Crédito: Nacho Doce /Reuters

Brasília – O governo estuda um aporte de R$ 20 bilhões do Tesouro no Fundo Garantidor para Investimentos (FGI) do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para impulsionar o crédito a médias empresas em meio à crise do coronavírus, mas aguarda o desfecho das negociações sobre auxílio a estados para saber quanto efetivamente poderá comprometer, disseram três fontes com conhecimento do assunto.

Com a medida, o governo espera chegar a alguns setores que ainda não receberam ajuda e estão sendo fortemente atingidos pela paralisação das atividades, como empresas de turismo e redes de bares e restaurantes de porte médio, por exemplo.

Para cada R$ 1 colocado no fundo, a conta é que o crédito é alavancado em R$ 5. Com uma injeção de recursos desse porte no FGI, a expectativa é que R$ 100 bilhões sejam ofertados pelas instituições financeiras a essas companhias, que têm enfrentado dificuldades em tomar empréstimos diante do aumento da aversão a risco pelos bancos, que temem inadimplência à frente.

Hoje, o FGI tem cerca de R$ 1,2 bilhão em caixa e a medida em análise do governo prevê a flexibilização de suas regras para empréstimos.

Atualmente, o fundo garante até 80% do valor da operação. A equipe econômica estuda como chegar a até 95% desse valor dependendo do tamanho da empresa – quanto menor o negócio, maior a garantia pelo governo, para que o crédito possa fluir especialmente aos que enfrentam hoje maior dificuldade de contratá-lo.

“Como está tramitando no Congresso a questão de ajuda aos subnacionais, financiamento a estados e municípios, o Tesouro precisa entender qual vai ser o tamanho da conta pra ele (antes de tomar a decisão)”, disse uma das fontes.

Ontem, o ministro da Economia, Paulo Guedes, se reuniu com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), justamente para tratar do projeto de ajuda a governadores e prefeitos.

O texto sobre o tema que foi aprovado na Câmara previa compensação integral pela União, por seis meses, de todas as receitas perdidas com ICMS (imposto estadual) e ISS (municipal), o que foi considerado um cheque em branco pelo ministro Paulo Guedes.

A conta foi estimada em mais de R$ 80 bilhões considerando um recuo de 30% com os tributos, mas como o comportamento da arrecadação está envolto em incertezas, na prática o Tesouro teria que arcar com o repasse independentemente do seu tamanho à frente.

Em uma contraproposta, a equipe de Guedes sugeriu a transferência direta de R$ 40 bilhões para uma janela de três meses.

Limite – Ontem, o Ministério da Economia prometeu “para breve” detalhes do novo programa via FGI e disse que o governo ainda está estudando se o limite de faturamento das empresas que poderão usufruir da garantia será de R$ 10 milhões ou R$ 300 milhões.

Para as grandes empresas, com faturamento acima de R$ 300 milhões ao ano, um sindicato de bancos – coordenado pelo BNDES e formado por Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Itaú – está trabalhando na estruturação de soluções privadas de socorro, com o apoio do setor público. Inicialmente, serão contempladas empresas do setor de aviação, automotivo, varejo não alimentício, sucroalcooleiro e de energia elétrica. (Reuters)