Economia

Cesta básica em BH acumula alta de 14,2% em 2026; tomate quase dobra de preço

Clima frio, pragas e fim da safra das águas reduziram a oferta de tomate e batata; alta nos preços chega a 99%
Cesta básica em BH acumula alta de 14,2% em 2026; tomate quase dobra de preço
Foto: Diário do Comércio/Charles Silva Jr

O preço da cesta básica em Belo Horizonte acumula aumento de 14,2% em 2026. Entre janeiro e maio, 9 dos 13 produtos registraram alta, com destaque para o tomate (99,29%), a batata (94,84%) e o feijão carioca (51,59%). Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (11), pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em parceria com a Conab. Em maio, o custo médio da cesta em BH chegou a R$ 825,99, alta de 4% em relação a abril, enquanto nos últimos 12 meses, a elevação chega a 11,2%.

Neste ano, também acumulam alta: leite integral (13,64%), manteiga (9,10%), carne bovina de primeira (4,39%), pão francês (4,33%), arroz agulhinha (1,11%) e farinha de trigo (0,67%). Em contrapartida, banana (-18,09%), café em pó (-7,91%), óleo de soja (-6,79%) e açúcar cristal (-5,75%) aliviaram o bolso do consumidor na Capital.

Segundo o levantamento, a alta no preço do tomate pode ser explicada pela redução na oferta, em função do clima frio e de pragas em algumas praças, o que elevou o preço do fruto no varejo. A baixa oferta também resultou na alta no preço da batata, que ocorreu devido ao encerramento da safra das águas e do início da colheita da temporada das secas.

Já o feijão seguiu valorizado em maio, ampliando o preço ao consumidor final. O motivo estaria ligado à restrição de oferta e as incertezas climáticas, sobretudo no Sul do País.

Alta acumulada coloca BH entre as maiores inflações alimentares do País

Em maio, o preço da cesta básica aumentou em todas as 27 capitais analisadas. As elevações mais importantes ocorreram em Recife (8,05%), Florianópolis (7,81%), Fortaleza (7,48%) e Porto Alegre (7,24%). Já o maior custo do conjunto dos alimentos segue em São Paulo (R$ 952,20), seguido por Cuiabá (R$ 925,49) e Rio de Janeiro (R$ 914,48).

A alta no preço da cesta básica em Belo Horizonte pode ser atribuída a um conjunto de fatores estruturais que pressionam o setor, desde desafios na produção agrícola, até a sazonalidade e aumento dos custos de produção. O economista e conselheiro de política econômica Stefan D’Amato, pontua que a redução da oferta de alguns produtos, o aumento dos custos de fertilizantes, energia, mão de obra, transporte soma-se ainda a demanda relativamente resiliente por alimentos, que dificulta ajustes de consumo mesmo diante de aumentos expressivos de preços.

“Nesse contexto, o aumento do custo da cesta básica em todas as capitais brasileiras evidencia que a pressão inflacionária possui caráter nacional e está concentrada, sobretudo, nos alimentos in natura e de maior sensibilidade climática”, destaca o economista.

Segundo ele, a alta acumulada na capital mineira em 2026, posiciona a cidade entre aquelas com inflação alimentar mais elevada do País, superando a média de diversas capitais e ficando próxima das maiores variações observadas. “Trata-se de um cenário preocupante, pois o encarecimento dos alimentos básicos reduz diretamente o poder de compra das famílias e amplia a pressão sobre o custo de vida, especialmente entre os domicílios de menor renda”, argumenta.

Trabalhador de BH gasta mais de 112 horas para comprar a cesta

O levantamento do Dieese também ressalta que, em maio de 2026, o tempo médio necessário para adquirir os produtos da cesta básica em Belo Horizonte por um trabalhador remunerado pelo salário mínimo foi de 112 horas e 06 minutos. No mesmo período de 2025, mesmo com salário mínimo menor, o tempo de trabalho necessário era de 107 horas e 37 minutos.

Para D’Amato, o cenário é preocupante, já que um trabalhador atualmente precisa destinar mais da metade da sua renda líquida apenas para adquirir alimentos básicos. “Há uma redução significativa da capacidade de consumo das famílias. O orçamento doméstico torna-se mais rígido, obrigando muitos consumidores a cortar gastos com lazer, educação, saúde preventiva, vestuário e outros bens e serviços, o que reduz o dinamismo da economia local”, salienta.

Alta deve desacelerar, mas preços seguem elevados

A tendência para os próximos meses, segundo o economista, é de estabilidade em produtos que sofreram forte influência sazonal, especialmente à medida que novas safras aumentem a oferta de itens como batata e tomate. Entretanto, ainda não é possível prever uma reversão rápida do custo da cesta básica, em razão de uma maior pressão sobre custos logísticos, insumos agrícolas, demanda externa por proteínas e incertezas climáticas.

“O cenário mais provável é de desaceleração do ritmo de alta, mas ainda com preços elevados em relação ao padrão histórico. Para as famílias, isso significa que a recuperação do poder de compra dependerá não apenas da estabilização dos alimentos, mas também da continuidade do crescimento da renda e do mercado de trabalho”, finaliza D’Amato.

Rádio Itatiaia

Ouça a rádio de Minas