Gasmig congela tarifas de gás natural veicular (GNV) e industrial
A Companhia de Gás de Minas Gerais (Gasmig) congelou as tarifas de gás natural veicular (GNV) e de gás natural industrial na resolução trimestral, que entra em vigor neste sábado, (1). O preço do GNV segue em R$ 2,9676 por metro cúbico (m³), enquanto o gás industrial, considerando a faixa de consumo mensal de 350 mil m³, permanece em R$ 3,3284/m³.
As tarifas para os dois segmentos são atualizadas a cada três meses pela Agência Reguladora de Saneamento e Energia de Minas Gerais (Arsae-MG). Nos últimos seis meses, o reajuste acumula variação positiva de 2%, resultado avaliado como moderado em um contexto de escalada de preços do gás natural, impulsionada pela instabilidade no Oriente Médio.
Em nota do Diário do Comércio, a Gasmig informou que o reajuste zero nas tarifas se soma ao índice de 2% aplicado no trimestre anterior, mantendo o gás natural veicular e industrial praticamente estáveis. “O resultado é fruto da estratégia de diversificação da cesta de indexadores adotada pela companhia, que permitiu à Gasmig não repassar nenhum aumento de custos à tarifa neste trimestre”, acrescenta.
A gerente de Energia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Tânia Santos, ressalta que o congelamento anunciado pela Gasmig se refere ao custo de uso da rede de distribuição, a chamada margem, e não ao preço da molécula do gás natural em si, negociada separadamente com a Petrobras.
Segundo a especialista, o principal ganho trazido pela resolução está na transparência regulatória. “Ao explicitar separadamente o custo do gás e a margem de distribuição para clientes livres e cativos, a Arsae-MG dá mais previsibilidade e segurança ao mercado”, argumenta.
Estabilidade e detalhamento da tarifa favorece mercado livre
O detalhamento numérico do mercado e o congelamento de preços apresentado é avaliado como relevante, especialmente diante do avanço do mercado livre de gás natural, cuja legislação está em vigor desde 2021. Para Tânia Santos, a divulgação deve ganhar novo impulso com a realização de leilões de gás do pré-sal voltados a consumidores livres.
A especialista também celebra a recente reestruturação da comercialização do gás natural da União, aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A expectativa é que o preço do gás caia dos atuais US$ 12 para aproximadamente US$ 5 por milhão de BTU (Unidade Térmica Britânica, na sigla em inglês).
Minas Gerais pode se beneficiar da nova regra pela forte presença de segmentos intensivos no consumo de gás natural, como siderurgia, metalurgia, indústria química, cerâmica, vidro e alimentos e bebidas. Os setores, conforme a especialista, têm a opção de migrar para o mercado livre de gás e figuram nas faixas de consumo acima de 300 mil m³ mensais, com parcela fixa proporcionalmente menor quanto maior o volume consumido.
“Para a Fiemg, a resolução amplia a transparência ao explicitar o custo do gás e a margem da distribuidora pelo uso da rede para consumidores livres e cativos, sem aumento para a indústria. Isso traz mais previsibilidade e segurança e permite análises técnicas mais consistentes nas futuras discussões regulatórias e leilões”, finaliza a especialista em energia.
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