Economia

Graphcoa planeja investir R$ 700 milhões em planta de grafite no Vale do Jequitinhonha

Com capacidade instalada superior a 50 mil toneladas anuais, a unidade tem previsão de entrada em operação para o segundo semestre de 2029
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Graphcoa planeja investir R$ 700 milhões em planta de grafite no Vale do Jequitinhonha
Complexo de produção de grafite da Graphcoa deve entrar em operação em 2029 | Foto: Reprodução Graphcoa

A Graphcoa planeja investir em torno de R$ 700 milhões em uma planta voltada à produção de grafite concentrado, com teores de aproximadamente 95% de carbono grafítico, no município de Jordânia, na região do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Com capacidade instalada superior a 50 mil toneladas anuais, a unidade tem previsão de entrada em operação para o segundo semestre de 2029.

O Projeto Grafite Jordânia, como é chamado, está em fase de desenvolvimento e de licenciamento ambiental. Em abril, o empreendimento e os resultados do Estudo de Impacto Ambiental (EIA/Rima) foram apresentados à comunidade local em audiência pública.

A estimativa é que as obras da mina tenham início na segunda metade de 2027, após a emissão das licenças necessárias e a decisão final de investimento. No pico da construção espera-se a geração de cerca de 600 empregos diretos.

O diretor executivo da companhia, Ricardo Alves, afirma ao Diário do Comércio que, quando a planta entrar em funcionamento, devem ser gerados em torno de 150 empregos diretos. Também diz que a previsão da empresa é receber as licenças prévia e de instalação até dezembro deste ano e bater o martelo sobre o investimento até maio do ano que vem.

Foco na demanda por grafite no Ocidente

Conforme ele, a decisão final de investimento levará em consideração não apenas o projeto como também a transição para o Ocidente de outras etapas da cadeia produtiva. A Graphcoa acredita que esse movimento vai acontecer e, por isso, já investiu aproximadamente US$ 75 milhões nos projetos que possui. Atualmente, tanto a produção de grafite quanto o refino e a fabricação de baterias estão concentradas majoritariamente na China.

“É um projeto que tem grandes oportunidades de escala, teor adequado e vocação para sustentar essas cadeias de fornecimento de produção de baterias no Ocidente”, destaca em entrevista à reportagem no Brazil Lithium & Critical Minerals Summit 2026, evento promovido pela The Net-Zero Circle by IN-VR em Belo Horizonte nesta semana.

“Hoje, os Estados Unidos, a Europa e, principalmente o Brasil, é dependente do grafite e da bateria chinesa. Os nossos investimentos têm como objetivo justamente reduzir essa dependência e ser uma alternativa no Ocidente para o Ocidente”, salienta.

O grafite é importante para a produção de baterias para carros elétricos, mas também para a fabricação de refratários, produção de ligas metálicas, fabricação de peças e componentes, lubrificantes, polímeros e até para a agricultura. No entanto, Alves ressalta que o mercado tradicional não justificaria aportes da magnitude que a empresa pretende fazer no Estado e destaca que o propósito principal do projeto é aproveitar a demanda crescente do grafite em torno do aumento da frota de veículos eletrificados.

Ricardo Alves, Diretor Executivo da Graphcoa, fala em um painel de discussão em uma conferência, segurando um microfone e com uma perna cruzada. Ele usa um blazer azul, camisa branca e cordão de credencial. O fundo é uma tela LED com o texto "SILVER SPONSOR" e logotipos de patrocinadores.
Diretor executivo da Graphcoa, Ricardo Alves | Foto: Divulgação/The Net-Zero Circle by IN-VR

Planta de demonstração na Bahia valida rotas do projeto no Estado

Dedicada à exploração e produção de grafite, a Graphcoa é controlada pela Appian Capital Brazil, fundo de investimento privado especializado em mineração e braço regional da britânica Appian Capital Advisory. Além do Projeto Grafite Jordânia, a companhia tem a mina Boa Sorte no município baiano de Itagimirim, que assim como Jordânia, faz parte da Província Grafítica Bahia-Minas, uma das principais regiões brasileiras com ocorrência significativa de grafita natural, conforme o Serviço Geológico do Brasil (SGB).

A unidade na Bahia foi concebida como um projeto demonstrativo e desempenha papel fundamental na validação das rotas de beneficiamento e dos parâmetros operacionais da empresa. Também viabiliza a produção de concentrado de grafite utilizado em programas de qualificação junto à cadeia global de baterias para veículos elétricos.

O futuro empreendimento em Minas Gerais tem projeto técnico e operacional semelhante ao construído no interior baiano. E representa o avanço para uma operação comercial.

Segundo Alves, a planta de demonstração na Bahia já consumiu cerca de US$ 50 milhões e produziu mais de 400 toneladas de grafite concentrado para ser enviado a potenciais clientes. Amostras foram destinadas, por exemplo, aos Estados Unidos, vistos como o principal mercado de demanda no Ocidente; ao Canadá, para testes tanto para grafite expandido e expansível quanto para material de ânodo; e à indústria refratária brasileira.

Maior parte da produção no Vale do Jequitinhonha deve ir para os EUA

Ainda conforme o diretor executivo da Graphcoa, uma parcela do grafite concentrado previsto para ser produzido no Vale do Jequitinhonha deve ser vendida no Brasil para a fabricação de lubrificantes e carburantes, por exemplo. Contudo, a maior parte tende a ir para a Allied Graphite, empresa da Appian nos Estados Unidos, que fará o processamento avançado para elevar o teor do produto até a especificação para o ânodo de baterias.

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