Economia

Leite, remédios e gás de cozinha elevam inflação de BH e região em 0,61% em abril, diz o IBGE

Aumento de 0,61% na Região Metropolitana de Belo Horizonte acende alerta para a meta inflacionária do Banco Central em 2026
Leite, remédios e gás de cozinha elevam inflação de BH e região em 0,61% em abril, diz o IBGE
Crédito: Agência Brasil / Arquivo

Em abril, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,61% na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado colocou a RMBH na quinta menor variação mensal entre as 16 áreas pesquisadas.

No País, a variação mensal foi de 0,67%. A proximidade entre os dois índices é motivo de atenção: caso esse ritmo seja mantido, a meta de inflação do Banco Central para 2026, fixada em 4,91%, poderá ser superada. O acumulado em 12 meses foi de 4,08% na RMBH, sétimo menor resultado entre as localidades pesquisadas, e de 4,39% no Brasil.

O grupo de alimentação e bebidas registrou o maior crescimento percentual mensal, com variação positiva de 1,34%. O levantamento também apontou altas em outros segmentos, como artigos de residência, despesas pessoais e eletroeletrônicos, evidenciando um processo inflacionário de impacto mais amplo.

O único grupo a registrar queda em BH foi o de transporte público (-6,72%), resultado das gratuidades concedidas pela prefeitura nos fins de semana e feriados, que reduziram os valores contabilizados no uso do serviço pela população.

Segundo o chefe da Seção de Levantamento de Preços do IBGE, Venâncio Araújo, o IPCA de abril já reflete os impactos do conflito no Oriente Médio, que tem pressionado os preços dos combustíveis e derivados de petróleo. “Acredito que a questão dos combustíveis já esteja afetando os preços como um todo, mas, principalmente, o grupo de alimentação e bebidas, pois esse grupo é muito ligado à oferta e à demanda”, afirma.

Leite longa vida, gás de cozinha e medicamentos foram os itens que mais puxaram os preços para cima, com impacto direto no orçamento das famílias. Para Araújo, a variação de 0,61% registrada em abril pode parecer estabilidade, mas não é. “A estabilidade tem que estar mais próxima de zero. O Banco Central tem como meta 4% no ano. Se todo mês houver uma variação de 0,60%, por exemplo, já se extrapola a meta”, explica.

O leite registrou o aumento mais expressivo no índice geral. Segundo o especialista, a combinação entre alta demanda e possível redução da oferta, período de entressafra, gerou pressão sobre os preços. “O leite tem um peso maior no orçamento das famílias. Um aumento de 14% fez com que ele impactasse 0,12 ponto percentual no índice geral. Daquele 0,61%, 0,12% veio só do leite. A questão do frete também pode ter contribuído”, comenta.

Gás e remédios

O gás de cozinha subiu 6,61%, com impacto de 0,09 ponto percentual no índice final — movimento que contrasta com a queda de 0,74% registrada no mês anterior. “Esse aumento, provavelmente, está relacionado à questão dos combustíveis, um cenário que observamos desde o início do ano, quando o conflito teve início”, destaca Araújo.

Já os medicamentos registraram alta de 1,92%, com impacto de 0,07 ponto percentual, reflexo do reajuste autorizado pelo governo em 1º de abril. “Foi um reajuste autorizado pela Anvisa. Entendo que seja algo pontual: como os preços são controlados e há um teto de 3,81%, acredito que nos próximos meses os medicamentos fiquem em estabilidade”, conclui o especialista.

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