ArcelorMittal Brasil espera arrefecimento nas importações de aço
Após enfrentar, em 2025, uma acentuada compressão de margens provocada pela entrada massiva de aço estrangeiro, a ArcelorMittal Brasil projeta, para este ano, uma perda de ritmo no volume de importações. A perspectiva é de que esse cenário abre oportunidades para que a siderurgia nacional volte a ganhar espaço no mercado interno.
Ao Diário do Comércio, o CEO da ArcelorMittal Aços Longos LATAM e vice-presidente da ArcelorMittal Brasil, Everton Negresiolo, afirma que as medidas de defesa comercial do setor siderúrgico brasileiro estão ganhando robustez. Por isso, a companhia tem a expectativa de um arrefecimento das importações ao longo deste ano.
Ele pontua que, recentemente, mais produtos de aço foram adicionados ao sistema de cota-tarifa implementado pelo governo federal em 2024 e renovado em 2025. Além disso, o governo federal autorizou a aplicação de direito antidumping sobre mais produtos.
Conforme o executivo, o impacto dessas ações não foi sentido no primeiro trimestre, visto que as importações ainda subiram no período. Mas o entendimento é de que parte desse crescimento pode estar vinculada a uma antecipação das compras por parte dos importadores para garantir condições comerciais anteriores à vigência das novas tarifas.
Negresiolo relembra que dois processos de antidumping, um para bobina quente e outro para fio-máquina, estão em investigação com perspectiva de que saia uma decisão final no início do segundo semestre. A investigação preliminar demonstrou danos, conforme ele.
Além disso, a ArcelorMittal, bem como outras siderúrgicas do Brasil, seguem discutindo com o governo buscando ampliar o aparato de defesa comercial. Conforme o executivo, a empresa pleiteia, por exemplo, que mais produtos sejam incluídos no sistema cota-tarifa.
“Também temos um pleito aberto na renovação das NCMs atuais para que seja retirada a cota e o imposto aumente de 25% para 35%. São várias frentes de discussão”, diz. “As ferramentas, como um todo, têm evoluído, e esperamos um arrefecimento”, avalia.
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