brasil, foi verificada alta de 10,4% no valor do leite, com o preço chegando a R$ 2,65 por litro. O preço, contudo, ainda está 7,1% abaixo do registrado em abril de 2025, em termos reais.
Conforme o Cepea, o movimento de valorização do leite é explicado pela redução da produção, devido à sazonalidade, e pelo aumento da competição dos laticínios na compra do leite cru. O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) registrou queda de 3,4% de março para abril na média brasil, elevando o recuo no acumulado do ano para 14,6%.
A gerente do Agronegócio do Sistema Faemg Senar, Mariana Simões, explica que o setor leiteiro em Minas Gerais vive um momento importante de recuperação dos valores, acumulando alta de 36% no ano.
“O leite viveu um início de ano de recuperação de preços. A gente foca em recuperação e não em alta dos valores, porque o setor viveu um 2025 muito crítico, quando aconteceram nove quedas consecutivas no preço do leite. Agora, principalmente de janeiro a abril, o setor cresceu quase 36% no valor pago ao pecuarista de leite. Isso refletiu, conforme o esperado, também nos preços dos produtos na prateleira”.
Apesar das altas consecutivas, a tendência para o próximo pagamento já é de queda, reflexo da oferta mais equilibrada no mercado. “Agora, para pagamento de junho, referente ao leite entregue em maio, o Conseleite Minas já apontou um recuo de 2,8% no valor final de referência”.
A queda esperada para junho está muito relacionada a uma retração do consumo de importantes derivados como o leite UHT e o queijo muçarela.
“Conforme demonstrado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o leite apresentou uma inflação acumulada um pouco acima do que havia sido apresentado nos últimos meses. Portanto, isso mostra que pode ter ocorrido uma retração no consumo e, agora, essa acomodação de preços ao produtor. Todavia, aqui em Minas, onde o leite em pó exerce uma forte influência no mercado, o cenário foi de estabilidade, o que ajudou a conter certo movimento de queda. Então, a gente entende esse recuo como uma estabilização do mercado”, acrescenta.
Apesar do cenário apontar para uma redução dos valores, o momento atual, segundo Mariana Simões, é de entressafra, o que ajuda a conter a oferta. Porém, há o risco das importações de leite em pó, que ainda estão em volumes muito elevados.
“A gente entende que o cenário para os próximos meses pode não sofrer grandes alterações, nem de queda nem de alta, uma vez que teremos um consumo mais ajustado e uma oferta um pouco mais equilibrada, especialmente se tivermos a adoção de medidas antidumping, que ajudarão a conter o alto volume importado de leite no nosso País”, finaliza.
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