Academias deverão obedecer a critérios rigorosos de higiene e saúde e agendar horários para os alunos | CRÉDITO: ALISSON J. SILVA/Arquivo DC

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) anunciou, ontem, mais um avanço no processo de reabertura das atividades econômica da Capital. A partir da próxima segunda-feira, 31 de agosto, academias de ginásticas e clínicas de estética poderão voltar a funcionar, obedecendo a critérios e a uma série de medidas para evitar a disseminação do Covid-19.

A PBH também confirmou a ampliação do funcionamento dos bares e restaurantes que agora poderão abrir também de sexta a domingo – apenas nos dias 4, 5 e 6 de setembro e 11,12 e 13 de setembro – com a permissão para a venda de bebidas alcoólicas.

De acordo com os dados da PBH, no que se refere às academias, após cerca de cinco meses fechadas, elas poderão reabrir sem restrição de horário, porém com agendamento prévio do cliente. Também será obrigatório o distanciamento durante o período em que as pessoas estiverem realizando as atividades, sendo uma pessoa a cada sete metros quadrados dentro do local.

Segundo o secretário Municipal de Planejamento e Gestão, André Reis, não haverá restrições de horários para as academias, uma vez que trabalham com contratos, porém, deverão ser feitos agendamentos para evitar aglomeração.

“Não vamos estabelecer restrições de funcionamento, porque, diferente de outras atividades, as academias têm um lote de clientes contratados, e elas deverão encaixar esse lote de forma a distribuir as pessoas dentro do horário de funcionamento e ao longo do dia”, explicou Reis.

O secretário Municipal de Saúde de Belo Horizonte, Jackson Machado, frisou que apesar da flexibilização, os estabelecimentos funcionarão com regras rígidas que deverão ser seguidas por todos, incluindo proprietários, clientes e funcionários.

“Quero enfatizar a importância do uso dos equipamentos de proteção e da higienização. É difícil fazer a atividade física com máscara, mas é fundamental. Os equipamentos também precisam ser higienizados pelo usuário antes e depois de cada uso. Essas são medidas básicas para diminuir as chances de contaminação”, disse Machado.

Já as clínicas de estéticas estão autorizadas a funcionar de terça-feira a sexta-feira, entre 11 horas e 20 horas. Os estabelecimentos do setor localizados em shoppings seguirão o horário dos malls, de segunda a sexta entre 12 horas e 20 horas.

O período de abertura dos bares e restaurantes foi ampliado e entrará em vigor no dia 4 de setembro. Após um acordo entre a PBH, entidades representativas do setor e o TJMG, os estabelecimentos poderão abrir nas sextas-feiras, começando no dia 4 de setembro, de 11 horas às 22 horas, com venda de bebida alcoólica a partir das 17 horas. Já aos sábado e domingo, o funcionamento está autorizado entre 11 horas e 22 horas, com venda de bebidas alcoólicas permitida durante todo o horário. A abertura também está autorizada para os dias 11,12 e 13 de setembro, após esse período, será feita avaliação para definir a continuidade ou não.

O funcionamento de segunda-feira a quinta-feira já estava autorizado de 11 horas até as 15 horas, sem a comercialização de bebidas alcoólicas.

 

Acompanhamento – Machado deixou claro que o acompanhamento da pandemia em Belo Horizonte é diário e não descartou a possibilidade de fechar novamente as atividades econômicas, caso ocorra aumento da doença e da ocupação de leitos na Capital.

Ainda segundo Machado, a população precisa estar ciente que a pandemia não foi superada e que a doença é grave. De cada 100 internações, 20 evoluem para óbito. Por isso, o compromisso da PBH continua tendo como prioridade salvar vidas.

“Estamos avançando com a flexibilização e mantemos o monitoramento diário. Mas, caso seja necessário, poderemos fechar novamente. Mesmo tentando voltar à vida normal, a realidade será diferente. Vamos ter que aprender a conviver com essa doença, mesmo após a vacina. Por isso, o uso de máscaras e a higienização são fundamentais”, disse.

Entidades estimam recuperação parcial

Pedrosa estima abertura total do setor em duas semanas | Divulgação/Sindhorb

A reabertura aos finais de semana e a permissão para a venda de bebidas alcoólicas foi avaliada como positiva pelos representantes dos bares e restaurantes de Belo Horizonte. A expectativa é que, em setembro, seja possível recuperar cerca de 50% das vendas, o que é fundamental, uma vez que em torno de 70% das empresas do setor estão praticamente falidas.

De acordo com o presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Belo Horizonte e Região Metropolitana (Sindbares), Paulo César Pedrosa, na última quarta-feira, em audiência no Tribunal de Justiça de Minas Gerais, o setor e os representantes da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) firmaram acordo para a maior flexibilização das atividades, permitindo a abertura nas duas primeiras sextas, sábados e domingos de setembro com a venda de bebidas alcoólicas.

“Foi uma conquista grande para o setor. Os gráficos de saúdes estão melhorando e esperamos que em duas semanas a gente consiga a abertura total da categoria”.

A situação do setor é considerada crítica. Com mais de cinco meses fechados, são 14 mil pessoas desempregadas no setor, sendo de 4 mil a 5 mil na hotelaria e de 9 mil a 10 mil em lanchonetes, bares e restaurantes. A estimativa é que em torno de 1,2 mil a 1,5 mil empresas do setor tenham encerrado de forma definitiva as atividades.

“Ressalto que 70% da categoria, sendo em torno de 14 mil empresas em Belo Horizonte, estão quebradas, estão falidas. Isso porque não estão faturando, não conseguem pagar impostos e as diversas despesas das atividades. As empresas que estão funcionando por delivery, estão priorizando o pagamento dos funcionários, que sem eles, não têm como manter a atividade. A situação é grave e delicada”, explicou Pedrosa.

A estimativa, mesmo com a retomada do funcionamento dos bares e restaurantes, é de uma recuperação lenta e gradual.

“Acredito que a recuperação irá demorar, pelo menos, seis meses. O ano de 2021 será muito difícil. Ainda não sabemos quando será o fim da pandemia ou quando chegará a vacina. Pedimos ao prefeito, Alexandre Kalil, a isenção do IPTU para o comércio e também da taxa de licenciamento e funcionamento, porém, por ser um ano eleitoral, isso não é possível”, explicou Pedrosa.

Para o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, o acordo foi positivo. “Foi um avanço muito importante. Queremos ver ainda os bares e restaurantes com permissão para abrirem à noite de segunda a quinta. Isto está previsto no acordo e a PBH irá avaliar, nas próximas semanas, essa possibilidade”.