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Ford: saída do País terá forte impacto em concessionárias

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Crédito: REUTERS/Carla Carniel
Crédito: REUTERS/Carla Carniel

O anúncio da Ford de que encerrará a produção de veículos no Brasil ainda em 2021, com o fechamento das fábricas que a montadora mantém em Camaçari (BA), Taubaté (SP) e Horizonte (CE), pode causar o fechamento de mais da metade das concessionárias da marca no País. Além do fechamento, o aumento dos custos para aquisição dos veículos, que serão importados, pode fazer com que a marca perca uma parcela ainda maior no mercado brasileiro. 

De acordo com a consultora da MB Associados, Tereza Fernandez, além do impacto imediato da perda direta de 5 mil postos de trabalho, a tendência é de reduzir o número de concessionárias para menos da metade. O impacto na rede de parceiros e fornecedores, como a indústria de peças, pode gerar o corte de 10 mil vagas. 

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“A Ford já vinha perdendo espaço no mercado ao trabalhar com volume pequeno de modelos. Com o fechamento das unidades, vai trazer carros do Uruguai, China e Argentina, então, tende a trabalhar com quatro ou cinco modelos importados. Não é um volume considerável e tem um custo maior, por isso, a tendência é que, das cerca de 280 concessionárias, 120 sobrevivam, mesmo assim, será um desafio”. 

Em relação às indústrias de peças, as mesmas também serão afetadas. A tendência é de um maior fechamento das unidades instaladas nos arredores das fábricas que serão fechadas e que forneciam peças just in time. As demais serão afetadas de forma mais branda, já que não concentram a produção somente na marca. 

“A demanda pelas peças e partes tende a continuar, mas pode ser que essas peças e partes passem a ser importadas, o que vai afetar também a rede de fornecedores. Hoje, o que se tem é o fechamento de 5 mil postos de trabalho, mas, na cadeia de fornecedores, podem ser fechadas mais de 10 mil vagas. É uma pena, mas, do ponto de vista global, a indústria automotiva está passando por processos de ajuste no mundo inteiro. Todas as montadoras globais estão se reorganizando e buscando formas de sobreviver em um mundo novo. Mas isso não significa que outras irão encerrar as atividades no País”. 

Projeções – O CEO da consultoria Megadealer, José Caporal, também explica que a tendência é de que a rede de concessionárias da marca seja reduzida em mais da metade. As que são exclusivas da marca serão as mais afetadas. 

“Sabemos que, com o fechamento das fábricas da montadora, vai diminuir bastante o  número de concessionárias e indústrias de peças da Ford. Não terá ninguém trabalhando exclusivamente com a marca Ford, pode ocorrer uma diversificação das marcas trabalhadas e, com isso, a Ford perderá ainda mais espaço no mercado”. 

O economista e especialista do setor automotivo Hugo Meza explica que a Ford continuará presente no mercado nacional, porém, comercializando carros importados, o que vai provocar queda significativa na participação da montadora no mercado nacional.

 “A Ford diz que vai continuar presente, importando carros, mas o mercado vai esvaziar. Qualquer produto importado passa a ser caríssimo com dólar alto, além disso, não terá a chancela da indústria local da Ford para fornecer peças e dar sustentabilidade ao mercado, por isso, haverá uma queda expressiva do market share no Brasil”. 

Em relação às concessionárias, a tendência é de maior fechamento na rede exclusiva, mas as empresas que já trabalham com multimarcas devem ser menos afetadas. Mesmo assim, a tendência é de oferta reduzida dos veículos Ford. 

“É certo que teremos o esvaziamento do mercado, vamos ver cada vez menos veículos Ford no Brasil. O mercado consumidor vai diminuir sensivelmente e a tendência é que empresas novas, mais enxutas que as tradicionais e que têm parâmetros de competição global, como, por exemplo, na formação de parcerias com outras marcas, vão abocanhar o mercado antes da Ford”.

À medida que a oferta de veículos for diminuindo, segundo Meza, a expectativa é de que as indústrias de peças sejam afetadas pela menor demanda, as mesmas serão fechadas ou mudarão de marca. 

“A Ford atuou muito no mercado popular, com veículos 1.0, e, por isso, ainda terá demanda por peças durante certo tempo, mas vai ficando defasado. A saída de uma indústria como a Ford afeta e prejudica toda uma cadeia de fornecedores”.

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