Economia

‘Atacarejo de conveniência’: segmento passa por mudanças no modelo e amplia sortimento de produtos

Pesquisa revela que o formato busca diversificar sortimento, focar em eficiência e atender mais missões de compra para manter o crescimento
‘Atacarejo de conveniência’: segmento passa por mudanças no modelo e amplia sortimento de produtos
Foto: Mart Minas / Divulgação

O segmento de atacarejo, que mescla os formatos de atacado e varejo, está entrando em uma fase de maturidade, após um ciclo de expansão acelerada, que exige novos ajustes para sustentar o crescimento nos próximos anos. A pesquisa Varejo em Movimento, realizada pela Scanntech em parceria com a McKinsey, mostra que o canal deverá passar por adaptações no modelo de negócio, visando à ampliação de sortimento em categorias menos desenvolvidas até pouco tempo.

A pesquisa aponta que esse processo será realizado sem que o segmento abandone seu principal diferencial no mercado: a eficiência operacional. O objetivo é atender a um número cada vez maior de missões de compra do consumidor e, consequentemente, impulsionar o fluxo em loja e a frequência.

Quase metade (49,3%) do volume comercializado no atacarejo ainda está concentrado em missões de abastecimento, o que reforça a predominância de compras planejadas no canal. No entanto, já é possível também observar um avanço das missões de compra expressas e ocasionais, com crescimento de 6%.

Além disso, os indicadores de desempenho apontam uma retração de 2,7% nas unidades vendidas, movimento que tem levado o canal a buscar novas alavancas de crescimento. O head de inteligência de mercado da Scanntech, Felipe Passarelli, relata que o resultado de tudo isso é o avanço em categorias até então pouco exploradas.

“Esse cenário estimula as redes a avançarem em categorias historicamente menos exploradas pelo atacarejo, ampliando sua relevância para além das compras de abastecimento, com maior presença também nas missões de reposição e no dia a dia das famílias”, detalha.

O levantamento demonstra que o contexto atual faz com que categorias historicamente menos desenvolvidas no atacarejo passem a ganhar relevância e crescer acima da média do canal. Além disso, em alguns casos, os resultados apresentados estão acima do desempenho observado em supermercados convencionais.

Esse movimento sinaliza uma ampliação do papel do formato. Isso porque ele passa a atender não apenas grandes compras de abastecimento, mas também demandas de reposição, consumo imediato e ocasiões antes pouco associadas ao atacarejo. O resultado final é o reforço da presença do segmento no dia a dia dos consumidores.

Análise por categorias de produtos

Loja da rede Mart Minas.
Foto: Mart Minas / Divulgação

Conforme dados da Scanntech, foi possível observar um avanço de categorias anteriormente periféricas no canal, no acumulado entre os meses de janeiro e outubro de 2025. Entre os principais destaques estão os peixes e legumes, com variação positiva de 10% cada; frutas in natura, com crescimento de 6%; e os pães, com alta de 4% no período. Todos esses itens vêm ganhando espaço nas compras recorrentes das famílias.

Já a análise da Scanntech e da McKinsey aponta que o grupo de frutas, legumes e verduras (FLV) e padaria se destacam como os principais vetores dessa transformação, ao atrair consumidores em busca de maior conveniência e variedade, além de preço. Esse avanço, no entanto, traz consigo maior complexidade operacional, exigindo adaptações físicas nas lojas e investimentos na experiência de compra.

Além destes, outro destaque, que também aponta tendências relevantes para 2026, está nas categorias de cuidados pessoais e bem-estar. Os suplementos para academias cresceram 141% em volume no canal até outubro do ano anterior. Em seguida, destacam-se os esfoliantes corporais (76%), pigmentos capilares (36%) e os protetores solares (32%), reforçando o potencial de expansão dessas categorias no atacarejo.

Passarelli avalia que esse movimento reforça o ganho de relevância do formato nas compras das famílias e evidencia um consumidor cada vez mais seletivo. O especialista destaca que o público tem exigido dos formatos maior adaptação a diferentes missões de compra e ocasiões de consumo.

Ele ainda destaca que essa transformação reflete um movimento mais amplo no varejo. O executivo ressalta que, atualmente, nenhum canal compete apenas dentro do seu próprio segmento. “A concorrência é cada vez mais transversal, o que exige dos varejistas uma constante reinvenção, seja na revisão de sortimento, na ampliação de categorias ou na construção de novas propostas de valor para o consumidor”, conclui.

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