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Economia

Gestor deve ter cautela ao recorrer aos financiamentos

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Crédito: Marcos Santos/USP Imagens
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A crise provocada pelas medidas de contenção ao avanço do coronavírus afetou diversas empresas, que estão com atividades suspensas e condições reduzidas de quitar pagamentos e manter os funcionários.

Como auxílio às empresas e com o objetivo de preservar os empregos, os governos lançaram várias linhas de crédito que podem auxiliar os empresários nesse momento de dificuldade financeira. A dica de especialistas é que os empresários, antes de buscar pelos recursos, avaliem a real situação das empresas, fazendo uma gestão financeira rigorosa, identificando os custos e analisando qual a melhor opção de crédito disponível no mercado.

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De acordo com o analista do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae Minas), Leonardo Medina, é preciso que o empresário antes de tomar o crédito entenda muito bem sobre a gestão financeira do negócio, conhecendo as características dos custos da empresa. Ele destaca que em momentos de crise como a vivenciada atualmente, as empresas precisam, sobretudo, se preocupar com o caixa de curto prazo.

“A empresa pode ser lucrativa, pode ser relativamente bem gerida na perspectiva de gerar lucro, mas se não gerar caixa de curto prazo e honrar com os pagamentos, essa empresa corre risco muito grande. Então, é preciso olhar para o negócio e fazer uma diferenciação de quais são os custos”.

A indicação, para o atual momento de crise, é que o empresário separe um grupo de contas relacionadas aos custos fixos, outro grupo de contas relacionadas aos fornecedores e outro grupo de contas relacionadas a custos de financiamento e empréstimos que a empresa já tem com o sistema financeiro.

Para as contas de custos fixo – que variam de acordo com a característica de cada negócio – podendo incluir, por exemplo, água, luz, aluguel, telefonia e mão de obra – o indicado é que o empresário reduza ao máximo estes custos. O que não for possível de reduzir terá que fazer jus ao capital de giro.

Para as contas relacionadas aos fornecedores, o importante é buscar um acordo para tentar alongar os prazos de pagamento. Medina explica que é essencial que haja negociação para atender as duas partes, já que os fornecedores também estão sendo prejudicados pela crise.

No que se refere aos financiamentos e empréstimos já contraídos, é importante que avalie a possibilidade de renegociar as dívidas e tentar alongar o prazo, reduzindo o ônus no curto prazo.

“O governo lançou linhas para renegociação de dívidas, capital de giro e folha de pagamento. Este olhar para dentro da empresa é importante para que o empresário identifique quais linhas seriam as mais vantajosas e que fazem maior sentido para o negócio neste momento. É preciso que o empresário tenha calma e faça o planejamento para reduzir os riscos”, explicou.

Domínio – A gerente de economia da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Daniela Brito, explica que o momento é turbulento e precisará de habilidades dos empresários para superar os desafios. Para isso, é necessário ter domínio da situação e a gestão financeira será fundamental.

É preciso olhar para a empresa e detalhar os negócios, avaliando o fluxo de caixa, relacionando a receita, os custos e definindo quando os desembolsos terão que ser feitos e as datas de possíveis entradas de receita.

“Haverá situações de descasamento, que vai ser um dia ou uma semana ou o mês deficitários. É importante extrapolar esses períodos para um horizonte de tempo maior e traçar cenários, tendo um mais realista que será a base, um mais otimista e um mais difícil. Esse mapeamento é importante para a tomada de decisão”, disse Daniela.

Daniela explica ainda que, hoje, devido a decisões dos governos, existe crédito disponível e a opção de renegociar os financiamentos já contratados com entidades bancárias. Também há a possibilidade de alteração dos contratos de trabalho e da redução de jornada.

Também é importante que os empresários busquem negociações de pagamentos e prazos junto aos fornecedores e clientes.

“Tem todo um arsenal para superar a crise, mas é preciso de gestão para reduzir os riscos”, disse Daniela.

Medidas visam dar fôlego às empresas

A analista de negócios da Fiemg, Veronica Damasceno, explica que os empresários estão passando um momento difícil, principalmente, em relação a cumprir os pagamentos diários. Por isso, foram lançadas muitas medidas pelos governos para auxiliar e dar um fôlego às empresas para superarem o momento de crise.

