Gasmig quer levar gás natural e biometano para mineradoras de Minas

Com combustíveis que reduzem pegada de carbono no setor, estatal quer ouvir empresas sobre demanda futura
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Gasmig quer levar gás natural e biometano para mineradoras de Minas
Foto: Divulgação Gasmig

A Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) vai lançar, na próxima quinta-feira (1º), um projeto para ampliar a relação com as mineradoras sobre o uso de gás natural e biometano em operações e processos industriais associados ao setor. O projeto “O Gás que Move Nossas Minas” vai colocar em pauta competitividade dos custos energéticos, segurança e diversificação do suprimento, substituição de combustíveis, eficiência energética e descarbonização de processos.

O objetivo é criar um ambiente de relacionamento capaz de transformar as discussões em oportunidades concretas de projetos, investimentos e novas soluções energéticas. Nesse sentido, apesar de ser um combustível fóssil, o gás natural, quando queimado, emite menos gases do efeito estufa se comparado ao carvão mineral e derivados do petróleo. Já o biometano é um gás considerado limpo.

O gás natural é utilizado principalmente como fonte de calor em processos como a pelotização do minério de ferro e a secagem de minérios. Por sua vez, o biometano pode substituir o diesel em veículos pesados, como caminhões que transportam minério, adaptados para operar com gás.

De acordo com o presidente da Gasmig, Gustavo De Marchi, a maior parte da rede de gasodutos do Estado ainda possui capacidade disponível e poderia atender a um eventual aumento da demanda por gás natural e biometano. Produzido a partir da decomposição de matéria orgânica, o biometano é composto predominantemente por metano e, quando atende às especificações de qualidade, pode ser injetado e transportado pela mesma infraestrutura utilizada pelo gás natural. Segundo De Marchi, a proposta da estatal é conhecer a escala prevista do setor e ajudar na gestão do portfólio da compra de gás.

Além disso, a Gasmig quer ampliar a presença do gás em Minas e levar infraestrutura a todas as regiões do Estado nos próximos cinco anos. A proposta da empresa é levar gás a todas as regiões de Minas Gerais com projetos no Norte e no Sul, regiões com grandes consumidores, além de investir no biometano no Triângulo Mineiro.

Em entrevista ao Alta Voltagem, programa de televisão da CNN, o presidente da empresa compartilhou que a estratégia inclui a extensão da rede no Sul do Estado, novos projetos no Norte mineiro e investimentos estimados em R$ 1 bilhão para desenvolver uma rede voltada ao biometano no Triângulo Mineiro. Na avaliação do empresário, o volume atual de gás natural – em torno de 3 milhões de metros cúbicos por dia – pode mais que dobrar se grandes consumidores substituírem combustíveis mais poluentes em seus processos de descarbonização.

O CEO da Gasmig disse, ainda, que uma das frentes é o setor de mineração. A estatal tem buscado se aproximar das empresas do segmento para incentivar a substituição do diesel por um combustível menos poluente. Nesse sentido, a companhia aposta na criação de corredores para descarbonizar o transporte, inicialmente com gás e, posteriormente, com combustíveis renováveis.

A proposta é expandir a rede por meio de projetos-âncora. A possível implantação de uma usina termelétrica na área da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) no Norte de Minas é considerada pela estatal como uma provável âncora para justificar a construção de novos gasodutos e levar gás a outros consumidores da região. O presidente da Gasmig disse que se trata do projeto do consórcio Engeko Green, empreendimento vencedor do Leilão de Reserva de Capacidade. Para De Marchi, essa termelétrica, se o projeto avançar, vai ser uma grande âncora.

No Sul de Minas, a proposta passa pela construção de uma linha-tronco de Bragança Paulista (SP) até Extrema (MG), através de um gasoduto de transporte que precisaria ser viabilizado pela Nova Transportadora do Sudeste (NTS). O objetivo é chegar a distribuição até o polo industrial de Pouso Alegre (MG). De Marchi conta que a Gasmig atualizou os estudos diante da perspectiva de novas demandas de grandes consumidores na região.

Obtido a partir da purificação do biogás, uma mistura de gases que têm como origem o processo natural de decomposição de resíduos orgânicos em ambientes onde não há troca de ar, o biometano, ou gás natural renovável, é a grande aposta da Gasmig no Triângulo Mineiro. A ideia da Gasmig é aproveitar aposta a grande presença da agroindústria na região para investir na produção local de biometano. A estatal lançou uma chamada pública que prevê investimentos de até R$ 1 bilhão em cerca de 400 quilômetros de rede para fomentar o uso do gás renovável.

De acordo com o presidente da Gasmig, a proposta é desenvolver redes isoladas ligando cidades-polo do Triângulo Mineiro e formar um “hub de biometano” de tal forma que a combinação entre produção e consumo na própria região favorece o projeto já que será possível reduzir a necessidade de transportar o gás por grandes distâncias. A projeção é alcançar uma produção de 250 mil metros cúbicos por dia, principalmente a partir do setor sucroindustrial.

Para o executivo, “falta agora o Brasil avançar na pauta da regulamentação do atributo ambiental”. Para De Marchi, só assim será possível destravar os investimentos com mais velocidade e equilíbrio de preços frente ao gás natural.

Sobre o autor

Ana Karenina Berutti

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo e mestre em Letras pela PUC Minas. Experiência de 30 anos em cobertura política e econômica.

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