Confiança do consumidor sobe em abril, mas guerra pode mudar cenário
O Índice de Confiança do Consumidor de Belo Horizonte (ICC-BH) de abril de 2026 subiu 2,24% em relação a março, segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead).
Apesar do otimismo registrado, o índice marcou 42,64 pontos em uma escala que varia de 0 a 100, indicando que a desconfiança ainda é maior no geral. O ICC-BH acumula alta de 3,11% em 2026. Quatro dos seis componentes do ICC-BH apresentaram alta na confiança em abril, com destaque para o componente de Inflação (9,36%).
Cinco dos seis componentes estão abaixo de 50 pontos, o que configura pessimismo dos consumidores. O único componente acima de 50 pontos é o de Situação Financeira da Família Atual.
Segundo o economista da Fundação Ipead, Paulo Casaca, esse crescimento de abril na confiança pode ser revertido nos próximos meses, pois a pesquisa foi realizada em um cenário sem os grandes impactos nos combustíveis, que sofreram aumentos recentes. O tema tende a ser sensível para os consumidores nos próximos levantamentos realizados pela Fundação Ipead.
“Eu acredito que no próximo mês o índice de confiança apresente uma piora nesse cenário. Mas, antes do início da guerra, os preços de combustível poderiam ter nos levado a uma situação de inflação bastante controlada, com a Selic caindo e as expectativas de inflação reduzindo. Era como se a população não enxergasse a inflação como um problema grande”, disse.
Otimismo familiar
Casaca aponta que as famílias tendem a manter um otimismo geral, apesar dos impactos dos combustíveis, pois acreditam que a situação financeira pode melhorar a partir de agora. O motivo é o fim do primeiro trimestre, quando se acumulam despesas que sufocam o orçamento familiar, como o pagamento de impostos como IPTU e IPVA, materiais escolares e outras despesas recorrentes.
“É um movimento parecido com o que a gente viu no saldo de emprego. Em janeiro há uma queda de emprego por conta das demissões dos temporários do fim do ano, com consumo reduzido e pagamento de muitos impostos. Em fevereiro algo parecido. Em março ainda tivemos o Carnaval. E agora as pessoas estão começando a colocar o nariz para fora para equilibrar as contas. Mas, para os próximos meses, talvez a gente comece a ver o impacto da inflação por conta dos combustíveis prejudicando a confiança do consumidor”, pondera o economista.
Emprego em alta
Outra situação que pode ajudar a reduzir a percepção negativa da economia como um todo em BH e no país é o mercado de trabalho. Dados do Caged indicam que 228 mil novos postos de trabalho foram abertos em março, acima da expectativa do mercado. Isso demonstra que há uma economia girando forte, o que pode trazer uma visão menos pessimista por parte da população.
“Isso é totalmente compatível com os resultados que a gente vê nas pesquisas, como a PNAD, com desemprego baixo e renda real subindo. O Caged de março também veio bastante positivo, com resultado de alta acima das expectativas de mercado, tanto no Brasil quanto em Minas. Então é absolutamente aceitável e normal esse resultado que a gente está vendo”, conclui Paulo Casaca.
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