Safra de café deve crescer 32,5% em Minas Gerais e ampliar oferta no mercado

Produção de arábica deve alcançar 33,4 milhões de sacas em 2026; exportações do grão somaram US$ 5,8 bilhões até agosto
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Safra de café deve crescer 32,5% em Minas Gerais e ampliar oferta no mercado
Foto: Reprodução Adobe Stock / Marcio Tibilletti

A produção de café arábica em Minas Gerais deve alcançar 33,4 milhões de sacas em 2026, o que representa uma alta de 32,5% em relação ao volume registrado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 2025. Conforme a análise da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), a expansão ocorre após um período de forte valorização do grão e pode contribuir para a acomodação dos preços e a recuperação do consumo.

Até agosto deste ano, o Estado exportou 871,5 mil toneladas de café, movimentando US$ 5,8 bilhões, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O desempenho do setor representa cerca de 48% da cadeia de exportação do agronegócio mineiro, que no total soma mais de US$ 11,9 bilhões.

Para o presidente do Sindicato da Indústria do Café do Estado de Minas Gerais (Sindicafé-MG), Sergio Meirelles, a maior oferta pode beneficiar toda a cadeia produtiva, especialmente se acompanhada de bons resultados no campo. “Em 2025, chegamos a encontrar café entre R$ 60 e R$ 80 o quilo no varejo. Com preços mais acessíveis, temos condições de recuperar consumo e, ao mesmo tempo, avançar na qualidade”, afirma.

Novos hábitos e mercados

Além da perspectiva de preços mais acessíveis, a indústria acompanha mudanças no comportamento dos consumidores, sobretudo entre os mais jovens. Segundo Meirelles, o café tem conquistado espaço associado a hábitos saudáveis, enquanto cresce o interesse pela origem dos grãos, qualidade, torra e métodos de preparo.

“Hoje vemos jovens conversando sobre café até na academia, perguntando qual café o outro toma e querendo experimentar produtos diferentes. O café passou a fazer parte de novos momentos de convivência”, observa.

No mercado externo, o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) abre novas possibilidades para as empresas mineiras nos mercados de Suíça, Noruega, Islândia e Liechtenstein.

Em 2025, Minas Gerais exportou US$ 1,01 bilhão para esses países, o equivalente a 26,6% das vendas brasileiras destinadas ao bloco. As importações somaram US$ 183 milhões, resultando em superávit comercial de aproximadamente US$ 827 milhões.

O café foi o segundo principal produto da pauta mineira para a região, atrás apenas do ouro, com exportações de cerca de US$ 114 milhões. O acordo prevê condições diferenciadas de acesso para produtos como café, carnes, mel, milho, farelo de soja, frutas e sucos, por meio de livre comércio, preferências tarifárias ou cotas.

Sobre o autor

Ana Luisa Sales

Repórter do Diário do Comércio desde 2025, graduada em jornalismo pela UFMG e especialista em ESG e sustentabilidade corporativa pela FGV.


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