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Diesel pesa no transporte de carga e de passageiros

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Com o último reajuste no preço do diesel, de 8,9%, as empresas de transporte já estão operando no limite | Crédito: Filó Alves

Os setores de transportes de cargas e passageiros foram atingidos em cheio pela alta significativa dos preços do óleo diesel neste ano. Com os sucessivos aumentos anunciados pela Petrobras, o combustível já acumula alta superior a 50% em 2021 e o peso do insumo nos custos das transportadoras já representa até metade de tudo o que é gasto.

Diante do cenário, representantes de empresas de transporte de cargas e passageiros reveem suas expectativas para o desempenho neste exercício e falam até em inviabilidade econômica dos negócios.

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Dentro da mesma perspectiva, entidades como a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC) e a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) pleiteiam medidas para reduzir os preços, alegando que estão no limite com o mais recente aumento.

Na semana passada, a estatal anunciou um aumento de 8,9% do diesel na refinaria. E, mesmo após 86 dias sem reajustes, o preço médio do litro nas bombas subiu 2%, de acordo com o levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A nota divulgada pela NTC chama atenção para a grave situação que o setor está enfrentando a partir dos reflexos diretos da pandemia e de importantes mudanças no cenário macroeconômico, uma vez que muitos itens compõem o custo das operações, entre eles o preço do óleo diesel.

Citou ainda a alta da taxa básica de juros (Selic), a inflação setorial que já superou 35% no acumulado do ano e os preços de caminhões e implementos rodoviários, que aumentaram mais de 50% no mesmo período.

“Este cenário se agrava com a prática cada vez mais difundida de aumento dos prazos de pagamentos, que, em alguns setores, superam 120 dias da prestação do serviço. Este modelo transfere para os transportadores o ônus de financiamento das vendas, além do elevado custo dos investimentos”, diz a entidade.

O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logísticas de Minas Gerais (Setcemg), Gladstone Lobato, integrante da NTC, confirma a situação e alega que a capacidade de investimento do setor ficou substancialmente reduzida, com a elevação dos preços dos ativos e do custo de capital, já que as margens de lucro do segmento são historicamente baixas.

Com isso, a orientação aos associados tem sido de que procurem adequar os prazos de pagamento de seus serviços aos ciclos financeiros das operações. E que incorporem na formação de seus preços itens de custo real de financiamento, que viabilizem a renovação das frotas, bem como que considerem na contratação de seus serviços, garantias de produtividade; e que incluam nos contratos cláusula estabelecendo recomposição imediata das tarifas em função da variação do preço do diesel.

“Uma combinação de fatores está prejudicando o setor. A estimativa de desempenho para o ano corrente nem existe mais, uma vez que toda hora aumenta um custo e pressiona nossos serviços. O diesel é o sangue do transporte. Não conseguimos ficar sem e seu custo representa hoje em torno de 45% dos gastos. E um dos problemas mais sérios é repassar a alta imposta pela Petrobras, porque do outro lado há o embarcador que não quer assumir os gastos e ainda está assumindo a prática de pagar o frete a prazo”, alerta o presidente do Setcemg.

Conforme Lobato, isso está inviabilizando o setor. “Não adianta o governo dar solução para três ou quatro meses. A solução são as próprias transportadoras que têm que dar: trabalhar apenas para quem paga os custos. Do contrário, não dá para continuar. Hoje, 60% das empresas de transporte estão em situação de penúria; apenas não formalizaram seus fechamentos, pois não possuem condições de operar”, lamenta.

Da mesma maneira, a NTU externou a preocupação com a escalada de preços dos combustíveis no País, em especial do diesel, que responde em média por 26,6% do custo total das empresas operadoras.

Conforme o presidente-executivo da entidade, Otávio Cunha, a alta do diesel compromete de forma irreversível a recuperação do setor de transporte público, que registra prejuízo de mais de R$ 16,7 bilhões acumulado no período de março de 2020 a junho de 2021 em função da queda da demanda de passageiros pagantes na pandemia.

A crise já custou mais de 87 mil postos de trabalho no setor e levou à interrupção definitiva das atividades de 36 empresas operadoras.

“A NTU apela ao governo federal, aos governadores dos estados e à direção da Petrobras no sentido de que seja buscada uma solução compartilhada para essa questão, que conduza a uma nova política de preços que equacione o preço do diesel e demais combustíveis de forma efetiva e permanente”, reivindica a entidade em manifesto público.

Marco legal

Cunha ressalta ainda a necessidade de recursos adicionais para mitigar a crise no transporte público e disse que a esperança do setor está na aprovação de um novo marco legal, que altere a forma de remuneração e reveja os contratos atuais, como propõe o projeto de Lei (PL 3278/2021) do senador mineiro Antonio Anastasia (PSD).

“É viável, basta copiar o que o resto do mundo faz. A sociedade de maneira geral banca a atividade por meio de impostos e o serviço passa ser de qualidade. Só cobrando passagem do usuário não é possível entregar um serviço decente. O sistema hoje é deficitário e não se sustenta mais”, alerta.

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