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Escalada nos preços da gasolina e diesel preocupa mercado

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Reajustes constantes podem resultar em pressão inflacionária | Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os preços do litro da gasolina, do gás liquefeito de petróleo (GLP) e do diesel já estão mais altos nas refinarias a partir de hoje.

O anúncio do aumento dos valores foi feito ontem pela Petrobras e gerou uma série de reações no mercado, inclusive o temor de uma elevação da inflação em um momento de crise econômica, intensificada pela pandemia da Covid-19.

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Com a nova alta, o preço médio da gasolina passará por uma expansão média de R$ 0,17%, passando para R$ 2,25. O diesel subirá R$ 0,13 (R$ 2,24) e o GLP terá elevação de 0,14 o quilo (R$ 2,91).

Somente em 2020, a gasolina passou por 41 reajustes, com 20 altas e 21 reduções nos valores. No acumulado do ano, houve uma diminuição de 4,1% no preço desse combustível. No que diz respeito ao diesel, foram 32 reajustes, com 17 aumentos e 15 diminuições nos valores, fechando o ano passado com queda de 13,2%.

Economista-chefe da Ativa Investimentos, Étore Sanchez destaca que os reajustes terão efeitos em várias frentes. Quando se trata da gasolina, frisa ele, há um peso importante no orçamento familiar, no que diz respeito ao abastecimento do veículo próprio, por exemplo.

“Já o diesel tem um impacto menos direto, pois ele é mais associado ao transporte de carga. Tende a ter um efeito secundário em um segundo estágio na economia”, avalia ele.

O economista lembra que o aumento do diesel, nesse cenário, reflete nos preços de bens, alimentos, entre outros, o que afeta a economia como um todo. Isso em um cenário em que já se vive um processo inflacionário, com avanço da economia pós-recessão e choque da oferta de produtos. “O aumento dos combustíveis tende a contribuir com isso, embora não seja o principal”, salienta.

Professor do Ibmec BH, Felipe Leroy também ressalta que o aumento do preço dos combustíveis poderá resultar em alta dos valores de produtos diversos. “Toda vez que alguém compra um produto, o valor do frete está embutido”, diz.

O Brasil, lembra Leroy, depende muito do modal rodoviário. “Estamos em um dos piores momentos da nossa história, por conta da pandemia. Estamos tentando alçar voos maiores e agora temos essa notícia”, pontua.

Alternativas – Os especialistas consultados pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO ressaltaram vários motivos para o aumento dos combustíveis, como a alta dos preços do barril de petróleo, impulsionada também pelo retorno de economias mundiais após um período de crise mais intensa, e a desvalorização do real frente ao dólar. Nesse cenário, as elevações deverão continuar a ocorrer em curto prazo, apontam, se nada for feito. Mas há alternativas?

Para o economista e professor do Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Fernando Sette, sim. Uma opção, segundo ele, seria fazer uma política de preços. “O governo, de alguma forma, baixar esse preço e deixar a Petrobras ter prejuízo consciente”, diz.

Outro ponto seria mexer na tributação, que também impacta os preços finais dos combustíveis. Nesse caso, haveria alguns entraves, como a necessidade de corte de despesas ou alguma outra oneração.

Já a terceira alternativa, explica Sette, mais em longo prazo, seria manter os preços dos combustíveis em uma constante, mesmo quando os valores estiverem menores. Assim, se faz um fundo de reserva para momentos de alta, suavizando as possíveis elevações.

Caso nada seja feito, o professor do UniBH também chama a atenção para o aumento dos preços dos produtos de maneira geral. “E quando se tem um choque nos preços, dificilmente há uma redução”, diz.

Petrobras reforça sua autonomia

Rio – A Petrobras anunciou alta dos seus preços médios para gasolina, diesel e GLP, nas refinarias, a partir de hoje, após reafirmar em comunicado sua independência do governo federal para definir valores, mesmo diante de pressões políticas.

O preço médio de venda de gasolina nas refinarias da Petrobras subirá aproximadamente 8%, para R$ 2,25 por litro.

Já o preço médio de venda de diesel será elevado em cerca de 6% para R$ 2,24 por litro.

O preço médio de venda de gás liquefeito de petróleo (GLP), o chamado gás de cozinha, passará a R$ 2,91 por kg (equivalente a R$ 37,79 por 13 kg), um aumento médio de R$ 0,14 por kg (equivalente a R$ 1,81 por 13 kg).

“(O reajuste) na gasolina deixa o produto muito próximo da paridade com o preço internacional… o diesel ainda segue bem longe”, disse o chefe da área de óleo e gás da consultoria INTL FCStone, Thadeu Silva.

Nos cálculos do especialista, o diesel está com defasagem de R$ 0,20 por litro ante a paridade de importação.

A Petrobras reiterou em nota que seus preços têm como referência a chamada paridade de importação, impactada por fatores como os valores do petróleo e o câmbio.

Silva destacou que o real segue desvalorizado frente ao dólar e o petróleo está bastante fortalecido, com perspectivas de programas de estímulo a economia em outros países e de arrefecimento da pandemia, com vacinas.

O presidente da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo, que tem apontado defasagem nos preços da estatal frente ao mercado externo, afirmou que os reajustes anunciados pela Petrobras “não são suficientes para eliminar as defasagens”.

O repasse dos reajustes nas refinarias aos consumidores finais nos postos não é garantido, e depende de uma série de questões, como margem da distribuição e revenda, impostos e adição obrigatória de etanol anidro e biodiesel.

Pressões – Enquanto a Petrobras busca reafirmar sua independência para determinar preços às distribuidoras, o governo avalia uma forma de trazer maior previsibilidade e menor volatilidade para os valores dos combustíveis no Brasil, segundo o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque.

O ministro pontuou ontem que o governo federal permanece considerando a possibilidade da criação de um fundo com esse objetivo, além de outras medidas que poderão mexer na tributação federal e estadual sobre os combustíveis.

“O Brasil hoje já é o sétimo país produtor de petróleo e o sétimo maior exportador”, disse Albuquerque, em entrevista transmitida pela agência epbr.

“Temos hoje uma outra condição em relação a esses hidrocarbonetos que poderão ser usados, parte desses recursos, para um fundo de estabilização de preços.”

A possibilidade de criar um fundo já havia sido citada por ele no passado, assim como considerada por outros governos anteriores.

Já sobre a alteração nos tributos, Albuquerque reiterou que o governo deverá propor um projeto de lei para alterar a forma de cobrança do ICMS, um imposto estadual, mas sem interferir na autonomia dos estados.

“O que se pretende discutir com o Congresso Nacional é como esse cálculo desses tributos estaduais será feito, ou sobre o preço na refinaria, ou sobre um preço especificado a ser estabelecido pelas assembleias legislativas”, afirmou.

As propostas voltaram a ser discutidas em uma coletiva de imprensa na sexta-feira, após o presidente Jair Bolsonaro cobrar explicações Petrobras e de ministérios sobre a formação de preços no Brasil, diante de pressões por menores preços e maior previsibilidade por parte de caminhoneiros.

Na coletiva, tanto representantes do governo como o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, reiteraram autonomia da Petrobras para praticar preços. (Reuters)

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