Os fabricantes de cerâmica chegaram a trabalhar com 40% da sua capacidade instalada em março e abril | Crédito: Divulgação

A pandemia do novo coronavírus (Covid-19) acertou em cheio diversos setores da economia e não foi diferente com a indústria cerâmica do Estado. Durante os meses de março e abril deste ano, o segmento chegou a produzir com apenas 40% da sua capacidade, de acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias das Cerâmicas de Minas Gerais (Sindicer-MG), Ralph Perrupato.

Agora, as empresas da área começam a retomar a produção pouco a pouco, mas nada de um crescimento substancial. Segundo Ralph Perrupato, no mês de maio, houve uma expansão de 10% a 15% em relação a março e abril. “Estamos operando um pouco acima da metade da nossa capacidade”, avalia.

A crise na saúde mundial, que teve impactos econômicos em todo o mundo, veio em um momento para o setor de cerâmica em que as coisas já não caminhavam tão bem em Minas Gerais. O presidente do Sindicer-MG lembra que, logo no início deste ano, as fortes chuvas que atingiram o Estado provocaram queda na demanda por produtos do segmento. No período em que as coisas começavam a engrenar, veio a pandemia.

Os contratempos no setor, porém, vêm bem antes disso. “Nós já vínhamos de um período ruim. Muitas empresas fecharam antes mesmo da pandemia, por causa do mercado mais fraco. A demanda estava caindo. Com isso, havia muita oferta, impactando os valores dos produtos. Os preços praticados começaram a ser inviáveis para diversos negócios do segmento”, destaca ele.

Diante desse cenário, muitas empresas do setor já não trabalhavam com um grande número de colaboradores. Por isso, destaca Ralph Perrupato, as demissões não foram tão significativas em meio à pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Além disso, os poucos postos de trabalho que foram encerrados já estão sendo ocupados novamente, com o pequeno crescimento na demanda em maio em comparação a março e abril.

“Algumas empresas, logo no início da pandemia, deram uma parada. Outras diminuíram o número de colaboradores trabalhando e optaram por dar férias coletivas. Teve também aquelas que demitiram, mas já estão voltando com o pessoal. Muitas empresas se assustaram no começo, resolveram demitir, mas os colaboradores já estão retornando”, ressalta.

No entanto, lembra Ralph Perrupato, muitos negócios tiveram dificuldades de obter recursos para o pagamento da folha dos funcionários. “As pequenas empresas tiveram dificuldades para acessar os recursos de crédito”, conta o presidente do Sindicer-MG.

Perspectivas – Diante de todo este quadro, Ralph Perrupato destaca que as perspectivas para este ano, que já está praticamente na metade, são ruins para o segmento de cerâmica em Minas Gerais. No entanto, ele ainda não consegue precisar quanto deverá ser a queda nos números do setor em 2020.

“Nós já não tínhamos expectativas de investimentos muito altos em construção, como existiram no passado. Esperávamos ter um crescimento mais sustentado, de longo prazo. Teve ano que chegamos a ter 10% de crescimento. Agora, pensávamos algo em torno de 2%, 3%, mas se mantendo”, diz.

No começo do ano, Ralph Perrupato já havia dito ao DIÁRIO DO COMÉRCIO que as empresas do setor de cerâmica não estavam fazendo grandes investimentos ou contratando pessoas. A capacidade ociosa na época já era uma realidade na área.

“Se houver um crescimento de 30% na área, por exemplo, é possível atender as demandas sem investir”, afirmou ele na ocasião.