Mineiros economizaram R$ 134 milhões com carona compartilhada no primeiro semestre
A pressão dos custos de mobilidade sobre o orçamento da população levou os mineiros a economizarem mais de R$ 134 milhões no primeiro semestre deste ano com o uso de viagens de carona compartilhada. O resultado reflete a alta demanda de condutores e passageiros para divisão das despesas de viagem.
Os dados são da plataforma BlaBlaCar que, no mesmo período, recebeu 23 mil novos cadastros de motoristas no Estado e ampliou em 18% a base de clientes ativos na comparação com o mesmo período do ano passado. Com essa expansão, Minas Gerais consolidou-se como o segundo maior mercado da empresa no País em volume de usuários ativos, atrás apenas de São Paulo.
O avanço do modal ocorre em um contexto de alta nos preços dos combustíveis e perda do poder de compra das famílias. Embora o aumento da gasolina tenha sido menos intenso que o do diesel no mercado doméstico, a variação foi suficiente para impulsionar a adesão ao modelo colaborativo.
A CEO da BlaBlaCar no Brasil, Tatiana Mattos, avalia que o movimento não está restrito ao País e reflete uma tendência observada em parte dos 21 mercados onde a plataforma opera. Na França e na Espanha, por exemplo, a alta dos preços dos combustíveis também impulsionou a procura por caronas.
Além da atuação com caronas compartilhadas, a plataforma também funciona como um canal digital de vendas, tornando-se uma vitrine on-line para viações regulamentadas. A BlaBlaCar comercializa os bilhetes e recebe uma comissão por venda, além de uma taxa básica de serviço cobrada do consumidor final, segmento que amplia participação no faturamento do negócio.
Segundo Tatiana Mattos, o principal diferencial competitivo da plataforma é sua base de usuários: 60% deles têm entre 18 e 34 anos. Trata-se de um público jovem, predominantemente universitário e com orçamento restrito, que busca na carona uma alternativa, inclusive diante das opções informais de transporte.
Nesse contexto, a BlaBlaCar também se posiciona como um canal de aquisição de clientes para as viações. “Em vez de investirem altos valores em mídia paga, as empresas encontram na plataforma um ecossistema com 25 milhões de contas cadastradas. A carona funciona como porta de entrada, contribuindo para a atração e a fidelização dos usuários. A partir dessa relação, a plataforma apresenta também as opções de transporte rodoviário, estimulando um padrão de uso híbrido”, detalha a executiva.
Os dois serviços não são vistos como concorrentes, mas como alternativas que atendem a diferentes necessidades. Tatiana Mattos explica que o usuário tende a optar pela carona em viagens que exigem maior flexibilidade de horários e envolvem menos bagagem, além de estar sujeito a imprevistos. Já em trajetos mais longos, viagens em grupo ou situações que exigem maior pontualidade e conforto, o ônibus ganha espaço.
Com o envelhecimento desse público, a entrada no mercado de trabalho e o aumento do poder aquisitivo, a expectativa é de que a frequência de uso do transporte rodoviário também cresça.
Essa estratégia também se reflete nos resultados do negócio. No primeiro semestre deste ano, a receita global da empresa cresceu entre 30% e 40% em relação ao mesmo período do ano passado.
“Em Minas Gerais, o fluxo de passageiros subiu cerca de 35%. A receita cresce em ritmo ligeiramente superior devido ao aumento do tíquete médio”, destaca a executiva.

80% das rotas de carona atendem trechos desassistidos ou com pouca cobertura rodoviária
As rotas de alta densidade no Estado, como como Belo Horizonte – Juiz de Fora, Belo Horizonte -Uberlândia e ligações interestaduais com Rio de Janeiro e São Paulo, concentram os maiores volumes absolutos do negócio. Entretanto, a maior aposta e o maior impacto social da carona compartilhada segue nas cidades menores e conexões remotas, onde o transporte público é escasso ou inexistente.
Conforme Tatiana Mattos, cerca de 80% das rotas de carona publicadas no País atendem trechos desassistidos ou com pouca cobertura rodoviária. “A carona nasce nos grandes centros pela facilidade de adoção tecnológica, mas atinge maturidade justamente no interior desatendido, e Minas é um retrato em escala do Brasil: um território extenso, com muitos municípios pequenos e baixa oferta de linhas regulares”, argumenta.
Além da economia financeira, a economia de tempo e a sustentabilidade formam a tríade de impacto do modelo de negócio da BlaBlaCar. Em trajetos como Contagem – Belo Horizonte ou Campinas – São Paulo, a BlaBlaCar estima que a junção de passageiros em um único veículo retira até quatro carros das vias urbanas em horários de pico.
Minas no centro da estratégia de expansão
Para o futuro, o objetivo da BlaBlaCar é consolidar a plataforma como uma das principais soluções para viagens de curta e média distância. A estratégia inclui aprimorar a experiência do usuário por meio de parcerias, novas soluções e o incentivo a melhoria da experiência do usuário como cabines leito-cama individuais, serviços de bordo e telas de entretenimento
“Buscamos fechar parcerias que agreguem valor à jornada sem perder a nossa essência”, afirma Tatiana Mattos.
Minas Gerais continuará no centro da estratégia de expansão. Segundo a executiva, o Estado combina forte presença universitária com grande dispersão geográfica e já tem 97% dos municípios cobertos pela plataforma, considerando as operações de carona compartilhada e ônibus. “O próximo passo é ampliar a integração com parceiros para digitalizar e completar 100% do inventário rodoviário mineiro”, finaliza a executiva.
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