Apesar do resultado positivo, tendência é que a inadimplência volte a crescer na Capital | Crédito:

Após viverem dias mais desafiadores devido aos reflexos da pandemia do Covid-19, os moradores de Belo Horizonte têm conseguido lidar melhor com as finanças, graças a avanços econômicos verificados nas últimas semanas.

A inadimplência dos consumidores da capital mineira caiu 1,2% em agosto na comparação com o mesmo período do ano passado e 1,03% em relação a julho. Os dados são da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH).

Conforme ressalta a economista da entidade, Ana Paula Bastos, o resultado é fruto de uma série de fatores. Um deles tem a ver com a reabertura do comércio em Belo Horizonte, que não somente fomentou o consumo, mas que também ajudou para que muitos desempregados conseguissem se recolocar.

Além disso, o auxílio emergencial, medida do governo federal que dá uma contribuição mensal para as pessoas de menor ou nenhuma renda, possibilitou que diversas famílias conseguissem pagar as suas dívidas. As taxas de juros menores também têm contribuído para que as negociações saiam a um valor menor.

No entanto, não foram esses os únicos motivos para a queda da inadimplência. O próprio consumidor mudou, de acordo com Ana Paula Bastos. O momento atual gera muitas dúvidas nas pessoas e faz com que elas não estejam dispostas a gastar muito.

“Nesses momentos de incerteza, a população muda seus hábitos, tem receio de comprar a prazo”, salienta a economista da CDL-BH.

Faixa etária e gênero – A pesquisa da entidade também mostra que os indivíduos que mais se encontram em situação de inadimplência são aqueles que têm de 18 a 24 anos de idade, com crescimento de 73,81% em agosto deste ano na comparação com o mesmo período de 2019. “Os jovens são os mais impactados pelo desemprego. Além disso, geralmente, são os últimos a se realocarem”, justifica Ana Paula Bastos.

Em relação ao gênero, os dados da CDL-BH revelam que tanto mulheres quanto homens apresentaram redução na taxa de inadimplência. No entanto, a retração foi maior entre elas (-2,14%) do que entre eles (-1,93%).

Dívidas em atraso – O indicador de dívidas em atraso também apresentou recuo, sendo de 5,69% em agosto em relação a igual período do ano passado e de 1,74% em agosto na comparação com julho.

Além disso, o número médio de dívidas foi o menor da série histórica, chegando a 1,871 dívidas por pessoa inadimplente. Em agosto do mês passado, era 1,960 e em julho 1,885.

Possível aumento da inadimplência – Apesar da queda no número de pessoas que não têm conseguido honrar com as suas obrigações financeiras, a tendência é que a inadimplência apresente um leve crescimento nos próximos meses, segundo a economista da CDL-BH. Como o consumo tem aumentado com a reabertura do comércio, é possível que as dívidas também cresçam e, consequentemente, muitas pessoas não consigam lidar com elas posteriormente.

Além disso, lembra Ana Paula Bastos, houve uma diminuição do valor do auxílio emergencial, que passou de R$ 600 para R$ 300, o que também pode gerar impactos nesse sentido.

Empresas devem menos, aponta a CDL/BH

A inadimplência está menor entre as pessoas jurídicas. A retração do indicador de devedores em agosto deste ano, quando se compara com o mesmo mês de 2019, foi de 6,97%. A queda já ocorre pelo quinto mês consecutivo.

Já o indicador de dívidas das pessoas jurídicas apresentou uma retração de 11,69% em agosto deste ano em relação a agosto do ano passado. Foi a maior desaceleração para o indicador na série histórica.

O número médio de dívidas também registrou o menor valor até então: 1,825, sendo que em julho era 1,838 e em agosto de 2019 era 1,923.

Segundo a economista da CDL/BH, Ana Paula Bastos, a inadimplência menor entre as pessoas jurídicas está relacionada à flexibilidade maior que muitos empresários têm tido para pagarem as suas dívidas devido a medidas ocasionadas pela pandemia, prazo maior para realizar os pagamentos, adiamento de obrigações previdenciárias e tributárias, entre outros.