CCR quer pedágios sem dinheiro vivo até 2026

Empresa quer estabeler modelo em que é feita a leitura automática de placas ou tags, sem que os motoristas precisem parar em cabines

7 de fevereiro de 2024 às 22h08

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Crédito: Divulgação/CCR

São Paulo – O CEO da CCR, grupo de infraestrutura que opera concessões rodoviárias no Brasil, disse ontem que a empresa pretende eliminar o pagamento em dinheiro vivo em seus pedágios até 2026. Em evento do BTG Pactual, Miguel Setas afirmou que o setor de mobilidade vai passar por uma revolução tecnológica nos próximos anos, com coberturas 5G nas estradas e a facilidade de ter mais operações digitais.

“Nós temos o objetivo de chegar a 2026 sem nenhum dinheiro nos nossos pedágios, de ter apenas cobrança com meios digitais, free flow e as outras ferramentas digitais”, afirmou. A CCR ficou responsável pela primeira experiência de pedágio free flow (sem parada) do Brasil, no trecho da Rio-Santos (BR-101) que liga Ubatuba (SP) ao Rio de Janeiro.

Nesse modelo, a cobrança é feita pela leitura automática de placas ou tags, sem que os motoristas precisem parar em cabines. A tecnologia abre caminho para que a cobrança seja feita por distância percorrida por cada veículo.

De acordo com Setas, o nível de inadimplência hoje na rodovia está na casa dos 11%. “Já foi bem mais alto, mas os benchmarks internacionais mostram que nós devemos nos situar entre 5% ou 8% de inadimplência, que ainda assim é bem mais alto do que uma rodovia que tem os pedágios tradicionais”, apontou.

O executivo também falou sobre os próximos passos da empresa no Brasil. Hoje, a concessionária já tem R$ 28 bilhões em investimentos contratados para os próximos anos, que é o saldo remanescente das atuais obrigações contratuais. No radar, há outros R$ 180 bilhões em investimentos previstos.

O executivo disse que tem uma visão otimista do que chama de superciclo de investimento em infraestrutura no Brasil. Segundo ele, o País investe desde os anos 1980 algo em torno de 2% do PIB (Produto Interno Bruto), sendo que o ideal, na avaliação de especialistas, seria próximo de 4%.

“Energia elétrica, transporte, saneamento e telecomunicações: essas quatro áreas, no ano passado, representaram R$ 213 bilhões. Como nós sabemos, já teve uma aceleração, teve 20% de aumento em relação a 2022 em termos de investimento em infraestrutura. Portanto, nós estamos vendo esse superciclo a formar-se”, afirmou. (Thiago Bethônico)

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