Paralisação dos tanqueiros volta a ser articulada

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Paralisação dos tanqueiros volta a ser articulada
O aumento do diesel nas refinarias e o novo reajuste do PMPF elevam os custos do frete | Crédito: Alisson J. Silva

Com os preços do petróleo atingindo os patamares mais altos dos últimos três anos, a Petrobras anunciou no início da semana que estudava novos reajustes nos combustíveis. Menos de 24 horas depois confirmou mais um aumento, desta vez, de 8,89% no preço do diesel. E, não bastasse o incremento do diesel, que deverá incidir sobre o frete rodoviário, o Preço Médio Ponderado ao Consumidor Final (PMPF), base de cálculo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) dos combustíveis, que também vem sendo elevado a cada mês, será atualizado a partir de sexta-feira (1º).

A reação foi imediata e transportadores de cargas e tanqueiros voltaram a falar em paralisação, alegando que o combustível corresponde a cerca de 60% dos custos do frete.

“Por conta do preço abusivo do diesel, transportadores em geral não conseguem mais

pagar suas contas e suas dívidas. Os governos, ao invés de apresentarem soluções para o problema, colocam a culpa um no outro. Já a Petrobras, que se recusa a rever sua política de reajustes dos preços dos combustíveis, acaba de anunciar que obteve um lucro de R$ 64 bilhões”, alega o Sindicato das Empresas Transportadoras de Combustível e Derivados do Petróleo de Minas Gerais (Sinditanque-MG).

O presidente do sindicato, Irani Gomes, avisa que se nenhuma medida for tomada nos próximos dias, haverá paralisação por tempo indeterminado. “Passou da hora de os governos federal e estadual e a Petrobras reduzirem os preços abusivos dos combustíveis, principalmente do diesel. O País poderá parar novamente, como aconteceu em 2018. Por isso, pedimos que os governantes se sensibilizem, conversem entre si e com a Petrobras, e tomem providências imediatas para a solução dessa grave situação”, reclama.

Sobre o aumento do PMPF, dados do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) indicam que o preço médio da gasolina vai aumentar 2,68%, saindo dos atuais R$ 6,252 para R$ 6,419 e elevando o ICMS cobrado por litro de R$ 1,93 para R$ 1,99.

No caso do etanol hidratado, o preço passará de R$ 4,590 para R$ 4,826, aumentando a arrecadação do ICMS de R$ 0,73 para R$ 0,77. E no diesel, o PMPF sairá dos atuais R$ 4,689 para R$ 4,794, resultando em um aumento do ICMS de R$ 0,70 para R$ 0,71.

Postos perdem margem

De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro), Carlos Guimarães, embora a entidade não monitore os preços nas bombas, o impacto de tantos reajustes precisa ser explicado ao consumidor. Segundo ele, o PMPF não para de aumentar desde de 2020 e, só em 2021, o preço da base de cálculo aumentou 34%, o que tem representado R$ 1,99 por litro para o consumidor final no caso da gasolina.

Na refinaria o aumento já supera os 50%, os impostos subiram mais de 30% e a margem de lucro dos postos caiu cerca de 25%, estando hoje abaixo dos 5%. Ou seja, os donos de postos estão lado a lado com os consumidores nesta luta contra o aumento dos combustíveis e por uma tributação mais justa”, afirma.

Segundo Guimarães, o Minaspetro tem se comunicado com o governo do Estado com o objetivo de solicitar o congelamento do PMPF por determinado período. Espírito Santo e Rio Grande do Sul já se movimentaram neste sentido. “É possível que os estados busquem soluções para aliviar a população diante da crise imposta pela pandemia. Não é justo o governador dizer que não subiu o ICMS. O que não subiu foi a alíquota, que continua a 31% no caso da gasolina. Entretanto, o valor arrecadado aumentou e muito”, ressalta.

Por fim, o presidente do Minaspetro lembra que o carro-chefe de arrecadação e os sucessivos aumentos fizeram com que o Estado apresentasse um aumento de 31,5% na arrecadação de janeiro a agosto, na comparação com o mesmo período do ano passado. Procurado, o governo estadual não respondeu os questionamentos da reportagem.

Lira diz que proposta de ICMS único entrará em discussão

Brasília – O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), anunciou ontem que o Congresso Nacional vai discutir um projeto para determinar um valor fixo para o ICMS dos combustíveis como forma de buscar uma redução do preço do insumo, em linha com o defendido pelo presidente Jair Bolsonaro.

Em evento em Alagoas, Lira repetiu argumento de Bolsonaro, que também estava presente, ao afirmar que o imposto estadual é o responsável pelo preço caro dos combustíveis, e disse que a Câmara cumprirá seu papel de apoiar o governo na aprovação de reformas.

“Sabe o que é que faz o combustível ficar caro? São os impostos estaduais”, afirmou Lira em discurso.

“Os governadores têm que se sensibilizar, e o Congresso Nacional vai debater um projeto que trata do imposto ICMS para que ele tenha um valor fixo, para que não fique vulnerável aos aumentos do dólar, porque esse a gente não controla, para que não fique vulnerável aos aumentos do petróleo, porque esse a gente não controla”, acrescentou.

Lira tem participado em Brasília das discussões a respeito do preço dos combustíveis, que está em disparada de mais de 50% este ano. Mais cedo, o deputado escreveu no Twitter que “o Brasil não pode tolerar gasolina a quase R$ 7”, e disse que alternativas seriam levadas ao Colégio de Líderes nesta semana.

Fontes próximas à Petrobras disseram à Reuters na segunda-feira (27) que o presidente da estatal, Joaquim Silva e Luna, esteve em Brasília, no domingo e na segunda, para buscar alternativas para “amortecer” o preço dos combustíveis.

Segundo essas fontes, uma das alternativas seria o uso de um fundo com recursos do pré-sal para um programa de subsídios. Luna, disseram as fontes, teve contato com integrantes da equipe econômica e do Ministério de Minas e Energia, além do presidente da Câmara dos Deputados, uma vez que a proposta exigiria aprovação do Congresso.

A proposta relativa ao ICMS é defendida há bastante tempo por Bolsonaro, que culpa o imposto estadual pelo valor alto do insumo e chegou a recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para obrigar o Congresso a legislar sobre o tema.

Governadores, no entanto, afirmam que nenhum estado aumentou o ICMS sobre combustíveis nos últimos 12 meses.

Em discurso logo após a fala de Lira no evento em Alagoas, Bolsonaro disse que o anúncio do presidente da Câmara trazia “um pouco de alento” para o que descreveu como “o problema do dia”.

Segundo ele, o projeto de lei, se aprovado pelo Congresso, trará tranquilidade.

“Fiquei muito feliz em ouvir dele (Lira) que a Câmara deve colocar em votação nessa semana a questão dos impostos estaduais”, afirmou Bolsonaro, apesar de Lira não ter mencionado data para a votação em seu discurso.

“Não pode cada vez que reajusta o preço do combustível por força de lei, lei da paridade, que leva em conta o preço do barril de petróleo fora do Brasil e o preço do dólar aqui dentro, também majorar o imposto estadual como se tivesse também vinculado à lei da paridade”, disse Bolsonaro. “Isso dará mais tranquilidade, dará uma maneira a mais de nós sabermos como será o preço do combustível cada vez que varia para mais e para menos lá fora.”

O que o presidente chama de “lei da paridade” é, na verdade, a regra usada pela Petrobras para a composição dos preços dos combustíveis no Brasil, levando em conta a variação do câmbio no país e os preços internacionais do petróleo. (Reuters)

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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