Cenibra vai investir R$ 300 milhões em modernização de planta em MG

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Cenibra vai investir R$ 300 milhões em modernização de planta em MG
Segundo empresa, a nova planta no Vale do Aço será constituída de quatro prensas desaguadoras e um reator de oxigênio | Crédito: Divulgação/Cenibra

A Celulose Nipo-Brasileira S.A (Cenibra) segue com seu robusto programa de investimento na modernização da unidade industrial de Belo Oriente, no Vale do Aço. Após adequações e melhorias nos processos produtivos, incluindo novo picador de madeira, sistema de secagem de lodo biológico e planta de branqueamento, agora o plano prevê uma nova planta de lavagem de polpa marrom.

Sob investimentos da ordem de R$ 300 milhões, as obras da nova etapa terão início no próximo mês. Já a operação está prevista para setembro de 2023, durante a parada geral da planta.

As informações são do diretor industrial e técnico da Cenibra, Júlio César Ribeiro. Segundo ele, o processo, que teve início entre 2017 e 2018, ainda deverá perdurar por, pelo menos, mais cinco anos até o término das adequações na unidade fabril.

“A primeira linha de produção da Cenibra foi implantada em 1977 e a segunda em 1995. Ainda hoje temos algumas áreas originais em operação, e as mesmas carecem de modernização por estarem próximas do fim da vida útil. Apesar do excelente resultado operacional que ainda conferem, já não são competitivas sob o ponto de vista tecnológico”, explicou.

Ribeiro ponderou que o processo de modernização é mais complexo que a construção de uma nova fábrica de celulose, pois precisa ser feito com o mínimo de interferência nas operações em curso. Assim, todas as adequações feitas a partir do plano ocorrem em paralelo às linhas originais.

“Tivemos a modernização do pátio de madeira, com aumento da capacidade e maior estabilidade, conferindo uma linha mais competitiva e mais eficiente que as anteriores. Também substituímos a linha de branqueamento por um sistema mais moderno que trouxe redução de consumo de água, de produtos químicos e de energia. Além disso, conseguimos encurtar o processo com as tecnologias dos novos equipamentos. Agora, estamos realizando a modernização do processo de lavagem de polpa marrom”, detalhou.

Lavagem de polpa marrom

Esta é a etapa em que ocorre a “limpeza da celulose” por meio da separação das fibras do licor preto. Segundo o informativo da empresa, a nova planta de lavagem de polpa marrom será constituída de quatro prensas desaguadoras e um reator de oxigênio com capacidade já adequada ao projeto de aumento de produção da fábrica, em mais cem mil toneladas por ano, que irá ocorrer no futuro.

O executivo ressalta que todos os investimentos e esforços na modernização fabril visam reduzir impactos ambientais, custos operacionais e, claro, aumentar a competitividade da empresa no mercado de celulose. Para isso, outras áreas ainda precisarão ser contempladas. “Estamos terminando estudos para adequar o que gera maior retorno e se apresenta como prioridade não apenas por critérios econômicos, mas também por tempo de operação. É um processo contínuo e ainda demandará tempo até a conclusão”, disse.

Até lá, a empresa também trabalha na identificação de gargalos para não apenas saná-los, mas também para gerar excesso de capacidade e, no futuro, aumentar a capacidade de produção. Atualmente, a capacidade da Cenibra é de 1,2 milhão de toneladas ao ano e a empresa já opera com 100% da capacidade há algum tempo, segundo o diretor.

Preços e mercado

A demanda internacional por celulose está bastante aquecida e o Brasil é hoje um dos maiores players desse mercado, sendo o segundo maior produtor mundial e o primeiro em termos de exportações. “Nossas fábricas são modernas e competitivas. Temos um fator de diferenciação em relação a outros países no quesito custo. E o consumo pelo insumo é crescente mundo afora, especialmente na Ásia e, claro, na China. Há dois anos, 90% do aumento do consumo de celulose no mundo era puxado pelo gigante asiático. E essa é uma tendência que se mantém”, avaliou Ribeiro.

Assim, a produção da Cenibra hoje é sumariamente destinada ao mercado internacional. Do total, entre 95% e 98% vão para o exterior, dos quais 40% para Europa, 40% para Ásia, 15% para América do Norte e 5% para o mercado spot e outros países. “O mercado interno é bem pequeno, até pelas características. Os grandes produtores de papel do Brasil também produzem a celulose em fábricas integras”, justificou.

Sobre o mercado, o diretor avalia que os custos estão elevados para o setor produtivo em geral. A situação de fertilizantes é algo que preocupa tanto em relação aos preços quanto à disponibilidade de químicos utilizados no processo industrial. Já sobre o câmbio, Ribeiro diz que se por um lado a valorização ajuda nas vendas, por outro, prejudica no preço dos insumos.

“Mas diria que estamos num momento equilibrado. O ano passado foi bom e esse não não está tão positivo. Os preços estão um pouco abaixo, mas seguimos operando no limite da capacidade e nosso desafio é manter o volume de celulose”, concluiu.

Sobre o autor

Mara Bianchetti

Editora do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela Newton Paiva, com especialização em Jornalismo em Ambientes Digitais pelo UniBH. Premiada entre os jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças. LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/marabianchetti/

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