Com projetos em dois municípios, Minas concentra 15% da expansão elétrica nacional
Após dois meses sem autorizações, Minas Gerais voltará a registrar novos projetos na matriz de energia nacional em maio. Os empreendimentos, em Riacho dos Machados e Urucuia, no Norte do Estado, totalizam 93 megawatts (MW) e representam aproximadamente 15% da expansão prevista para o Brasil no período.
Os dados constam no acompanhamento de expansão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), com análise da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). Apesar de expressivo, o Pará, no Norte do País, deve liderar a expansão da matriz de energia no período a partir da biomassa.
De acordo com o consultor de mercado de energia da Fiemg, Sérgio Pataca, após um hiato de autorização, a expansão da matriz volta a ganhar fôlego em Minas Gerais no mês de maio com dois projetos robustos no Norte do Estado. A região consolida como uma das principais fronteiras de crescimento, impulsionada pelo avanço de empreendimentos solares e pela disponibilidade de áreas e condições climáticas favoráveis.
Segundo o consultor, em 2026, no recorte Sul-Sudeste, Minas Gerais segue liderando o crescimento da geração de energia. “Com crescimento estimado de 775 MW no Sudeste, Minas Gerais responde por 679 MW, cerca de 87% da expansão regional”, destaca.
Pataca salienta que a região perde parte do protagonismo nacional em razão de uma descentralização da expansão, um movimento natural do mercado. Com isso, outros estados e regiões estão avançando mais na geração de energia, exemplo do Nordeste que investe cada vez mais em fontes eólicas e solares, além do Norte quase totalmente representado pela usina de gás natural.
“Por muitos anos houve uma hegemonia no Sul e Sudeste do Brasil. Hoje o foco está no Nordeste, com expansão em diferentes estados, sobretudo em eólica e solar, dando suporte ao sistema elétrico e atraindo novos investimentos para a região”, complementa o consultor.
98% renovável: Minas consolida matriz limpa e lidera solar no País
Em menos de uma década, Minas Gerais quase dobrou a geração de energia elétrica no território. Entre 2015 e 2024, a produção total saltou de 37.681gigawatt-hora (GWh) para 73.478 GWh, um crescimento de 95%, conforme o Panorama do Setor Elétrico de Minas Gerais, divulgado pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG).
O documento também evidencia a consolidação de uma matriz predominantemente limpa. Em 2024, as fontes fósseis, como gás natural e derivados de petróleo, responderam por apenas 1,9% da produção elétrica do Estado. Na prática, cerca de 98% da energia gerada em Minas vem de fontes renováveis.
Dentro desse cenário, a energia solar se destaca. O Estado lidera a geração fotovoltaica no País, com participação superior a 23% do total nacional, resultado impulsionado por políticas públicas como o programa Sol de Minas.
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