Conab prevê alta de 2,8% na safra de grãos em Minas, apesar de riscos climáticos

Estimativa para Minas acompanha perspectiva de crescimento da produção brasileira, projetada em 367,14 milhões de toneladas
Ouvir a matéria 0:00 / 0:00
Conab prevê alta de 2,8% na safra de grãos em Minas, apesar de riscos climáticos
Foto: CNA/Wenderson Araújo/Trilux

A produção de grãos em Minas Gerais deve alcançar 19,59 milhões de toneladas na safra 2026/27, crescimento de 2,8% em relação ao ciclo anterior. A projeção consta do primeiro levantamento da safra 2026/27, divulgado nesta quinta-feira (15) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No Estado, o avanço é impulsionado pela expectativa de aumento de 3% na área plantada, enquanto a produtividade média deve permanecer praticamente estável, com leve recuo de 0,2%. A previsão é de expansão da produção de culturas importantes, como soja e milho.

A área destinada ao cultivo de grãos em Minas Gerais deve alcançar 4,5 milhões de hectares, com produtividade média estimada em 4,3 toneladas por hectare.

A projeção para Minas Gerais acompanha a perspectiva de crescimento da produção nacional, estimada em 367,14 milhões de toneladas, alta de 1,4% em relação à safra recorde de 2025/26. No País, a área destinada ao cultivo de grãos deve crescer 2,3%, alcançando 85,41 milhões de hectares.

O gerente de Levantamento e Avaliação de Safras da Conab, Fabiano Vasconcelos, ressalta que, como a semeadura ainda está no início, as estimativas de área e produtividade poderão ser revisadas à medida que novos dados de campo forem incorporados e os efeitos das condições meteorológicas se tornarem mais claros.

“O crescimento na safra está muito pautado em aumento de área nas principais culturas e produtividade ainda tendendo para o normal, considerando um ano de influência de El Niño na particularidade de cada cultura e cada estado, e como o fenômeno influencia”, explicou.

Soja e milho puxam crescimento da safra mineira

Em Minas Gerais, a produção de soja deve alcançar 9,29 milhões de toneladas, alta de 1,5% em relação ao ciclo anterior. O crescimento projetado é impulsionado pela expansão de 2,7% da área plantada, que deve chegar a 2,4 milhões de hectares. Já a produtividade média poderá recuar 1,2%, para 3,8 toneladas por hectare, diante das incertezas climáticas. Segundo a Conab, até o fim de setembro, o plantio no Estado ocorria de forma pontual, restrito a áreas irrigadas ou com condições de solo mais favoráveis.

“Estamos muito no início, os resultados obviamente dependem do comportamento climático ao longo do ciclo, mas já vislumbramos um crescimento frente à safra passada. A semeadura deve ganhar ritmo com o retorno mais firme das chuvas”, disse Vasconcelos.

A produção total de milho em Minas Gerais deve crescer 4,9% na safra 2026/27, alcançando 7,5 milhões de toneladas. Na primeira safra, a expectativa é colher 4,8 milhões de toneladas, volume 3% superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.

Assim como na soja, o crescimento projetado para o milho primeira safra é impulsionado pela expansão da área plantada, estimada em 5,6%, para 1,1 milhão de hectares. O levantamento da Conab indica produtividade praticamente estável, com leve recuo de 0,5%. No Estado, a semeadura ainda está restrita às áreas irrigadas.

“O milho primeira safra teve aumento de área frente à demanda crescente pelo produto tanto nas usinas produtoras de etanol como na produção de proteína animal. Embora as produtividades estejam um pouco abaixo, ainda são excelentes para o cereal”, pontuou.

A produção total de feijão em Minas Gerais deve alcançar 534,9 mil toneladas, crescimento de 1,5% em relação à safra anterior. Na primeira safra, a previsão é de colheita de 211,9 mil toneladas, alta de 0,4%. A área plantada deve crescer 1,4%, chegando a 131,4 mil hectares, enquanto a produtividade média poderá recuar 1%, para 1,5 tonelada por hectare.

“Para a primeira safra de feijão, a previsão é de aumento de área, embora o cenário possa sofrer alteração com o avanço da semeadura e condições climáticas e de mercado. Minas Gerais deve intensificar os plantios nesse mês, após o encerramento do vazio sanitário”, afirmou Vasconcelos.

Produção de algodão deve crescer 4,6% em Minas

A produção mineira de algodão também deve crescer na safra 2026/27. Segundo a Conab, a produção de algodão em caroço está estimada em 120,7 mil toneladas, alta de 4,6% em relação ao ciclo anterior. A área plantada deve avançar 7,3%, enquanto a produtividade média poderá recuar 2,5%. Já a produção de pluma pode alcançar 86,4 mil toneladas, crescimento de 4,6%.

“O aumento da produção de algodão é favorecido pela conjuntura econômica da cultura em relação às alternativas de cultivo. A semeadura ainda não começou, já que as áreas estão em período de vazio sanitário”, explicou.

Irregularidade das chuvas preocupa no início do ciclo agrícola

Segundo a Conab, a distribuição das chuvas será um dos principais fatores de atenção para o desenvolvimento da safra 2026/27 em Minas Gerais. Em setembro, os volumes superaram 150 milímetros no Sudoeste do Estado, enquanto ficaram abaixo de 30 milímetros no Norte de Minas. Para o trimestre de outubro a dezembro, a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), reproduzida no boletim da Conab, indica precipitações abaixo da média no Centro-Norte mineiro. Já no Sul de Minas, a tendência é de chuvas próximas ou acima da média.

As temperaturas médias devem permanecer acima dos padrões históricos em grande parte do País. Em Minas Gerais, a previsão é de médias entre 25 °C e 27 °C no Norte do Estado e inferiores a 25 °C em áreas do Sul.

Os técnicos da Conab explicam que o cenário climático está associado à persistência das condições de El Niño, fenômeno que, conforme a análise apresentada no levantamento, poderá atingir intensidade muito forte até o fim de 2026. A irregularidade das chuvas exige acompanhamento ao longo do ciclo, sobretudo nas áreas em que a semeadura depende de níveis adequados de umidade do solo.

“As chuvas de setembro mantiveram a umidade do solo em níveis satisfatórios. Mas, para outubro, as previsões são de chuvas em volumes menores, podendo limitar a recuperação da umidade do solo e da semeadura. A expectativa, para outubro, é que a temperatura fique próxima à média e favorável para o desenvolvimento das lavouras”, explicou Vasconcelos.

Sobre o autor

Michelle Valverde

Repórter do Diário do Comércio desde 2009. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva.


Publicidade Legal

Impresso

Ver outras datas

Digital

Ver outras datas
Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas

Acessos importantes

Conteúdo Especial
Conectados 60+: os desafios e as oportunidades da inclusão digital na terceira idade