Entre os auxílios está o crédito pequenas empresas, que foi lançado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O crédito é voltado para empresas com faturamento de R$ 360 mil a R$ 300 milhões anuais. Os recursos têm carência de até 24 meses e 60 meses de amortização. Veronica ressalta que os juros serão cobrados no período de carência. Pelo menos R$ 5 bilhões estarão disponíveis para apoio às MPMEs.

A taxa de juros é composta pelo Custo Financeiro, pela taxa do BNDES e pela Taxa do Agente Financeiro. Em Minas Gerais, cinco entidades financeiras estão operando esta linha: a Caixa, o Banco do Brasil, Itaú, Santander e Bradesco.

“É importante que o empresário ao chegar ao agente financeiro observe, junto ao gerente, quais são as taxas que vão compor o produto, elas são negociáveis. As condicionantes do produto são do BNDES, mas, a negociação é com o agente financeiro”, disse Veronica.
Outra importante linha é o crédito folha de pagamento, que será operacionalizado pelo BNDES e já está disponível nas entidades financeiras, em Minas, nos bancos Caixa, Banco do Brasil, Itaú, Santander e Bradesco.

O empresário deverá buscar a entidade bancária em que está a folha de pagamento. Caso o banco contratado não opere a linha, é importante solicitar ao gerente. Haverá análise de crédito e será liberado, no máximo, o valor de dois salários mínimos para cada funcionário.

Caso aprovado, os recursos serão depositados direto na conta do funcionário. O financiamento da folha poderá ser feito por até dois meses (maio e junho) e o funcionário não poderá ser demitido no mesmo período.

Para ter acesso ao crédito folha de pagamento, a empresa deve ter faturado, em 2019, entre R$ 360 mil e R$ 10 milhões. A taxa de juros equivale à Selic, 3,75% ao ano, e pode ser financiada em até 36 meses. Sendo seis de carência e 30 de amortização. Vale ressaltar, que os juros são cobrados durante a carência.

Para as empresas que não encaixam nas exigências das linhas de crédito pequenas empresas e folha de pagamento, em Minas Gerais, existe a possibilidade de acessar recursos disponibilizados pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG).

“O BDMG oferece várias oportunidades no momento e a Fiemg é correspondente bancário do BDMG e pode auxiliar os empresários nesse momento”, disse.

De acordo com Veronica, dentre os produtos oferecidos estão as linhas tradicionais, como a Geraminas, a linha de financiamento BDMG solidário (que é voltada para as 175 cidades atingidas pelas chuvas), o Geraminas social (com recursos voltados para as regiões do Rio Doce) e a linha do Fungetur (que abrange a hotelaria, bares e restaurantes). Recentemente também foi lançada a linha Giro Saúde.

“O que sugerimos nestas modalidades do BDMG é que o empresário procure um correspondente bancário ou acesse a plataforma online do banco, para que tenha informações mais detalhadas. São linhas práticas e com liberações rápidas. As linhas são voltadas para empresas com faturamento de até R$ 30 milhões ao ano”.

Ainda segunda Veronica, outra opção para os empresários é a possibilidade de renegociar os financiamentos já contratados em entidades financeiras. Ela explica que se o empresário tem financiamento com o BDMG, a orientação é entrar no site e seguir o passo a passo para a renegociação. O processo é simples e rápido. A renegociação modifica os prazos, mas mantém as taxas de juros contratadas.

Caso a linha contratada seja do BNDES, é preciso buscar o gerente de relacionamento do banco onde foi efetivado o contrato e renegociar. O período de carência pode ser de até seis meses, mas não haverá mudança na data final de pagamento do contrato.

“Isso precisa ficar muito bem alinhado, para que o empresário projete o fluxo de caixa. Ele terá seis meses de carência, mas a dívida terá a mesma data de finalização”, explicou Veronica.

Lojistas de BH lançam campanha por juro zero

A Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) lançou hoje a campanha Juro Zero. O objetivo é sensibilizar os bancos públicos e privados a promoverem linhas de crédito sem juros para socorrer o setor produtivo.

