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Inter registra queda de 93,1% no lucro líquido no ano passado

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Lucro líquido do banco alcançou R$ 5,578 milhões em 2020, ante R$ 81,5 milhões no ano anterior | Crédito: Divulgação

O Inter fechou o quarto trimestre do ano passado com um lucro líquido de R$ 22,078 milhões. O número representa uma queda de 11,3% quando comparado ao mesmo período de 2019 (R$ 24,892 milhões).

Ao todo, em 2020, o banco obteve um lucro de R$ 5,578 milhões contra os R$ 81,569 milhões registrados no ano anterior, uma queda de 93,1% de acordo com balanço financeiro divulgado pela instituição.

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Em seu relatório, a instituição informa que a diferença no lucro líquido do exercício pode ser explicada pela queda na taxa Selic, que impactou as receitas financeiras. Além disso, o desempenho foi afetado pelo crescimento das despesas administrativas, reflexo do forte crescimento no número de correntistas e lançamentos de novos produtos ao longo dos últimos meses.

O banco atingiu 8,5 milhões de correntistas no ano passado, o que corresponde a um aumento de 108% na comparação com o ano de 2019, que registrou um total de 4,1 milhões de correntistas.

Os números ainda mostram que as receitas totais do banco chegaram a R$ 1,4 bilhão em 2020, um incremento de 33,2% na comparação com o ano anterior. A receita média por cliente (ARPU) foi de R$ 197,98 no quarto trimestre do ano passado, alta de 12,3% na comparação com o segundo trimestre (R$ 176,35) e terceiro avanço consecutivo.

O custo de aquisição de clientes (CAC) atingiu R$ 26,79 no quarto trimestre do ano passado frente a R$ 25,36 registrados no mesmo período do ano anterior. Segundo o Inter, o incremento do número tem a ver com o crescimento dos custos relacionados ao marketing, sobretudo nos meses de novembro e de dezembro, por conta da sazonalidade da época.




“Esse maior investimento em marketing tem se mostrado positivo para a conversão de clientes”, afirma o Inter.

O custo de servir por cliente (CTS), por sua vez, apresentou queda na comparação entre o quarto trimestre de 2019 e igual período de 2020, passando de R$ 173,76 para R$ 137,74, retração de 20,7%.

Os números do Inter também mostram que o banco atingiu R$ 9,4 bilhões na carteira de crédito ampliada, o que significa um aumento de 86,6% no ano passado. A originação de crédito chegou a R$ 9 bilhões em 2020, o que corresponde a um incremento anual de 107%.

No que diz respeito aos dados da Intershop (GMV), foram movimentados R$ 632,4 milhões no quarto trimestre do ano passado, o que representa um incremento de 1.535% na comparação com o primeiro trimestre de 2020 e de 68% em relação ao trimestre anterior. Os resultados do quarto trimestre tiveram como uns dos fatores impulsionadores a Orange Friday e o Natal.

Ainda sobre o GMV, foram realizadas mais de 3,8 milhões de transações no quarto trimestre do ano passado. O número mostra um avanço de 35% na comparação com o trimestre anterior e de 220% em relação ao primeiro trimestre.

Inovação

Durante a teleconferência de resultados realizada na sexta-feira (26), o CEO do Inter, João Vitor Menin, destacou os vários resultados positivos obtidos, apesar de alguns “ventos contrários” em 2020 para o setor, como a Selic historicamente baixa.




O CEO ressaltou ainda algumas características importantes do banco, como a eficiência e a inovação. “A inovação é uma questão que tem que cultivar”, disse ele, lembrando dos lançamentos de produtos realizados. Além disso, Menin acrescentou que em março será lançada a operação para os não correntistas.

Variação cambial impulsiona o BC

Brasília – A forte alta do dólar no ano passado fez o Banco Central (BC) fechar 2020 com lucro recorde de R$ 469,61 bilhões. O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou sexta-feira (26) o balanço com as contas da instituição financeira no ano passado.

Do lucro total, R$ 61,97 bilhões correspondem ao lucro operacional (ganhos com o exercício da atividade) e R$ 407,64 bilhões ao lucro com reservas internacionais e derivativos cambiais (como os swaps, que equivalem à venda de dólares no mercado futuro).

A moeda norte-americana, que subiu 29,3% ano passado, multiplica o valor em reais das reservas internacionais, que fecharam 2020 em US$ 355,6 bilhões, praticamente estável em relação a 2019 (US$ 359,4 bilhões). Isso ampliou os ganhos da autoridade monetária, mesmo com a venda de cerca de US$ 25 bilhões das reservas externas pelo BC para segurar a alta do dólar.

Outra parte do lucro cambial vem do resultado das operações de swap cambial, que funcionam como venda de dólares no mercado futuro.

Desde 2008, o banco registra os resultados operacionais e cambiais de forma separada. No primeiro semestre do ano passado, quando o dólar passou a disparar, o BC teve lucro operacional de R$ 24,75 bilhões e ganhos de R$ 478,47 bilhões com as operações cambiais. Desse total, R$ 325 bilhões foram transferidos ao Tesouro para recompor o “colchão da dívida pública”, reserva financeira usada em momentos de turbulência, como a pandemia de Covid-19.

No segundo semestre, quando o dólar se estabilizou e passou a cair, o BC teve lucro operacional de R$ 37,22 bilhões e prejuízo de R$ 70,83 bilhões com as operações cambiais. No total, a autoridade monetária teve perda de R$ 33,61 bilhões no segundo semestre, subtraída a transferência de R$ 325 bilhões ao Tesouro e o prejuízo de US$ 33,61 bilhões no segundo semestre.

Por causa da nova legislação que regulamenta a relação entre o Banco Central e o Tesouro, a destinação dos lucros da autoridade monetária mudou. Os lucros vão para uma reserva interna do BC que aumentará o patrimônio líquido do banco e será usada para abater prejuízos futuros com as operações cambiais.

Essa reserva financeira saltou de R$ 45,05 bilhões em 2019 para R$ 164,91 bilhões em 2020. A diferença deve-se à incorporação do lucro cambial de R$ 478,47 bilhões no primeiro semestre. (ABr)

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