Economia

Autoescolas de Minas calculam prejuízo de cerca de R$ 400 milhões após mudanças na CNH

Fim da obrigatoriedade do curso teórico presencial, que passou a ser oferecido gratuitamente pelo governo federal, já provocou mais de 7 mil demissões no Estado; setor diz ter perdido até 30% do faturamento
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Autoescolas de Minas calculam prejuízo de cerca de R$ 400 milhões após mudanças na CNH
Foto: Reprodução / Adobe Stock

O setor de autoescolas de Minas Gerais já somou mais de R$ 400 milhões em prejuízos desde a entrada em vigor das novas regras para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), em dezembro de 2025. A estimativa é do Sindicato dos Centros de Formação de Condutores (CFC) de Minas Gerais (Sindicfc-MG). Entre as alterações, está o fim da obrigatoriedade da realização do curso teórico na autoescola, ao custo médio de R$ 1.095,66 no Estado. Agora, o conteúdo é oferecido on-line e gratuitamente pela plataforma CNH do Brasil, do Ministério dos Transportes.

Desde dezembro para cá, segundo o governo federal, o novo processo de retirada de CNH representou uma economia de mais de R$ 308,2 milhões para o bolso do cidadão mineiro, e um dos principais motivos é justamente o fim do curso teórico no CFC, cuja versão gratuita anotou no período 281.311 formações sem custo em Minas, ainda conforme a União. O presidente do Sindicfc-MG, Alessandro Dias, afirma que a economia informada (R$ 308,2 milhões) pelo cidadão está relacionada a serviços que ele deixou de pagar, enquanto o prejuízo do setor é relacionado a questões estruturais e de mão de obra.

“Com a redução da prestação de serviço e com a mudança brusca da atividade, com a demissão em massa, com a reestruturação do setor, estimamos um prejuízo nesses últimos seis meses na ordem de R$ 400 milhões, já que a gente teve um número de dispensa muito grande, o que gera um alto custo, já que a gente teve uma readequação na atividade em função da redução das aulas, do enxugamento das estruturas e, principalmente, da prestação de serviço, que ficou de uma forma totalmente diferente”, declara Dias.

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Mais de sete mil pessoas demitidas

O presidente da entidade que representa as autoescolas também informa que mais de sete mil pessoas que atuavam nesses estabelecimentos já perderam o emprego em razão das mudanças na obtenção da CNH em Minas desde dezembro de 2025 até abril deste ano, conforme dados da Fecomércio MG. “Nós perdemos praticamente todos os profissionais que atuam na parte teórica e na parte pedagógica. Só o curso teórico representa entre 20% e 30% do faturamento de uma autoescola, dependendo do modelo que o CFC adotava”, diz.

Segundo ele, as mudanças no processo de habilitação, de fato, geram uma economia para o cidadão, mas carregam também “uma preocupação gigante”, pois o curso teórico é necessário para formar um bom motorista, já que repassa conceitos essenciais sobre percepção de risco e conhecimento das regras de trânsito. “A formação teórica é uma etapa fundamental para o desenvolvimento dos motoristas no trânsito do nosso País”.

Setor precisou se reinventar e se desburocratizar

A nova política de obtenção de CNH foi anunciada pelo governo federal no fim do ano passado e incluiu, além da gratuidade do curso teórico, a redução da carga mínima de aulas práticas, a possibilidade de formação com instrutores autônomos credenciados e a fixação de teto de R$ 180 para os exames médico e psicológico. Com isso, o valor para tirar a primeira CNH para as categorias A e B caiu de R$ 4,9 mil em alguns estados para entre R$ 810 e R$ 1,6 mil, ainda segundo a União.

Diante das mudanças, o setor de autoescolas precisou se adaptar para se manter na ativa. De acordo com o Sindicfc-MG, os mais de 2,2 mil centros de formação de condutores de Minas contavam com salas teóricas, instrutores teóricos e diretores de ensino, estrutura essa que, em grande parte das empresas, passou a não mais existir, o que motivou as demissões citadas.

“As autoescolas tiveram que se reinventar, mudar o modelo de negócio, se reorganizar, tentar criar novos serviços e produtos para que elas se mantenham no mercado e, principalmente, avançar tecnologicamente. As empresas estão disponibilizando veículos mais modernos e tecnológicos, porque antes eram proibidas de utilizarem veículos automáticos e isso agora passou a ser permitido. Além de outras melhorias que passaram a poder implementar e que, inclusive a legislação, anteriormente proibia em função das sérias restrições que eram impostas. E são justamente essas restrições e imposições que tornava o processo até mais burocrático e oneroso para o cidadão”, encerra.

Primeiro semestre de vigência do programa CNH do Brasil

  • 97.307 novas CNHs emitidas em Minas Gerais desde o lançamento da plataforma CNH do Brasil;
  • R$ 308,2 milhões economizados por cidadãos em Minas | R$ 2,12 bilhões economizados por cidadãos no Brasil;
  • 628.458 novos requerimentos para a primeira CNH em Minas | 6,49 milhões novos requerimentos para a primeira CNH no Brasil.

Fonte: governo federal

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