Fumaça avistada após um incêndio nas instalações da Aramco, na cidade oriental de Abqaiq. REUTERS/Stringer 15/09/2019

Nova York – Os preços do petróleo caíram cerca de 6% ontem, depois de o ministro de Energia da Arábia Saudita afirmar que o reino restabeleceu boa parte de sua produção petrolífera afetada por um ataque ocorrido no final de semana, que havia interrompido 5% da produção global da commodity.

Os ataques de sábado elevaram os temores quanto a um grande choque de oferta em um mercado que esteve, nos últimos meses, preocupado com a demanda e com o lento crescimento global. O petróleo chegou a subir até 20% na segunda-feira (16).

Os contratos futuros do petróleo Brent despencaram US$ 4,47, ou 6,5%, e fecharam a US$ 64,55 por barril. Os futuros do petróleo dos Estados Unidos recuaram US$ 3,56, ou 5,7%, para US$ 59,34 o barril.

Segundo o ministro de Energia da Arábia Saudita, a oferta de petróleo do país já foi totalmente restabelecida e as exportações previstas para setembro não serão reduzidas após os ataques à petroleira Saudi Aramco no último sábado (14).

Incêndios em duas instalações da empresa provocaram o corte de metade da produção do país, maior exportador da matéria-prima do mundo.

O ministro, príncipe Abdulaziz bin Salman, disse em coletiva de imprensa ontem que o país tem capacidade de produção e estoques suficientes para retomar, e até aumentar, o ritmo de exportações e que os preços de combustíveis locais não serão afetados.

De acordo com o príncipe, a Arábia terá uma capacidade de produção de 11 milhões de barris por dia (bpd) até o final de setembro, 1,2 milhão de barris a mais que a produção anterior aos ataques. Em novembro, a capacidade deve chegar a 12 milhões de bpd.
Para retomar a oferta, o país ativou campos ociosos de exploração e está utilizando reservas de petróleo. Também foram limitadas as compras da matéria-prima crua por refinarias locais.

Salam disse ainda que a Arábia Saudita iniciou uma investigação sobre o ocorrido e que o país precisa tomar medidas rígidas para prevenir novos ataques. “Estamos pedindo que o mundo nos ajude a proteger o petróleo”.

Ele classificou o ataque como terrorista, mas não apontou uma possível origem. Segundo autoridades americanas, a ofensiva teria partido do Irã.

O receio que os ataques reduziriam a oferta mundial de petróleo levou o preço do barril a US$ 68 (R$ 278,12) na segunda (17), uma alta de 13%, a maior valorização percentual diária em 11 anos.

Também estavam na coletiva, o presidente do conselho da Saudi Aramco, Yasir Al-Rumayyan, e o CEO da empresa, Amin Nasser.

Eles disseram que o dano dos ataques ainda está sendo calculado e que o ocorrido não muda os planos da petroleira para sua abertura de capital (IPO), que deve acontecer nos próximos 12 meses.

Segundo Nasser, foram dez focos de incêndio na refinaria de Abqaiq, a maior instalação de processamento de petróleo no mundo. Com a redução da capacidade, a instalação está produzindo 2 milhões de bdp por dia. Antes do ataque, eram 4,9 milhões de bdp.
O Brent chegou a cair mais de 7% ao longo da coletiva de imprensa.

“As notícias mais recentes significam que nós não teremos de nos apressar para revisar nossa estimativa de preço, de US$ 60 por barril ao final de 2019. Dito isso, ainda há algumas questões importantes a serem respondidas sobre os ataques, o que pode significar que teremos de considerar um prêmio por riscos permanentemente elevado em nossas projeções”, disse Caroline Bain, economista-chefe de commodities da Capital Economics, em uma nota. (Folhapress/Reuters)