Segundo o presidente da entidade, Marcelo de Souza e Silva, o eixo da campanha é “hora de juro zero para o comércio não quebrar, o emprego não acabar e a vida continuar”.

Segundo ele, “está na hora de as nossas instituições do sistema financeiro, que no Brasil lucram como em nenhum outro lugar do mundo, darem uma real contribuição ao País neste momento de crise”.

Em algumas entrevistas concedidas desde o início da crise, Souza e Silva já vinha alertando para a necessidade de desburocratizar o acesso às linhas de crédito especiais lançadas pelo governo. “As micro, pequenas e médias empresas, que são as que mais estão necessitando de recursos neste momento, estão tendo enormes dificuldades na aprovação do crédito”, afirmou o presidente da CDL/BH.

Ele acrescentou ainda que há bilhões nos bancos para serem utilizados, mas, com a burocracia no meio do caminho, este dinheiro não vai chegar em quem realmente precisa.

“Já realizamos uma sondagem junto aos associados para checar se eles realmente estão sendo beneficiados com estas linhas de crédito que foram anunciadas pelos governos estadual e federal. E, até agora, não”. Souza e Silva lembrou ainda que o próprio ministro Paulo Guedes admitiu que “o dinheiro está empoçado nos bancos”, ou seja, o governo anunciou a liberação de recursos, mas até agora não chegou na ponta.

A CDL/BH quer sensibilizar outras entidades representativas do setor produtivo no País a entrarem na campanha. “O Juro Zero não é interesse apenas dos setores de comércio e serviços. É interesse de todo mundo que trabalha e produz neste País. Não é possível que nossos bancos pensem em ganhar um centavo sequer com essa crise que está matando pessoas, empresas e empregos. Está na hora deles demonstrarem solidariedade. É até mesmo um ato de patriotismo”.

Segundo ele, alguns dos associados da entidade chegaram até a alertar que algumas linhas de crédito anunciadas como “especiais” estão com condições de financiamento mais caras do que as linhas normais dos bancos que já eram adotadas no período antes da chegada do coronavírus.

Outra reivindicação de Souza e Silva é que o BNDES discipline o comportamento dos bancos na liberação dos recursos para o pagamento da folha dos funcionários, referindo-se à linha de crédito de R$ 40 bilhões anunciada pelo governo federal na semana passada.

“Alguns bancos, para oferecer o crédito, estão obrigando as empresas a migrarem suas contas. O empresário não pode ser obrigado a isso. Isso é inconstitucional, é venda casada”, afirmou.

Simulações – Na sua argumentação, o presidente da entidade, que representa o setor responsável por mais de 72% do Produto Interno Bruto (PIB) de Belo Horizonte e emprega quase 1,5 milhão de pessoas na capital mineira, mostra que as simulações feitas até o momento revelam que os bancos estão tendo ganhos altíssimos nessas linhas de crédito que estão sendo anunciadas como “especiais”.

Ele citou, por exemplo, o caso de uma empresa que peça um financiamento de R$ 10 mil em um prazo de cinco anos com carência de 12 meses.

“Ao final do financiamento, o empresário vai pagar mais de R$ 16 mil. Se os R$ 10 mil forem atualizados de acordo com a projeção de inflação atual, que é de 3,5%, ficam próximos de R$ 12 mil. O banco está tendo R$ 4 mil de ganhos reais sobre o valor financiado, ou seja, 40%. Respeitamos a atividade bancária. Mas é desumano explorar uma situação de calamidade pública para ganhar dinheiro”.

O presidente da CDL/BH, Marcelo de Souza e Silva, lembrou ainda que os cinco principais bancos do País, dois públicos, Caixa e Banco do Brasil, e três privados, Itaú, Bradesco e Santander, tiveram lucros de mais de R$ 100 bilhões em 2019. Todos tiveram ganhos maiores em relação ao ano anterior. “Esse Juro Zero não é caridade. É interesse dos bancos manter empresas sadias e pessoas empregadas. Se eles não cooperarem agora, muitos dos seus clientes, que proporcionam lucros para eles, vão quebrar”. (Da Redação)

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