Banco Central passa a divulgar reajustes salariais negociados no País

Novos indicadores serão atualizados mensalmente e permitirão acompanhar aumentos nominais e reais negociados no setor privado formal
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Banco Central passa a divulgar reajustes salariais negociados no País
Foto: Reprodução Adobe Stock

Os reajustes salariais negociados por meio de convenções coletivas de trabalho (CCTs) passaram a ser divulgados mensalmente pelo Banco Central (BC), em um novo conjunto de indicadores. As publicações utilizarão dados do Sistema de Negociações Coletivas de Trabalho (Mediador), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

A nova divulgação amplia o monitoramento das condições do mercado de trabalho e de sua relação com a dinâmica inflacionária. De acordo com o BC, os indicadores reúnem informações sobre reajustes nominais e reais, participação das convenções com aumentos acima, abaixo ou iguais à inflação e quantidade de instrumentos coletivos considerados nos cálculos.

O chefe do Departamento Econômico (Depec) do Banco Central, Ricardo Sabbadini, explica que os indicadores construídos a partir das convenções coletivas oferecem uma visão abrangente dos reajustes negociados no setor privado formal brasileiro. Ele também destaca a relação entre os aumentos pactuados e a inflação passada.

“Os resultados mostram que a inflação passada continua sendo uma referência importante nas negociações e ajudam a avaliar como as condições do mercado de trabalho influenciam a dinâmica salarial no País”, afirma.

Inflação influencia reajustes salariais

A nova base permite acompanhar com maior precisão o comportamento das negociações salariais no setor privado formal. De acordo com estudo do BC, publicado em um boxe do Relatório de Política Monetária de setembro deste ano, os reajustes pactuados apresentam elevada aderência à inflação passada, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

Embora não haja obrigação legal de reposição integral da inflação, os dados indicam que a variação dos preços continua sendo uma referência central para empregadores e trabalhadores nas negociações coletivas. A análise também mostra que os resultados variam conforme as condições do mercado de trabalho.

Entre 2012 e 2014 e, novamente, após 2023, períodos marcados por taxas de desocupação relativamente baixas, aumentou a participação de convenções com reajustes superiores à inflação. Os dados também permitem acompanhar possíveis diferenças entre os setores econômicos.

O Banco Central ressalta que, de forma geral, agropecuária, indústria, construção, comércio e serviços apresentaram trajetórias semelhantes ao longo do período analisado. A divulgação regular das estatísticas também amplia o conjunto de informações disponíveis para a análise do mercado de trabalho e de seus reflexos sobre a inflação.

(Com informações do Banco Central)

Sobre o autor

Leonardo Leão

Repórter do Diário do Comércio desde 2022. Graduado em Jornalismo pela Estácio.


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