Gerdau ainda tem prejuízo no Brasil apesar da melhora operacional

A siderúrgica segue otimizando operações e cortando custos, mas as condições de mercado e a rentabilidade ainda são desafiadoras
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Gerdau ainda tem prejuízo no Brasil apesar da melhora operacional
Foto: Diário do Comércio / Thyago Henrique

A melhora operacional da Gerdau no Brasil no segundo trimestre de 2026 ainda está longe de representar uma recuperação consistente. Apesar do avanço de 22% no Ebitda ajustado da operação brasileira em relação ao trimestre anterior, o CEO da companhia, Gustavo Werneck, e o CFO, Rafael Japur, ressaltaram que o desempenho segue muito abaixo do necessário para garantir a rentabilidade do negócio.

Segundo Werneck, a evolução dos resultados decorre principalmente de esforços internos para redução de custos e aumento da eficiência operacional, e não de uma melhora do mercado brasileiro. “A gente segue otimizando as nossas operações no Brasil, numa jornada cada vez mais intensa de buscar um desempenho operacional em níveis que nós nunca tivemos”, afirmou.

O executivo, no entanto, evitou interpretar o resultado como o início de uma recuperação duradoura. Essa evolução vai ser pequena, incremental, porque os desafios continuam muito intensos”, disse. Werneck também citou fatores externos que ainda pesam sobre o setor, como a expectativa pela conclusão das investigações antidumping, que poderiam reduzir a concorrência considerada desleal das importações de aço.

O CEO destacou ainda que o cenário econômico e político também recomenda cautela. “Brasil é um negócio com muita volatilidade, tem eleição chegando. A gente não pode dizer que isso é o início de uma recuperação mais intensa“, afirmou.

Japur reforçou que os números precisam ser analisados dentro de um contexto de forte deterioração da rentabilidade. Segundo ele, a operação brasileira da Gerdau registra prejuízos desde a segunda metade de 2025. “A operação Brasil, que é a nossa casa, onde a gente nasceu e sempre foi a nossa fortaleza, está desde a metade do ano passado tendo prejuízos”, afirmou.

O CFO explicou que o crescimento parte de uma base extremamente baixa: “Quando você está próximo de zero, qualquer crescimento tende ao infinito. Subiu, mas de um lugar muito baixo”.

No primeiro semestre, o Ebitda da operação brasileira ficou abaixo de R$ 1,3 bilhão, com margem de apenas 9,9%, percentual que, segundo Japur, praticamente equivale ao custo de depreciação dos ativos industriais. “A margem de 9% ou 10% passa muito longe do mínimo necessário para ficarmos no longo prazo e seguirmos crescendo”, afirmou.

Mesmo diante desse cenário, a empresa manteve o ritmo de investimentos. “A gente investiu para crescer e buscar competitividade mais de R$ 500 milhões acima do que geramos de Ebitda, sem considerar impostos, despesas financeiras e juros, que são muito altos no Brasil”, destacou.

Segundo Japur, a melhora do trimestre decorreu da combinação entre o aumento da receita por tonelada vendida e o controle de custos. A empresa conseguiu reduzir o volume destinado às exportações e ampliar as vendas no mercado interno, onde pratica preços mais elevados. A receita líquida por tonelada cresceu cerca de 4,5%, enquanto os custos avançaram aproximadamente 3%, permitindo uma pequena expansão das margens.

Ainda assim, o executivo ressaltou que a melhora é insuficiente para reverter o quadro financeiro da operação brasileira. “A gente segue com prejuízo no primeiro e no segundo trimestre. Precisamos de uma melhora muito significativa em relação ao patamar atual para reverter esse quadro na última linha”, afirmou.

Para Werneck, a prioridade continua sendo elevar a competitividade da operação enquanto a companhia aguarda uma melhora das condições de mercado. “Os nossos resultados no Brasil seguem muito distantes de serem os resultados que nós precisamos ter para construir o futuro da Gerdau pelos próximos 100 anos”, concluiu.

Sobre o autor

Juliana Sodré

Repórter do Diário do Comércio. Graduada em Jornalismo pela PUC Minas, com especialização em Imagens e Culturas Midiáticas pela UFMG.

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