A produção do segmento extrativo caiu 24,4% no terceiro trimestre no Estado e impactou o PIB da indústria, que recuou 2,1% - Crédito: Divulgação

O Produto Interno Bruto (PIB) de Minas Gerais apresentou retração de 1,5% no terceiro trimestre de 2019, se comparado com igual período do ano anterior. O desempenho ficou aquém do registrado no Brasil, que subiu 1,2%. A influência negativa veio, principalmente, da agropecuária, que caiu 17,1%, em função da menor produção de café. No terceiro trimestre de 2019, a estimativa preliminar para o PIB de Minas Gerais totalizou R$ 159,4 bilhões a preços correntes. Com a queda, o PIB do Estado acumula perdas de 0,4% no acumulado do ano até setembro. Os dados foram divulgados na sexta-feira (13) pela Fundação João Pinheiro (FJP).

De acordo com o coordenador do núcleo de contas regionais da FJP, Raimundo de Sousa Leal Filho, com o resultado negativo verificado no período, o PIB de Minas Gerais, em termos reais, praticamente se igualou ao registrado em igual período de 2010, com avanço de apenas 1%, o que significa um crescimento de 0,1% por ano na última década.

“Tivemos uma década perdida. Passados nove anos, é como se ele tivesse voltado a 2010. Esse crescimento de 1% em dez anos é muito pouco. Nós produzimos, hoje, praticamente a mesma coisa que produzíamos há dez anos, isso impacta no padrão de vida e de consumo da população”, explicou.

No terceiro trimestre de 2019, frente a igual período do ano passado, contribuíram para a queda de 1,5% verificada no PIB mineiro a agropecuária, que retraiu 17,1%, e indústria, 2,1%. O setor de serviços avançou 0,6%. Na agropecuária, a safra de café cerca de 20% menor justifica a queda.

Já na indústria estadual, a principal retração aconteceu no setor extrativo, que registrou queda de 24,4%. No setor industrial, foi verificada alta em construção (5,1%), energia e saneamento (7,7%) e indústria de transformação (0,4%).

No terceiro trimestre, frente igual período do ano passado, o setor de serviços cresceu 0,6% impulsionado pela alta do comércio (3%) e outros serviços (0,8%). Já em transporte houve retração de 2,2% e 0,5% em serviços públicos.

Acumulado – Com a queda trimestral, o PIB de Minas retraiu 0,4% no acumulado do ano até setembro, frente a igual período do ano anterior. Foram verificadas quedas na indústria (2,1%) e na agropecuária (2,1%). O setor de serviços cresceu 0,4%.

Queda também foi verificada nos últimos 12 meses, completados em setembro de 2019. No período, o PIB mineiro ficou 0,2% inferior ao registrado em igual intervalo anterior. Minas Gerais não acompanhou o ritmo nacional, uma vez que, no Brasil, foi registrada expansão de 1% na mesma base de comparação.

De acordo com Sousa, dois choques exógenos, de grande impacto agregado, afetaram a economia de Minas Gerais no segundo trimestre (Brumadinho) e no terceiro trimestre (café) de 2019, o que afetou os resultados dos últimos 12 meses e do acumulado do ano até setembro. Na análise da série do PIB mineiro com ajuste sazonal, houve queda de 0,6% no segundo trimestre de 2019 em relação ao primeiro; e de 0,4% no terceiro trimestre desse ano comparativamente ao trimestre imediatamente anterior.

“No segundo trimestre, ocorreu retração significativa do volume de produção da extração mineral no Estado em razão da interrupção da exploração do minério de ferro. Nesse contexto, várias unidades produtivas foram paralisadas em virtude do rompimento da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho, e da supervisão mais rigorosa das demais barragens, com a consequente suspensão temporária na operação de várias minas”, disse Souza.

Capital perde participação no PIB

A distribuição do PIB de Minas Gerais está concentrada em cinco municípios, sendo Belo Horizonte o principal. De acordo com os dados da Fundação João Pinheiro (FJP), em 2017, o Produto Interno Bruto do Estado foi de R$ 576,2 bilhões, sendo R$ 504,9 bilhões devidos ao valor adicionado e o restante (R$ 71,28 bilhões) relativos aos impostos.

Os cinco municípios com maior participação no PIB mineiro são Belo Horizonte, Uberlândia, Contagem, Betim e Juiz de Fora que, juntos, responderam por 33,2% do total em 2017. Em 2010 respondiam por 37,2%.

De acordo com o levantamento, Belo Horizonte, em 2017, respondeu por 15,44% da participação no PIB estadual. O índice ficou menor que o visto em 2016 (16,23%) e em 2010 (16,86%). Nos últimos sete anos, a perda no desempenho ocorreu em função da queda na indústria da construção, alimentos e bebidas.

Em segundo lugar, está Uberlândia, no Triângulo, cuja participação na composição do PIB em 2017 foi de 5,94%, índice menor que os 5,98% registrados em 2016. Já em relação a 2010, houve um avanço de 0,54 ponto percentual, com melhor desempenho do comércio e da arrecadação de impostos. Uberlândia aumentou a participação na composição do PIB estadual, saltando da quarta para a segunda posição, que pertencia a Betim.

Em 2017, Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), respondeu por 5,03% do PIB estadual. O índice ficou maior que os 4,68% registrados em 2016 e menor que os 5,45% observados em 2010. A queda nos últimos sete anos é resultado dos setores de construção e produtos de metas.

A participação de Betim recuou significativamente nos últimos sete anos. Enquanto em 2010 o município respondia por 6,6% do PIB estadual, em 2017 a representação caiu para 4,01%. Em 2016, o índice era de 4,62%. A queda na indústria de veículos justifica a retração. Em sete anos, a participação de Juiz de fora caiu de 2,82% para 2,77%.

Já em Uberaba, em função da agropecuária, a participação no PIB, em sete anos, cresceu de 2,08% para 2,28% em 2017.