Arrecadação de impostos atinge 35,07% do PIB nacional

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Arrecadação de impostos atinge 35,07% do PIB nacional
Crédito: Marcos Santos/USP Imagens

A arrecadação de impostos no Brasil atingiu um percentual recorde no ano passado. Ao todo, foram recolhidos R$ 2,39 trilhões em 2018, o que equivale a 35,07% do Produto Interno Bruto (PIB) daquele exercício. A proporção superou a obtida em 2008, quando a carga tributária chegou a 34,76% da soma das riquezas produzidas no País.

O montante representou um custo médio por habitante de R$ 11.484. Na prática, cada brasileiro precisou trabalhar 128 dias do ano passado apenas para quitar seu compromisso com o fisco.

As informações constam do estudo “Consolidação da carga tributária bruta de 2018”, elaborado pelos economistas José Roberto Rodrigues Afonso e Kléber Pacheco de Castro. A análise foi feita a partir de dados extraídos de fontes oficiais, registrados nos balanços públicos.

De acordo com o estudo, o governo federal foi o ente que mais se beneficiou, Aproximadamente 65,7% de toda a carga tributária de 2018 foi atribuída à União, que arrecadou quase R$ 1,57 trilhão – cerca de 23% do PIB do ano passado. O restante da carga global foi obtido a partir dos estados, que contribuíram com, aproximadamente, 27,2% do total (aproximadamente R$ 650 bilhões), e dos municípios, que contribuíram com 7,2% do total (R$ 172 bilhões).

Para o coordenador legislativo e tributário da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG), Marcelo Morais, os números apurados pelo estudo reforçam a urgência da reforma tributária. Segundo ele, com o passar do tempo a carga vem aumentando muito, assim como a burocracia, o que tem piorado a crise econômica do País.

“O aumento dos encargos tira cada vez mais o dinheiro da população e eleva o custo das empresas com as obrigações acessórias, de tal maneira que o recolhimento de tributos chegou a 35,07% do PIB somente no ano passado. Quando comparamos com outros países dentro da América Latina, a proporção no Brasil é muito maior”, avaliou.

Reforma – Assim, conforme Morais, cada vez mais a reforma tributária se faz necessária, ao passo que o modelo atualmente adotado pelo Brasil está focado no consumo, que representa cerca de 50% da carga. Para ele, isso desestimula o comércio e, consequentemente, aprofunda a crise econômica.

“Com um modelo tão complexo, torna-se complicado manter diversas atividades econômicas, principalmente àquelas ligadas ao comércio de bens, serviços e turismo. Elas sentem ainda mais o peso das altas alíquotas por serem o elo entre os setores produtivos e o consumidor final. Como consequência, têm dificuldades em continuar no mercado, investir em seus negócios ou mesmo contratar mão de obra”, avaliou.

Em relação ao modelo a ser adotado, o coordenador legislativo e tributário da entidade disse que ainda é preciso avaliar as opções propostas e chegar a um formato que pelo menos reduza a quantidade de tributos.

“Já será um avanço muito grande, porque não dá mais para continuar como está”, finalizou.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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