Eleições acrescentam até R$ 100 milhões ao faturamento das gráficas de Minas em 2026

Setor estima alta de 20% a 25% na receita anual e aumento de até 12% nos empregos, mas aponta queda no volume de impressos
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Eleições acrescentam até R$ 100 milhões ao faturamento das gráficas de Minas em 2026
Foto: Reprodução/ Pixabay

“Segundo Natal”. É assim que o presidente do Sindicato das Indústrias Gráficas no Estado de Minas Gerais (Sigemg), Betinho da Silva Lara, se refere à importância econômica do período eleitoral para o setor. Segundo ele, somente a produção dos meses de agosto e de setembro para essa época acrescentará cerca de R$ 100 milhões ao faturamento anual total das gráficas do Estado em 2026, um valor que representa entre 20% e 25% de alta no acumulado do ano e aumento de 10% no número de empregos.

“Noventa e cinco por cento desse valor que chega é movimentado no primeiro turno, com a produção para os diversos candidatos. Enquanto nas eleições passadas o santinho era o mais procurado, dessa vez as colinhas eleitorais tomaram o lugar de destaque. E a gente compreende pois são muitos números e a colinha, realmente, ajuda muito o eleitor”, afirma Lara.

Já foi melhor

As gráficas são tradicionalmente procuradas para produzir folhetos e materiais impressos diversos nas eleições, principalmente nas primeiras três semanas da campanha que, neste ano, teve início oficialmente em 16 de agosto. Segundo o chefe da entidade, que é filiada à Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), a demanda pela produção impressa caiu neste ano.

“O volume de impressos está abaixo do observado em outros pleitos. Antigamente, o período eleitoral incrementava entre 35% e 40% ao setor. O crescimento das redes sociais tem influência nesse cenário. Mesmo assim, estimamos um incremento entre 20% e 25% no faturamento do setor, com destaque para materiais tradicionais, como santinhos, colinhas e folhetos, além do crescimento dos wind banners”, afirmou Lara.

A produção movimenta o mercado de trabalho. Conforme o sindicato, o setor gráfico estima crescimento entre 10% e 12% na geração de empregos durante o período eleitoral. “Além de gerar vagas, a gente também investe no pagamento de horas extras de funcionários que já atuam nas nossas fábricas”.

Em ano sem eleição, o melhor momento da indústria gráfica aparece no segundo semestre, quando iniciam-se as produções de agendas, de calendários, de brindes e de outros folhetos para o Natal.

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Impresso segue importante

Lara defende a importância da produção gráfica impressa. “A verdade é que enquanto o post é rápido e se perde, o santinho circula e alcança diversas pessoas: alguém recebe um material, guarda no carro, chega no trabalho e coloca na mesa. Outra pessoa vê. Leva para casa, mais pessoas veem. E, mesmo se jogado no lixo, mais pessoas irão ver a mensagem daquele folheto”, completa.

Segundo o presidente da Sigemg, um formato que cresceu muito na área política e que registrou demanda recorde, é o wind banner, ou seja, um cartaz em tecido com uma base e mastro flexível, já muito usado para divulgar marcas e eventos.

Digitalização também é necessária

Para além da produção impressa, as indústrias gráficas seguem se atualizando e investindo para também oferecer serviços digitais, o que aumenta a exigência por profissionais qualificados. É o que lembra o gerente do Sesi Senai Horto, Dalison Lage. A unidade oferece formações direcionadas a diferentes etapas da cadeia produtiva, incluindo cursos técnicos em áreas como Design Gráfico, Processos Gráficos e Comunicação Visual.

“A indústria gráfica mudou muito nos últimos anos com o avanço da impressão digital, da automação, dos novos equipamentos e do uso de softwares. Hoje, o profissional precisa ter uma formação mais ampla, que envolva preparação de arquivos, ferramentas gráficas, qualidade, acabamento e novos recursos tecnológicos. Por isso, percebemos que a transformação do setor e a necessidade de profissionais mais qualificados têm um impacto mais constante na procura por formação do que o próprio calendário eleitoral”, destaca Lage.

Sobre o autor

Anderson Rocha

Repórter multimídia do Diário do Comércio desde 2025. Graduado em Jornalismo e pós-graduado em Comunicação Digital pela PUC Minas. Vencedor dos prêmios CNJ, Mercantil, Sebrae, CDL/BH e CBN de Jornalismo.


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