Expectativa é de que obra ofereça mais segurança para tráfego das pessoas | Crédito: CHARLES SILVA DUARTE /ARQUIVO DC

Até o momento, 14 empresas já demonstraram interesse pelo projeto de concessão do Rodoanel de Belo Horizonte à iniciativa privada. Na lista, companhias dos Emirados Árabes, Singapura, França, Espanha e Brasil. Com previsão de investimentos de R$ 9 bilhões, incluindo recursos da Vale referentes à indenização pelo rompimento da barragem em Brumadinho, as rodadas de market sounding (consulta ao mercado) continuam e as consultas públicas devem ser iniciadas em abril de 2021.

As informações são da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade (Seinfra). A previsão é que o Rodoanel, no novo formato, seja licitado no ano que vem e que, a partir da entrada do setor privado, gere milhares de empregos e beneficie as arrecadações de diversos municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

Ontem, o secretário de Estado de Infraestrutura e Mobilidade, Fernando Scharlack Marcato, apresentou o projeto aos integrantes da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib) e do Movimento Brasil Competitivo.

Alguns dias antes, em entrevista do DIÁRIO DO COMÉRCIO, Marcato adiantou que “o mercado está com apetite”. Segundo ele, este é um tipo de investimento que interessa a fundos de investimentos internacionais, por isso, a segurança deve ser priorizada. No momento, a Pasta desenvolve as fases de modelagem para o processo licitatório de contratação dos serviços de elaboração de projeto, construção e operação para a concessão.

“O dinheiro ainda depende de um acordo a ser firmado com a Vale, mas acreditamos que vai sair. A licitação será única, pois não queremos correr o risco de falhar e não entregar. Um projeto desta magnitude precisa ser pensado como um todo. Ainda que não haja recursos para fazer no ano um todas as intervenções, uma vez licitado, você estipula um cronograma no horizonte e oferece perspectivas de que o projeto vai sair. O montante que estamos negociando com a mineradora seria suficiente para iniciarmos a Alça Leste, que é a prioritária, dado o maior volume de tráfego”, explicou.

Além disso, no início do mês, foi lançado o DataRoom – sala virtual de dados – do projeto de modelagem para a concessão. O endereço virtual tem como objetivo disponibilizar para consultas os arquivos relevantes e documentos detalhados para potenciais licitantes e para a sociedade. O objetivo é fornecer as informações sobre a licitação, levantamento de dados e estudos para que os investidores possam montar suas propostas com mais segurança. A modelagem possui conclusão prevista para dezembro deste ano.

São grandes as apostas do governo do Estado no projeto. Ainda em entrevista ao DIÁRIO DO COMÉRCIO, o secretário disse que, na prática, a intenção é substituir o atual Anel Rodoviário que corta a capital mineira, com a premissa de que os caminhões que passam pela região não precisem transitar dentro de Belo Horizonte. Para isso, envolve a estruturação das alças Norte e Sul com mais de 100 quilômetros de extensão, o que deverá fazer frente aos atuais gargalos da via atual.

Projeto – No todo, o Rodoanel será dividido em Alça Norte (Sabará – sentido Ipatinga – à BR-040 em Ribeirão das Neves), Alça Oeste (BR-381 – sentido Uberaba – a Betim) e Alça Sul (Sarzedo – via BR-040 – sentido Rio de Janeiro).

A obra impactará diretamente mais de 5 milhões de pessoas em mais de 15 municípios da RMBH, com expectativa de geração de 18 mil postos de trabalho durante a fase de construção.

“Queremos modernizar a estrutura viária. Não faz sentido esses caminhões que vêm de outros estados e seguem direto passarem por dentro de BH. A mobilidade da cidade fica prejudicada e o desgaste do pavimento é maior, aumentando os custos da prefeitura. Sem contar, que a reformulação trará benefícios também à saúde das pessoas, que terão mais segurança ao trafegar”, ressaltou.