Enquanto o governador Zema faz pressão para privatizar a Cemig, a empresa busca melhorar a gestão - CREDITO: CHARLES SILVA DUARTE

Em meio a diversas declarações e pressões do governador Romeu Zema (Novo) acerca da necessidade de privatização da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), alegando que a estatal é hoje um entrave para a economia mineira, a meta da diretoria da empresa continua sendo torná-la eficiente. Com prejuízo de R$ 281,9 milhões no terceiro trimestre deste ano, no acumulado de 2019, porém, a empresa apurou lucro líquido de R$ 2,6 bilhões.

“Tivemos uma situação específica não recorrente para contribuição previdenciária sobre PLR (Plano de Lucros e Resultados) de anos passados, e a companhia realizou um provisionamento, o que reduziu o resultado do terceiro trimestre. Mas, no acumulado do ano, os resultados da empresa continuaram robustos”, declarou, em entrevista coletiva, o diretor de Participações da Cemig, Daniel Faria.

De acordo com o balanço financeiro divulgado pela empresa, a provisão foi de aproximadamente R$ 1,2 bilhão e diz respeito a contribuições previdenciárias sobre o pagamento de PLR do período de 1999 a 2016. Com isso, a empresa apurou prejuízo de R$ 281,9 milhões no terceiro trimestre contra lucro líquido de R$ 245 milhões um ano antes.

Ainda conforme Faria, por outro lado, os números positivos do acumulado do ano são reflexo do trabalho que a companhia vem fazendo quanto à eficiência operacional. Segundo ele, a medida incluiu ações para redução de custos, melhoria dos indicadores, investimentos em infraestrutura e geração de receitas e melhorias operacionais. “No acumulado até setembro, o lucro da Cemig chegou a R$ 2,6 bilhões, o que representa aumento de 276% em relação ao mesmo período de 2018”, citou.

Os indicadores operacionais do terceiro trimestre também se mantiveram praticamente consistentes com as medidas adotadas pela diretoria, de aumento da eficiência e redução dos custos. A dívida líquida, por exemplo, apresentou uma queda de 0,57% em relação a setembro do ano passado, chegando R$ 13,6 bilhões.

“Há cerca de dois anos, o perfil da dívida da companhia era bastante desafiador. E, também como fruto do trabalho para aumento da eficiência, conseguimos atingir uma situação mais confortável, com alongamento dos prazos, hoje com média de vencimento de 4,4 anos, e custo cada vez menor”, destacou o superintendente de relações com investidores, Antônio Carlos Vélez.

Especificamente sobre as insistentes falas do governador Romeu Zema a respeito da privatização da Cemig, os membros da diretoria ressaltaram que o foco do trabalho continuará sendo o da busca pela eficiência, “independentemente de quem estiver no controle acionário da empresa”.

Vídeo – Na semana passada, o presidente da companhia, Cledorvino Belini, apareceu ao lado de Zema, em um vídeo nas redes sociais, defendendo a concessão da estatal, sob a alegação de que os investimentos que a estatal faz atualmente são insuficientes ao que deveriam somar. “A solução que vejo para a Cemig é um investidor forte, com capacidade financeira e que faça acontecer os investimentos nos próximos anos”, disse o executivo.

O diretor de Participações da Cemig, Daniel Faria, justificou que o que o governador tem feito “de maneira correta” é externar aquilo que muitas empresas e clientes têm manifestado: um problema de infraestrutura em função de investimentos que não aconteceram no passado, prejudicando a infraestrutura da empresa.

Nada de entrave – “Estamos trabalhando para recuperar o tempo perdido. Ainda não chegamos ao nível que alguns clientes estão esperando, mas acho que não vamos ser um entrave para a economia mineira, na medida em que esses investimentos forem realizados”, explicou.

Neste sentido, Faria lembrou que investimentos da ordem de R$ 1,5 bilhão por ano estão programados até 2022 em infraestrutura a serem realizados pela Cemig Distribuição. E que, após este período, virá mais um ciclo de aportes com volumes próximos ou superiores aos atuais.

“Estamos focados em dar maior eficiência à Cemig e ampliar a capacidade de investimentos em Minas Gerais, de maneira que preste melhores serviços à comunidade geral e às empresas”, completou.

Sobre o montante de R$ 21 bilhões que o governador tem dito ser necessário para cobrir os investimentos na rede da estatal, Faria destacou que o valor não engloba somente as obras de infraestrutura, mas valores destinados à melhoria tecnológica da companhia, renovação de concessões, entre outras frentes.

Por fim, o diretor ressaltou que a Cemig não tem se financiado com os recursos de seu controlador (o Estado), mas com recursos e capacidade financeira próprios. “Trabalhamos com os resultados da eficiência que a gente vem tendo para ampliar e aplicar esses investimentos. Se vier um investidor privado com bastante apetite e disponibilidade financeira, certamente poderá acelerar a injeção de recursos na companhia, mas isso não muda o prazo necessário para colher os frutos desses investimentos”, ponderou.