Minas Gerais avança na colheita de algodão e prevê alta de 5,7%
Com mais de 60% da área de algodão colhida, Minas Gerais caminha para a consolidação de uma safra 5,7% maior, somando 80,6 mil toneladas de algodão pluma em 2026. Apesar da redução de área, o clima ao longo do ciclo 2025/26 foi favorável e há recuperação da produtividade. No momento, em função de uma estimativa de estoques mundiais mais baixos, a cotação da pluma está valorizada e, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), é comercializada na casa de R$ 139 por arroba de pluma.
Conforme o diretor-executivo da Associação Mineira dos Produtores de Algodão (Amipa), Lício Pena, o algodão está em plena fase de colheita no Estado e as expectativas de uma boa safra estão se consolidando.
“Já colhemos mais de 60% do total plantado e esperamos encerrar as atividades de colheita até a primeira quinzena de setembro. A expectativa para a safra 2025/26 é muito boa e esperamos ter um incremento considerável de produtividade em relação à safra anterior. Mesmo com uma redução de área, nossa expectativa é por um incremento de produção de 5,7%”.
De acordo com os dados da Amipa, na safra 2025/26 de algodão em Minas Gerais houve redução de 9,35% na área plantada, que caiu de 44,07 mil hectares em 2024/25 para atuais 39,95 mil. Por outro lado, com o clima mais favorável, houve aumento de 16,4% na produtividade, chegando a 2 toneladas de algodão pluma por hectare. Como resultado, a safra mineira cresceu de 75,68 mil toneladas de algodão pluma em 2025 para atuais 80,6 mil toneladas.
Mesmo com a safra positiva, produtores do setor enfrentam desafios importantes ao longo do ciclo, como, por exemplo, os juros altos. “Na produção de algodão, ao longo da safra 2025/26 podemos afirmar que os principais desafios enfrentados pelos produtores estão sendo os juros mais altos, dinheiro escasso e preços das commodities de uma forma geral baixos para remunerar a atividade”.
Quanto ao mercado, Pena explica que, no momento, a cotação do algodão está em alta. “Questões como a deterioração da safra do Texas, atuação de fundos especuladores na bolsa de NY, bom desempenho recente das exportações de algodão americano e expectativa de alguma redução dos estoques mundiais têm causado sustentação dos preços do algodão acima dos 80 cents de dólar por libra peso. No mercado interno, a referência Cepea/Esalq está na casa dos R$ 139,00 a arroba de pluma”.
Em Minas Gerais, o mercado também é favorecido pelo Programa Mineiro de Incentivo à Cultura do Algodão (Proalminas). Conforme Pena, o Proalminas é o pilar de sustentação da cadeia têxtil do Estado. Isso por desonerar o setor industrial e, como contrapartida, ampliar o ambiente de negócios com o produtor, que recebe ágio de 7,85% sobre o preço Cepea/Esalq.
“Hoje, o produtor mineiro está comercializando o algodão tipo 41-4 próximo a R$ 150 a arroba de pluma. Este estímulo proporcionado pelo Proalminas direto a toda a cadeia traz mais liquidez para a comercialização e estimula investimentos em infraestruturas, pesquisas e ampliação tanto no setor produtivo quanto no setor industrial têxtil”, confirma o diretor-executivo da Amipa.
Com preço diferenciado e buscando cada vez mais por uma produção competitiva e sustentável, o setor segue investindo na implementação das melhores práticas agronômicas. “O uso de tecnologias inovadoras, ampliação do uso de biológicos de última geração e otimização dos processos são a tônica hoje das fazendas associadas à Amipa”, explica Pena.
Com a colheita do algodão caminhando para a conclusão, produtores do Estado já se preparam para o próximo ciclo e uma das principais ações para ter maior sucesso produtivo é a realização do vazio sanitário do algodão.
Em Minas Gerais, são duas épocas definidas de vazio sanitário. Para as áreas de maior altitude, o vazio sanitário do algodão inicia-se em 20 de setembro e encerra-se em 20 de novembro. Para as áreas irrigadas e abaixo de 600 metros de altitude, o vazio inicia-se em 30 de outubro e encerra-se em 30 de dezembro.
“O vazio sanitário é de suma importância para o programa fitossanitário de combate ao bicudo do algodoeiro. O bicudo do algodoeiro é um besouro que se alimenta do botão floral do algodão e introduz seus ovos nos botões florais, inviabilizando a produção da pluma e multiplicando-se em progressão geométrica dentro da área da lavoura. O combate ao bicudo é feito através de moléculas químicas, pois, até hoje, não temos ainda no mercado um biológico eficaz para o controle dessa praga. A Amipa está em desenvolvimento de um inseto parasitóide de larvas de bicudo que promete ser, no futuro, um aliado no manejo biológico da praga”, finaliza.
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