O ouro é um produto capital para o Estado, que é o maior produtor e também exportador nacional do metal precioso - Crédito: Toru Hanai /Reuters

Os preços do ouro seguem batendo recordes no mercado internacional. Ontem, a onça-troy chegou a US$ 1.501, uma elevação de 1,95% sobre o dia anterior e a cotação mais alta dos últimos seis anos. A elevação tem ocorrido em função da escalada do conflito comercial entre Estados Unidos e China, que tem promovido uma corrida para a compra do metal dourado.

De acordo com especialistas ouvidos pela reportagem, a tendência é de que o aumento seja mantido nos próximos meses, com o preço da onça ultrapassando a barreira dos US$ 1.550. Já o grama, em reais, cotado ontem a R$ 193, deve superar os R$ 200 antes do fim do ano.

Segundo o gerente de atendimento da Parmetal, Evandro Bastos, nas últimas semanas, tem havido uma procura maior de consultas quanto a investimentos em ouro. Conforme ele, a corrida está sendo causada pela guerra comercial entre Estados Unidos e China, o que tem gerado efeitos em todo o mundo.

“No caso do Brasil, há ainda o efeito cambial. Com a elevação do dólar frente ao real, o preço acaba ficando ainda maior. Essa combinação culmina no que chamamos de ‘tempestade perfeita’, com os dois componentes da precificação do ouro forçando para a elevação dos preços”, explicou.

O operador da Ourominas, Mauriciano Cavalcante, por sua vez, ressaltou que o maior interesse pelo metal em momentos de crises globais, como a causada pelo conflito entre os gigantes financeiros, já é esperado, em virtude do caráter de investimento seguro e pouco volátil do ativo.

“Esse perfil tem feito o apetite dos investidores pelo metal precioso aumentar. E, no caso do investidor nacional, além das incertezas quanto à economia doméstica, a precificação da commodity em dólares tem valorizado ainda mais o metal devido à depreciação cambial”, completou.

Ainda segundo o especialista, a tendência é de que os preços continuem elevados nos próximos meses, já que não há perspectiva de acordo entre os países.
Porém, Cavalcante não acredita que os preços deverão virar o ano nesses patamares. Isso porque, conforme ele, é esperado que, até lá, haja uma solução para o conflito comercial entre americanos e chineses e que o real tenha voltado a se valorizar.

“O dólar deve recuar um pouco, porque teremos a aprovação da reforma da Previdência e o cenário interno deverá estar melhor. Além disso, espera-se que Estados Unidos e China já tenham se resolvido. De qualquer maneira, a orientação é de cautela sempre. Principalmente àqueles que não estão muito acostumados a investir. Vale sempre a dica de diversificar e ser conservador nas aplicações”, concluiu.

Minas Gerais – No caso de Minas Gerais, maior produtor e exportador nacional de ouro, o metal é um produto fundamental para a balança comercial. Conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério da Economia, as exportações estaduais de ouro chegaram a US$ 829,4 milhões até julho deste ano sobre US$ 734,4 milhões no mesmo período do exercício anterior, crescimento de 12,9% entre os períodos.

AngloGold Ashanti, Kinross Brasil Mineração S/A, subsidiária da canadense Kinross Gold Corporation, e Jaguar Mining estão entre as principais mineradoras de ouro do Estado.