Guerra pode afetar ainda mais comércio global

21 de maio de 2019

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Crédito: Leah Millis/ Reuters

Genebra/Londres – O indicador de cenário trimestral da Organização Mundial de Comércio (OMC) mostrou ontem que o crescimento do comércio global de produtos deve permanecer fraco, com uma leitura de 96,3, inalterado sobre fevereiro e menor nível desde 2010.

“O cenário para o comércio pode piorar mais se as elevadas tensões comerciais não forem resolvidas ou se políticas macroeconômicas falharem em se ajustar à mudança de circunstâncias”, disse a OMC, acrescentando que o mais recente indicador não reflete os principais movimentos comerciais dos últimos dias.

Uma leitura abaixo de 100 no indicador, uma medida de sete motores do comércio, sinaliza crescimento abaixo da tendência no comércio global de produtos, que a previsão de abril da OMC estima em 2,6% neste ano, ponto médio de uma faixa que vai de 1,3% a 4,0%.

Mas economistas da OMC alertaram que há vários cenários que podem levar o crescimento do comércio na direção do ponto mais baixo dessa faixa, incluindo a piora das tensões comerciais entre Estados Unidos (EUA) e China, ou o Reino Unido deixar a União Europeia sem um acordo.

Desde abril não há resolução sobre o impasse do Brexit e o presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou um forte aumento de tarifas sobre produtos chineses e disse que as importações de carros são uma ameaça à segurança nacional, embora tenha adiado a tarifa que ameaçou adotar sobre automóveis do mundo todo.

O indicador trimestral tem como base o volume de comércio de mercadorias no trimestre anterior, encomendas de exportação, frete aéreo internacional, tráfego de contêineres em portos, produção e venda de carros, componentes eletrônicos e produtos agrícolas.

Recessão – Analistas do Morgan Stanley afirmaram, também ontem, que o colapso das negociações comerciais entre EUA e China e o aumento das tarifas sobre produtos chineses levariam a economia mundial à recessão e o Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) a cortar juros dentro de um ano.

Uma escalada temporária das tensões comerciais pode não causar tantos danos, mas um colapso duradouro ditaria severas perdas. “Se as negociações travarem, nenhum acordo for acertado e os EUA impuserem tarifas de 25% sobre as importações restantes da China, de US$ 300 bilhões, veremos a economia global caminhando para a recessão”, disseram analistas do banco em nota.

Em resposta, o Fed cortaria as taxas até zero na primavera de 2020 (no Hemisfério Norte), enquanto a China aumentaria seu estímulo fiscal para 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) – equivalente a cerca de US$ 500 bilhões – e sua ampla meta de crescimento de crédito para 14%-15% ao ano, acrescentaram os profissionais.

“Mas uma resposta política reativa e os atrasos habituais de transmissão de políticas significariam que talvez não pudéssemos evitar o aperto das condições financeiras e uma recessão global total”.

Uma recessão global é definida como crescimento abaixo de 2,5% ao ano. (Reuters)

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