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Além das atividades econômicas consideradas essenciais – supermercados, padarias, farmácias, entre outros, estão autorizados a funcionar a partir de segunda-feira (25) na capital mineira os salões de beleza, papelarias, livrarias, lojas de móveis, utilidades domésticas, shopping populares, perfumaria, cosméticos, autopeças e veículos.

Ao todo foram 67 dias com os alvarás de funcionamento suspensos pelo Decreto nº 17.304, de 18 de março de 2020, e perdas incalculáveis como queda no faturamento, fechamento de empresas e demissões, em vistas de conter a disseminação do novo coronavírus (Covid-19) na cidade.

Os dados mais recentes da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) dão conta de que há 1.312 casos confirmados na capital mineira e 39 óbitos. Estes e outros números permitiram com que a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) publicasse o Decreto 17.361, de 22 de maio, liberando alguns setores a retomarem o funcionamento.

Em coletiva de imprensa, o Comitê de Enfrentamento à doença do Executivo municipal anunciou a reabertura gradual das atividades que ficaram suspensas nos últimos meses e detalhou horários e regras de higienização para a retomada de algumas atividades comerciais.

De acordo com o secretário municipal de Saúde, Jackson Pinto Machado, os setores foram definidos de acordo com os respectivos riscos sanitários, de aglomeração e de permanência de pessoas envolvidas.

Assim, ficou estabelecido que lojas de bomboniere e semelhantes poderão funcionar de 7h às 21h; lojas de artigos de iluminação, de 11h às 19h; produtos de limpeza e conservação, 11h às 19h; cosméticos e perfumaria, de 11h às 19h; artigos de papelarias, 11h às 19h; veículos automotores, de 8h às 17h; comércio atacadista, de 5h às 17h; cabeleireiros e manicures, de 7h ás 21h; centros de comércios popular, de 11h às 19h.

Já os estabelecimentos comerciais de artigos farmacêuticos, o comércio varejista de artigos de óptica, artigos médicos e ortopédicos, combustíveis para veículos automotores, comércio varejista de gás liquefeito de petróleo (GLP), comércio de medicamentos para animais, atividades de serviços e serviços de uso coletivo, exceto os especificados no art. 2º do Decreto nº 17.328, de 8 de abril de 2020, atividades industriais e banca de jornais e revistas poderão funcionar sem restrição de horários.

Conforme o secretário, a intenção do Comitê é escalonar o funcionamento das atividades para evitar aglomerações no transporte coletivo durante o processo de flexibilização na Capital. Machado reiterou diversas vezes que o distanciamento social não está abolido na cidade e que as medidas poderão ser suspensas a qualquer momento, caso os índices transmissão do vírus e ocupação dos leitos sejam significativamente alterados.

“O planejamento precoce foi o segredo dos números baixos. Nosso planejamento antecipado certamente foi fundamental para que chegássemos a estes números que nos animam, mas ao mesmo tempo, nos deixam com pé atrás quanto ao que vai acontecer com a liberação das atividades. Por isso é importante mantermos o distanciamento social e o uso de máscaras o máximo que pudermos”, alertou.

Fases – O secretário disse ainda que a reabertura do comércio ocorrerá em quatro fases e que poderão levar até seis semanas. Dessa maneira, tudo ocorrendo conforme o planejado e a curva de controle da doença mantida em patamares seguros, todas as atividades econômicas poderão estar liberadas até o fim de junho.

A primeira fase diz respeito à flexibilização dos primeiros setores, a partir da próxima segunda-feira (25) e que foi dividida em duas semanas para um balanço inicial dos efeitos no controle epidemiológico; as demais fases terão duração de 14 dias cada e serão sempre implementadas caso os índices epidemiológicos e estruturais sejam favoráveis.

Entidades comemoram a retomada

As diferentes entidades representativas do comércio da capital mineira comemoraram o início da flexibilização das medidas de distanciamento na cidade. O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Marcelo de Souza e Silva, avaliou que o comerciante já deu sua contribuição para o controle da doença e as adequações no sistema de saúde, ficando há quase 70 dias de portas fechadas e que concorda com a decisão pela abertura gradual e segura.

“A retomada provavelmente vai ser lenta, pois ainda não sabemos como será o comportamento do consumidor. Mas o importante é retomar. Quanto aos setores que ainda não foram autorizados a voltar, pedimos que tenham paciência, pois serão contemplados nas próximas fases”, garantiu.

Por meio de nota, a presidente interina da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais (Fecomércio-MG), Maria Luiza Maia Oliveira, destacou que a reabertura gradual do comércio será bastante positiva para todo o setor de comércio e serviços e que os segmentos que o compõem representam 88,37% dos negócios locais, além de boa parte da arrecadação municipal. Além disso, a flexibilização irá beneficiar toda uma cadeia econômica, produtiva e social.

“A retomada das atividades contribuirá para o restabelecimento de milhares de negócios, principalmente de micros e pequenas empresas, que foram as mais afetadas pela pandemia. Mas, para que ela tenha sucesso, será preciso nos adaptarmos às novas relações de consumo e às exigências desses tempos de enfrentamento a um inimigo comum: o novo coronavírus”, citou.

Já o presidente do Sindicato de Lojistas de Belo Horizonte (Sindilojas-BH), Nadim Donato, definiu o anúncio como um recomeço, mas lamentou o fato de alguns setores não terem sido incluídos.

“Somente no setor de vestuário estamos falando de mais de 8 mil estabelecimentos na base do sindicato. O de calçados também possui grande representatividade e não entrou, assim como os shoppings. Agora iniciaremos um novo pleito, de maneira a incluí-los na próxima fase e também, de tentarmos reduzir o tempo para a abertura total do comércio”, revelou.